Acidente VoePass: Relatório final detalha sequência de falhas em condições de gelo
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Por Fábio Wronski
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O relatório oficial sobre o acidente com avião ATR 72 em Vinhedo, interior de São Paulo, detalha a sequência de eventos que levou à queda da aeronave Passaredo 2283 em 9 de agosto de 2024, que saiu de Cascavel. O documento, baseado em dados dos gravadores de voo (FDR e CVR) e investigações da Comissão, revela que falhas no sistema de degelo, agravadas por condições meteorológicas severas, foram determinantes para a tragédia.
A aeronave ATR 72-212A decolou de Cascavel (SBCA) às 14h58 (UTC), transportando 58 passageiros e 4 tripulantes. Durante o voo, múltiplos alertas foram emitidos pelo sistema de detecção de gelo, exigindo a ativação recorrente dos sistemas Anti-Icing e De-Icing. Por volta das 16h21, após sucessivos alarmes de desempenho degradado e velocidade abaixo do recomendado, a aeronave perdeu o controle, entrou em stall e caiu em um condomínio residencial de Vinhedo, a cerca de 38 milhas náuticas do destino (Guarulhos).
O relatório destaca que, apesar da experiência dos pilotos — ambos com mais de 5 mil horas de voo e treinados para emergências em condições de gelo —, a aeronave enfrentou formação de gelo severa, conforme alertas meteorológicos (SIGMET) emitidos para a região. O ATR 72 estava com uma das unidades de climatização (Pack 1) inoperante, condição permitida pela lista de equipamentos mínimos, mas que limitava o voo ao FL170.
Durante o voo, o sistema de degelo apresentou falhas intermitentes, obrigando a tripulação a desligar e religar o equipamento em diversas ocasiões. Alertas como “CRUISE SPEED LOW”, “DEGRADED PERFORMANCE” e “INCREASE SPEED” foram acionados, indicando acúmulo de gelo e perda de desempenho. O manual da aeronave previa procedimentos rigorosos para essas situações, incluindo aumento de velocidade, descida imediata e notificação ao controle de tráfego aéreo, mas a rápida evolução do quadro impossibilitou a recuperação.
A queda ocorreu em atitude anormal de voo, com a aeronave entrando em parafuso chato antes do impacto. Os destroços foram encontrados concentrados, sem sinais de separação estrutural em voo, e grande parte da fuselagem foi consumida por fogo pós-impacto. Não houve declaração de emergência pelos pilotos.
O relatório também detalha os sistemas de proteção contra gelo do ATR 72-212A, os procedimentos previstos para condições de gelo severo, registros de manutenção, condições meteorológicas e transcrições de comunicações entre tripulação e controle. A análise reforça a importância do cumprimento rigoroso dos procedimentos em voos sob condições adversas e da manutenção adequada dos sistemas críticos de proteção contra gelo.
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