Ibovespa pode iniciar sessão em baixa; falha técnica na B3 adia abertura do mercado

Publicado em

Ainda não há previsão de início regular dos negócios.

Por Agência Estado

A queda das bolsas em Nova York, pode pesar na abertura do Ibovespa, que ainda não iniciou a sessão desta sexta-feira, 31. Em meio a problemas técnicos, a B3 informou que abertura das negociações de vários serviços foi adiada nesta manhã, entre eles o pregão de ações, em decorrência de problemas técnicos ontem no processamento do pós-mercado, o que está trazendo atrasos no início das negociações.

Ainda não há previsão de início regular dos negócios. Leilões de abertura de ações foram postergados para depois do meio-dia.

Operadores dizem se tratar de um aviso sem precedentes, pois todo o sistema de renda variável está fora do ar. “Já vi dar problemas no final do dia, mas que não afetou a liquidação”, disse um especialista em renda variável que pede anonimato.

“Não lembro de ter dado problema nesse nível. Já vi o futuro abrir meia hora depois. Mas isso, de hoje, é novidade. Gera estresse, pois muda a rotina operacional dos operadores”, afirmou à Broadcast, Rubens Cittadin, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.

A postergação é negativa, porque a etapa de liquidação é extremamente importante para as operações, mas não deve haver impacto financeiro aos clientes da Bolsa brasileira. A avaliação é de Bruno Takeo, estrategista da S4Consultoria de Investimentos.

Entre os possíveis fatores para um eventual viés de baixa no início do último pregão de julho do Ibovespa está a queda do minério de ferro e incertezas com a Vale após a divulgação do balanço do segundo trimestre. Além disso, a retomada da alta do petróleo realimenta preocupações inflacionárias e com juros elevados no mundo por mais tempo.

Há relatos de que o Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC, na sigla em inglês) cogita suspender, por tempo indeterminado, as operações de óleo e o tráfego de navios-tanque até receber garantias de segurança de outros países.

Em dia de agenda esvaziada de indicadores, ficam no radar balanços e notícias corporativas. A Vale, por exemplo, teve lucro líquido atribuível de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre deste ano, recuo de 35% ante igual período de 2025. Na comparação trimestral, a companhia teve lucro 27% menor.

Já o Santander anunciou uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar o restante das ações em circulação da sua unidade brasileira, oferecendo um prêmio de 15%. A decisão, na visão do consenso dos analistas ouvidos pela Broadcast, vem na esteira do fraco desempenho do segundo trimestre, reportado na quarta-feira.

Ainda sobre o adiamento da abertura de vários serviços na B3 hoje, Cittadini diz que outra questão é quanto a uma eventual ampliação do debate de entrada de novas bolsas no Brasil. “Abre brecha por competição. Afeta a credibilidade”, afirma. “Imagine uma empresa que não entrega o seu ‘core’ conforme o esperado. Desencadeia uma série de pensamentos que não se tem em dias de horários normais. O investidor conservador pode até não querer ir para a Bolsa.”

Devido à postergação no horário de abertura, as posições de clientes e bancos, inclusive as posições compradas, estão desatualizadas, enquanto não houve ainda liquidação de ações no mercado à vista da B3, que ocorre em D+2. “Está meio caótico”, afirma Cittadin.

O alongamento do início das negociações pode gerar debates quanto ao grau de confiança dos agentes na B3 e reduzir o fluxo financeiro da instituição, mas não de clientes, conforme Cittadin. Paralelamente, diz que o evento pode diminuir a receita da Bolsa brasileira.

“O único ponto é: se houver impacto financeiro, seria para quem só consegue operar em determinado horário, no caso, nesta manhã”, afirma o especialista da Manchester.

Conforme Takeo, da S4 Consultoria, se as alterações de horário se tornarem frequentes, pode ser desfavorável para a B3, de forma a contaminar a sua credibilidade. “Está longe disso, por enquanto.”

Ontem, o Ibovespa encerrou em alta de 1,88%, aos 177.158,86 pontos, na máxima intradia, acumulando valorização de 2,98% em julho, depois de quatro meses de queda. Na semana, o avanço é de 1,79%.

X