‘Paciência’: mães denunciam meses de atraso em remédios para autismo e convulsão

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“Eles falam que está em falta, que tem que ter paciência para esperar vir.

Por Luiz Haab

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A Elisabete Morelatto é mãe do Maike, de 30 anos, diagnosticado com autismo nível três de suporte, além de deficiência intelectual. Entre as medicações que ele usa, duas estão em falta há meses na 10ª Regional de Saúde de Cascavel: o Topiramato de 100 mg, usado para controlar convulsões, e o Clobazam, comercialmente chamado de Urbanil, ansiolítico que ajuda a controlar as crises nervosas.

“Eles falam que está em falta, que tem que ter paciência para esperar vir. Já faz bastante tempo, desde o começo do ano. É complicado”, conta a dona de casa.

A falta dos mesmos medicamentos foi publicada na segunda-feira (13) pela CGN, que mostrou o caso da Bruna e do filho Arthur, de dez anos.

“Dizem que está em falta e que é para mandar mensagem. Por exemplo, eu mando mensagem essa semana, eles respondem que não tem e que é para me mandar na próxima semana novamente”, disse a Bruna.

Nesta terça-feira (14), outras mães enviaram vídeos à redação descrevendo o problema.

A dona Eronice do Prado mora no distrito de Juvinópolis e é mãe do Adriano, de 27 anos. A única fonte de renda é um salário mínimo do Governo, por meio do BPC, o Benefício de Prestação Continuada.

“Tem bem quatro meses que está em falta. Daí a gente pede ajuda, né, pra poder ele tomar esse remédio, que a gente não pode comprar”, descreve.

A Sandra Aparecida Arvelino mora no distrito de São João do Oeste e é mãe do Davi, de dez anos.

“A gente vai lá pegar as medicações e nunca tem as medicações das crianças. O meu menino tem paralisia cerebral, crise convulsiva e cada vez que vamos atrás da medicação, nunca tem. E isso torna caro, porque nós estamos comprando de mês a mês essa medicação. E eles não podem ficar sem, é o direito deles. E nós temos que correr atrás, dar um jeito, lutar daqui, lutar dali, apertar daqui, apertar dali, para conseguir comprar toda essa medicação dele que está faltando”, relata a mãe.

A Gladis Marinho relata a mesma dificuldade para o irmão, João Marlon.

“Há três meses sem resposta. Não sabem falar o que acontece. Estão falando que não estão fabricando por falta da composição que vai na medicação ou dizem que não estando em acordo quanto aos valores para a compra. Quem sofre são as pessoas que necessitam”.

Nós entramos em contato por e-mail para pedir explicações à Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelo envio de medicamentos para a 10ª Regional. Até a publicação desta reportagem, não tivemos retorno.

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