Em rota de colisão com Infantino, Platini felicita atual presidente da Uefa por boicote à Fifa

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De acordo com o jornal francês L’Équipe, o “sumido” Platini, de 71 anos, telefonou para o esloveno Ceferin para parabenizá-lo pela coragem de desafiar os planos de Infantino dizendo que as instituições da Uefa não participarão de competições organizadas pela Fifa.

Por Agência Estado

Ídolo da seleção francesa, Michel Platini já teve o agora presidente da Fifa, Gianni Infantino, como seu secretário-geral e braço forte na direção da Uefa. Os caminhos de ambos tomaram destinos distintos, hoje eles se tornaram inimigos, com direito a processo na Justiça, e o ex-presidente da Uefa aproveitou para ligar a Aleksander Ceferin, atual mandatário da entidade europeia, para felicitá-lo pelo boicote ao polêmico projeto da Fifa que é avaliado como uma “venda da Copa do Mundo.”

De acordo com o jornal francês L’Équipe, o “sumido” Platini, de 71 anos, telefonou para o esloveno Ceferin para parabenizá-lo pela coragem de desafiar os planos de Infantino dizendo que as instituições da Uefa não participarão de competições organizadas pela Fifa.

Sob a batuta de Infantino, o projeto da Fifa consiste em vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado US$ 20 bilhões (em cerca de R$ 102,5 bilhões). A criação do grupo FIFA Forward Enterprise (FFE) consolidaria os eventos e operações. A entidade destaca que a governança do futebol permaneceria sobre o controle da entidade gerida pelo presidente da Fifa.

A ‘guerra’ entre Uefa e Fifa pelo poder vem faz algum tempo. Por muitos anos, Joseph Blatter foi o homem forte no comando da principal entidade do futebol mundial, com o francês Michel Platini, então na direção da entidade europeia, sendo o principal candidato para substituí-lo.

Blatter caiu após escândalos de corrupção e Platini, quando se preparava para ser o candidato favorito, acabou impugnado pela Comissão de Ética da Fifa de participar por ter recebido altos pagamentos suspeitos do suíço em 2011 (cerca de R$ 13 milhões à época). Acabou banido do futebol.

Infantino, que era seu braço direito na Uefa e suposto apoiador, entrou na eleição e, desde então, comanda a Fifa. Sentindo-se traído naquela eleição, Platini sempre foi crítico ao ex-secretário.

O francês acusa Infantino de ter liderado um complô para tirá-lo da disputa eleitoral e, por consequência, ter assumido o cobiçado cargo. O mais recente capítulo dessa desavença ocorreu no começo de junho, antes da Copa do Mundo da América do Norte.

Platini entrou com um ações civis e criminais na Justiça da França acusando o rival de “manipulação e abuso de poder” ainda pelo caso de corrupção de 2015 – o francês, assim como Blatter – acabou absolvido em tribunal federal criminal de apelações na Suíça e agora busca “vingança.” Ele denunciou Infantino, o ex-diretor jurídico da Fifa, Marco Villiger, e o ex-presidente do comitê de auditoria, Domenico Scala, de perseguição judicial maliciosa e tráfico de influência.

Há, ainda, uma ação civil contra a Fifa na qual Platini busca compensação financeira integral pelo prejuízo causado nesses últimos 10 anos pelas “manobras” para impedir sua eleição para presidente da entidade. Atualmente ele se considera “velho” para voltar ao futebol, mas não deixará de lutar para derrubar Infantino.

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