Detentos usam azeite contrabandeado para fazer sabão e limpar celas; conheça o projeto
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Por Luiz Haab
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Milhares de litros de azeite de oliva são apreendidos todos os meses nas fronteiras brasileiras. Trata-se de um produto impróprio para o consumo humano e que ainda poderia se transformar em um problema ambiental.
“Não conhecemos como ele é produzido, não conhecemos a origem. Enfim, ele acaba se tornando um risco sanitário, um risco para a saúde da população“, explica o delegado da Receita Federal de Cascavel, Antônio Carlos de Almeida.
Em Cascavel, esse descarte vira oportunidade de recomeço. “Como é um produto que a gente pode transformá-lo, dar a ele uma outra utilidade, fazer com que ele gere um benefício social e traga mais, inclusive, oportunidades”, acrescenta o delegado.
Foi com essa visão que nasceu uma parceria com a Unioeste, que já utilizava o azeite para a produção de biodiesel. A nova missão colocar 17 detentos da Penitenciária Estadual Thiago Borges de Carvalho para produzirem sabão, tanto em barra quanto líquido.
“Esse projeto foi apresentado aqui para a unidade e, desde o início, a conversa foi bem positiva, com muito interesse da unidade em participar. A unidade se mostra bastante favorável a tudo que vem acontecendo aqui junto às entidades parceiras”, revela o diretor em exercício da PETBC, Vitor Colombeli.
Tanto o sabão em barra quanto o líquido poderão ser utilizados pelos detentos nas unidades prisionais, em escolas públicas, instituições parceiras, na prefeitura e na própria universidade.
“A grande ideia do projeto é que ele tem uma pegada social de formação dos apenados, como também a própria questão de utilização e reutilização daquilo que viraria lixo ou um impacto muito maior que é a contaminação de rios e do solo. Então, a partir do momento em que a gente aproveita esse material, nós estamos contribuindo com o meio ambiente e também reaproveitando isso de outras formas para ele se tornar um material utilizável”, explica o professor Valdecir Soligo, que coordena o programa a “Educar para o Futuro”.
A penitenciária oferece a estrutura. A universidade entra com o conhecimento técnico. O Conselho da Comunidade coordena a formação. A Receita Federal fornece a matéria-prima. “A Polícia Penal entra com a mão de obra e o maquinário para que seja feita então a produção de sabão”, diz o Thiago Correia, coordenador da 8ª Região da Polícia Penal.
E o resultado dessa união tem potencial para beneficiar milhares de pessoas. Uma solução simples. Mas que gera economia, reduz desperdícios e amplia os benefícios sociais.
Mas para que a iniciativa cresça, ainda são necessários parceiros, que podem ser empresas, entidades ou outros apoiadores.
“Além do azeite apreendido,, a fabricação depende de insumos como álcool,, soda cáustica,, embalagens e materiais de apoio. Recentemente, uma doação de álcool etanol. Qualquer instituição interessada em contribuir pode fazer parte dessa transformação, finaliza o professor Valdecir Soligo.