Ciro indica que PP não comporá chapa de Flávio nem será oposição ao próximo governo eleito

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O dirigente também tem dito a aliados que não deve ser oposição ao Palácio do Planalto a partir de 2027, independentemente de quem vença as eleições de outubro, e que Lula parece hoje mais perto da vitória do que Flávio.

Por Agência Estado

O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), indicou a aliados que o partido vai adotar neutralidade na eleição nacional. A decisão fragiliza o pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fica mais isolado na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O dirigente também tem dito a aliados que não deve ser oposição ao Palácio do Planalto a partir de 2027, independentemente de quem vença as eleições de outubro, e que Lula parece hoje mais perto da vitória do que Flávio.

A neutralidade na eleição é uma posição consensuada no partido para permitir que os Estados fiquem livres para apoiarem quem quiserem localmente, ampliando a bancada de deputados federais eleitos pela Federação União-PP, segundo interlocutores de Ciro.

Na prática, isso significa que o PP não vai apoiar o filho mais velho do ex-presidente na disputa pelo Palácio do Planalto. Ciro foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, responsável por sua articulação política.

A equipe de Flávio apostava na coligação com União-PP a nível nacional para ganhar maior tempo de propaganda na TV e no rádio, uma vez que as cotas são divididas de acordo com o tamanho das bancadas dos partidos na aliança dos candidatos. O PT de Lula terá consigo PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.

Procurados pelo Estadão, tanto Ciro quanto o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, negam que a negativa tenha sido dada na reunião que o dirigente do PP teve com Flávio em Brasília nesta quarta-feira, 22.

A decisão de não tomar lado na disputa presidencial é uma demanda das lideranças regionais, uma vez que o PP recebe votos da esquerda em Estados do Nordeste e da direita no Sul e Sudeste. Em Estados como Piauí, Pernambuco e Paraíba, por exemplo, estar associado a Flávio Bolsonaro pode prejudicar a campanha eleitoral de diversos candidatos.

Há Estados, entretanto, em que PP e PL estarão no mesmo palanque, como é o caso de Mato Grosso do Sul (com o governador Eduardo Riedel no PP e os dois candidatos ao Senado pelo PL) e São Paulo (onde PP e PL farão dobradinha ao Senado, apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos).

Em outros Estados, há disposição para caminharem juntos, mas a conjuntura tem prejudicado alianças: No Rio de Janeiro, o PP retirou a vice do candidato bolsonarista ao governo, Douglas Ruas; e em Santa Catarina a chegada de Carlos Bolsonaro (PL) e a permanência de Caroline de Toni (PL) na chapa afugentaram um aliado leal da aliança, o senador Esperidião Amin.

Além de facilitar os palanques estaduais, outra motivação para a neutralidade foi o incômodo de Ciro com a falta de uma defesa pública de Flávio ao presidente do PP durante a fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que teve o senador como alvo, em maio.

A aliados, o presidente do PP lembra que até Lula se manifestou sobre o assunto. “A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes”, disse o petista na ocasião.

Flávio, por sua vez, tentou se afastar de Ciro. “Olha, vocês querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”, afirmou em maio.

Interlocutores do senador afirmam que Ciro ficou magoado com o episódio. Além disso, a decisão tem um componente pragmático. Na disputa por uma das duas vagas ao Senado no Piauí, o presidente do PP aparece empatado com o deputado Júlio César (PSD) – o senador Marcelo Castro (MDB) surge em primeiro.

Já a intenção de não fazer oposição ao próximo governo, seja ele do PT ou do PL, foi vista como uma tentativa de angariar apoio da esquerda num Estado que vota majoritariamente com Lula.

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