Caminhoneiro é condenado a quase 9 anos por acidente com duas mortes na BR-277

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Foto: PRF

Por Redação CGN

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A Justiça de Cascavel condenou o motorista de caminhão Mauro Nichele dos Santos a 8 anos, 11 meses e 15 dias de prisão em regime fechado por causar a morte de duas mulheres e ferir outras duas pessoas em um grave acidente na BR-277, em Santa Tereza do Oeste. A CGN teve acesso à sentença, proferida pela juíza Raquel Fratantonio Perini, da 1ª Vara Criminal de Cascavel.

O acidente aconteceu por volta das 19h do dia 16 de maio de 2025, no km 607,3 da rodovia. Mauro dirigia um caminhão-trator quando invadiu a pista contrária, atingiu de raspão um ônibus e, em seguida, colidiu de frente contra um Fiat Siena que vinha logo atrás do coletivo.

No carro atingido estavam quatro pessoas, todas colegas de trabalho que voltavam de um dia de vendas porta a porta para Cascavel. Simone Tavares Rodrigues e Aline Keli de Souza morreram no local. Os outros dois ocupantes do carro ficaram gravemente feridos.

O que a sentença mostra sobre a embriaguez do motorista

Segundo a sentença, Mauro admitiu, em depoimento, que havia bebido uma dose de cachaça e duas cervejas em um posto de combustível antes de retomar a direção do caminhão. A médica que atendeu a ocorrência no local relatou sentir forte cheiro de álcool no motorista e afirmou que ele próprio confirmou ter ingerido bebida alcoólica.

O laudo pericial da Polícia Científica concluiu que o fator determinante do acidente foi a invasão da pista contrária pelo caminhão conduzido por Mauro. A perícia também descartou a hipótese de que algum fator externo, como problema na sinalização ou na pista, tenha contribuído para a tragédia.

A juíza destacou ainda que Mauro já havia sido condenado anteriormente por embriaguez ao volante, em processo de 2016, o que caracterizou reincidência no crime.

Os relatos das vítimas

Os depoimentos das vítimas e de familiares tiveram peso importante na sentença. Uma das sobreviventes contou à Justiça que ficou presa nas ferragens do carro e precisou ser retirada por bombeiros. Ela passou por duas cirurgias no braço, ficou sete dias internada e três meses afastada do trabalho. Segundo ela, até hoje sente dores, tem cicatrizes que não vão se regenerar e sente medo sempre que vê o farol de um caminhão à noite.

Um dos sobreviventes perdeu a esposa, Aline, no acidente. Ele contou que ela morreu ainda no carro, com ferimentos graves na cabeça e na bacia. Segundo ele, o maior dano que sofreu foi psicológico: até hoje não consegue voltar a trabalhar na mesma profissão e sente dificuldade de entrar em casa e ver os móveis que planejou comprar ao lado da esposa.

Outro sobrevivente também perdeu a esposa, Simone, no acidente. Ele relatou à Justiça que a família da vítima sofreu muito com a perda, já que ela deixou três filhos adultos. Segundo ele, hoje “está vivendo apenas para viver”.

A defesa do motorista

Em depoimento, Mauro Nichele dos Santos pediu perdão às vítimas e disse não ter tido intenção de matar ninguém. Ele relatou histórico de alcoolismo desde os 14 anos e afirmou ter passado por um período de internação voluntária para tratamento, em 2022, mas voltou a beber depois de receber alta.

A defesa, feita pela Defensoria Pública, não contestou os fatos, mas fez ponderações sobre o cálculo da pena durante o julgamento.

Como ficou a pena

Na sentença, a juíza considerou o caso como concurso formal de crimes, já que uma única conduta do motorista resultou em quatro vítimas — duas mortes e duas lesões corporais. Isso levou ao aumento da pena prevista em lei.

Além da prisão em regime fechado, Mauro teve a habilitação suspensa por 5 anos e foi condenado a pagar indenização por danos morais: R$ 10 mil para os sucessores de cada vítima que morreu e R$ 5 mil para cada vítima sobrevivente. Ele responde ao processo em liberdade, com uso de monitoramento eletrônico, e tem direito a recorrer da decisão.

Cabe destacar que a condenação foi proferida em primeira instância. A defesa de Mauro já recorreu da decisão, e a Justiça recebeu o recurso no dia 23 de julho de 2026. Agora, a Defensoria Pública tem prazo para apresentar as razões do recurso, o Ministério Público apresenta contrarrazões e, depois, o processo segue para análise do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), que pode manter, reduzir ou anular a condenação.

A CGN mantém o espaço aberto para manifestação de Mauro Nichele dos Santos e de sua defesa, caso queiram apresentar esclarecimentos adicionais sobre o caso.

Resumo do que aconteceu

O que aconteceu no acidente da BR-277 em Santa Tereza do Oeste?
R: Na noite de 16 de maio de 2025, um caminhão invadiu a pista contrária na BR-277, em Santa Tereza do Oeste, Paraná, colidindo de raspão com um ônibus e, em seguida, batendo de frente com um Fiat Siena. O acidente resultou na morte de duas mulheres e deixou outras duas pessoas gravemente feridas.
Quem são as vítimas fatais e feridos do acidente?
R: As vítimas fatais foram Simone Tavares Rodrigues, de 48 anos, diretora da Federação de Boxe de Mato Grosso do Sul, e Aline Keli de Souza. Outras duas pessoas que estavam no Fiat Siena ficaram gravemente feridas. Os ocupantes do caminhão tiveram ferimentos leves e nenhum passageiro do ônibus se feriu gravemente.
Como o acidente ocorreu segundo a investigação?
R: O caminhoneiro Mauro Nichele dos Santos perdeu o controle do caminhão, invadiu a pista contrária, atingiu de raspão um ônibus e colidiu frontalmente com o Fiat Siena que vinha atrás do coletivo. O laudo pericial apontou que a invasão da pista contrária pelo caminhão foi o fator determinante do acidente, descartando problemas na sinalização ou na pista.
O motorista do caminhão estava sob efeito de álcool?
R: Sim. Mauro Nichele dos Santos admitiu ter ingerido uma dose de cachaça e duas cervejas antes de dirigir. A médica que o atendeu relatou forte cheiro de álcool e o próprio motorista confirmou o consumo. Não foi possível realizar o teste do etilômetro devido às condições físicas dele, mas o estado de embriaguez foi atestado.
Quem era Simone Tavares Rodrigues e qual foi a repercussão de sua morte?
R: Simone Tavares Rodrigues tinha 48 anos e era diretora da Federação de Boxe de Mato Grosso do Sul desde 2014, atuando no setor administrativo e como ouvidora. Sua morte gerou grande comoção entre amigos, familiares e a comunidade esportiva, que prestaram diversas homenagens ressaltando sua alegria, lealdade e dedicação.
O que disseram os sobreviventes do acidente?
R: Uma das sobreviventes relatou que ficou presa nas ferragens, passou por cirurgias e ainda sente dores e traumas psicológicos. Um dos sobreviventes perdeu a esposa, Aline, e afirmou que não consegue voltar a trabalhar na mesma profissão, sofrendo grande abalo emocional. O outro sobrevivente também perdeu a esposa, Simone, e destacou o sofrimento da família dela.
Qual foi a condenação do caminhoneiro Mauro Nichele dos Santos?
R: Em 29 de julho de 2026, Mauro Nichele dos Santos foi condenado pela Justiça de Cascavel a 8 anos, 11 meses e 15 dias de prisão em regime fechado, além de ter a habilitação suspensa por 5 anos e ser condenado ao pagamento de indenização por danos morais às vítimas e familiares.
Por que a pena de Mauro foi agravada?
R: A juíza considerou o concurso formal de crimes, pois uma única conduta resultou em duas mortes e duas lesões corporais graves. Além disso, Mauro já tinha condenação anterior por embriaguez ao volante, o que caracterizou reincidência.
Mauro já havia cometido crimes semelhantes antes?
R: Sim. Mauro Nichele dos Santos já havia sido condenado por embriaguez ao volante em 2016, o que foi considerado como reincidência no novo julgamento.
O que diz a defesa do motorista sobre o caso?
R: Mauro pediu perdão às vítimas, alegou não ter tido intenção de matar e relatou histórico de alcoolismo desde a adolescência. A Defensoria Pública não contestou os fatos, mas fez ponderações sobre o cálculo da pena durante o julgamento.
O motorista está preso atualmente?
R: Apesar da condenação em regime fechado, Mauro responde ao processo em liberdade, utilizando monitoramento eletrônico, e tem direito de recorrer da decisão.
Houve recurso contra a sentença?
R: Sim. A defesa de Mauro recorreu da decisão e o recurso foi recebido pela Justiça em 23 de julho de 2026. O processo segue para análise do Tribunal de Justiça do Paraná, que pode manter, reduzir ou anular a condenação.
Quais valores foram definidos para indenização às vítimas?
R: Mauro foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais aos sucessores de cada vítima fatal e R$ 5 mil para cada vítima sobrevivente.
Qual a importância do caso para a sociedade?
R: O caso destaca as graves consequências da combinação de álcool e direção, reforça a necessidade de fiscalização e punição rigorosa para motoristas reincidentes e teve grande repercussão devido à morte de figuras conhecidas e ao sofrimento das famílias envolvidas.
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