Emerson Fittipaldi avalia filho na F-2 e prevê neto na Indy em 2027: 'Grande chance'

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Emmo corre na F-2 pela AIX Racing, time que nunca passou do nono lugar no campeonato de equipes, e deu um salto muito grande na categoria de base, o que o trouxe um desafio na adaptação.

Por Agência Estado

A família Fittipaldi está na ‘porta’ tanto da Fórmula 1 quanto da Indy, que representam a maior categoria mundial e dos Estados Unidos, respectivamente. Em uma delas está Emmo, filho de Emerson, e na outra, Enzo, neto do bicampeão. Eles vivem realidades diferentes, mas a lenda do automobilismo vê o mesmo futuro empolgante para os dois.

Emmo corre na F-2 pela AIX Racing, time que nunca passou do nono lugar no campeonato de equipes, e deu um salto muito grande na categoria de base, o que o trouxe um desafio na adaptação. Enzo, por sua vez, é o vice-líder da Indy NXT, a última divisão antes do torneio americano, com o qual Emerson já tem certa história.

Em entrevista ao Estadão, Fittipaldi relembrou os primeiros passos de seu filho na F-4 Dinamarquesa, categoria pouco visada aos pilotos que saem do kart para começarem nos fórmulas. O motivo disso foi a idade. “Era o único país no mundo em que dava para competir com 14 anos”, conta. A estreia em monopostos foi em 2021.

Para Emerson, ver Emmo por lá o trouxe certa nostalgia, já que, sendo um campeonato menos consolidado, lembrava competições amadoras, em que todos se ajudavam. “As corridas me lembravam fins de semana na Fórmula Ford que eu competia na Inglaterra. Quando tinha disputa, era disputa, mas sempre um ajudando o outro”, recorda o bicampeão da F-1.

Após o tempo na Dinamarca, o jovem passou pela F-4 Italiana, a maior da divisão em 2022, em que terminou em 23º com quatro pontos; foi para a Fórmula Regional (FRECA) em 2023 e ficou em 24º com quatro e, depois, fez duas temporadas completas na Eurocup-3, cujo melhor resultado foi o quinto lugar na edição de 2022, que conquistou quatro pódios e fez 142 pontos.

O caminho mais comum no atual ‘guarda-chuva’ da Fórmula 1 é atuar na F-3 depois da FRECA, mas Emmo foi direto para a F-2, movimento parecido com o do também brasileiro Gianluca Petecof em 2021. No caso do paulista, foi uma maneira de ‘sobrevivência’ pelo pouco aporte financeiro que tinha; já os Fittipaldis enxergaram oportunidade de uma evolução mais rápida.

“Preferimos que ele tivesse já essa experiência”, explica Fittipaldi, que considera a classificação como o aspecto mais difícil de adaptação. “Normalmente, você tem só duas voltas: uma rápida com o primeiro pneu e uma rápida com o segundo. E ele anda muito pouco na sexta de manhã”.

Emmo pontuou pela primeira vez na corrida sprint do GP do Canadá, em que terminou na quinta posição, e marcou um sétimo lugar na prova principal do GP de Mônaco. Performances essas que agradaram a Emerson.

“Ele teve em Montreal, na minha opinião, a melhor performance junto a Mônaco”, avalia a lenda do automobilismo. “Ele nunca tinha corrida em Mônaco e é uma pista muito difícil, que você não pode errar. E ele fez várias vezes a volta mais rápida, sem errar nada”.

‘GRANDE CHANCE’ DE UM FITTIPALDI NA INDY EM 2027, COM ENZO
Outro representante do ‘clã’ Fittipaldi em evidência no automobilismo é Enzo, que já esteve nas categorias de base da Fórmula 1 e, hoje, é um dos mais promissores da Indy, o maior campeonato americano de monopostos.

Aos 25 anos, o piloto é o segundo colocado na Indy NXT, uma espécie de ‘F-2’ da divisão, em seu ano de estreia, competindo pela HMD Motorsports. Apenas um ponto o separa do líder, Nikita Johnson (450 a 451), que só o ultrapassou na tabela na última etapa, em Nashville.

“Ele anda muito bem e tem muita experiência. Nem tenho o direito de fazer especulações, mas acho que tem grande chance de estar na Indy, com certeza”.

EMERSON FITTIPALDI SOBRE SEU NETO, ENZO, NA INDY NXT
Enzo dominou e foi campeão da F4 Italiana em 2018, terceiro colocado na F4 Alemã no mesmo ano, vice-campeão da Fórmula Regional em 2019 e venceu duas corridas na Fórmula 2 de 2021 a 2024. Seu empresário, Pedro Boesel, chegou a dizer ao portal Motorsport.com que ele esteve próximo de correr pela AlphaTauri (hoje RB) na F1.

Com o desempenho na base americana, o brasileiro já é cotado em algumas equipes da Indy. Emerson, segundo ele mesmo, “nem tem direito” de fazer especulações, mas o vê como sério candidato no grid do próximo ano.

“Eu estou muito feliz que ele anda muito bem e tem muita experiência. Acho que tem grande chance de ele estar na Indy ano que vem sim, com certeza”, afirma.

Consagrado pelos seus dois títulos na F1, Emerson também tem muita história com o automobilismo americano, já que correu 13 anos na CART, campeonato que rivalizava com a Indy nos anos 1980 e 1990. E foi até campeão por lá, em 1989.

Segundo ele, seus descendentes já começaram a pegar gosto pelas divisões dos Estados Unidos, até mesmo Emmo, que compete na Europa. “Eu estive em GoodWood, em que comemoraram a independência, e guiei carros fantásticos. Um deles o Nascar de Darrell Waltrip, da coleção do Zak Brown (diretor executivo da McLaren). Fiquei impressionando e chamei o Emmo”.

“Ele respondeu: Imagina pai, esse carro da Nascar? E quando subiu a primeira vez, guiou em três dias seguidos e falou que foi o carro que ele melhor pilotou lá. Quando sentou no Nascar do Waltrip, ficou louco”, conta. “O automobilismo americano é muito bacana”, conclui Emerson.

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