Lula defende acordo do Mercosul com China durante Cúpula do bloco
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Por CGN
“O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nesta cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, disse.
A cúpula do Mercosul desta semana reuniu os chefes de Estados do Chile, Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia, e marca o fim da presidência do Paraguai no bloco e o início da presidência do Uruguai pelos próximos seis meses.
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Antes da sua fala, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem aos mortos pelos terremotos na Venezuela. Em seguida, defendeu a importância econômica e política dos 35 anos do Mercosul em meio a um mundo cada vez mais protecionista, com mais guerras e aumento das ações unilaterais.
Lula lembrou que, entre 1991 e 2025, o comércio intrabloco cresceu de US$ 4,5 bilhões para US$ 50 bilhões, com as exportações crescendo 6% só em 2025, alcançando US$ 770 bilhões.
“O Mercosul permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada. O projeto de integração sul-americano deve estar acima de qualquer divergência ideológica. A melhor opção é fortalecer nossos mecanismos de diálogo e cooperação e ampliar nossa capacidade de atuação conjunta”, disse o presidente.
A única ausência na cúpula do Mercosul, entre os estados membros, foi do presidente da Argentina, Javier Milei. Ele cancelou de última hora a viagem à Assunção, em meio a renúncia do chefe de gabinete da Casa Rosada, Manuel Adorni, envolvido em escândalos de corrupção por suposto enriquecimento ilícito.
Fundo do Mercosul
Entre os debates da atual cúpula do Mercosul, está a criação do novo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), em substituição ao atual, considerado insuficiente.
O Brasil anunciou que vai destinar US$ 100 milhões, por ano, ao novo Focem. O mecanismo foi criado em 2004 para reduzir as desigualdades entre os países do bloco sul-americano.
“Estamos prontos para passar ao Focem 2 e aumentar a contribuição brasileira com aporte de US$ 100 milhões anuais ao longo de uma década. Incorporar a Bolívia ao fundo será um passo adicional para reduzir as assimetrias entre blocos”, disse Lula.
O Brasil tem cobrado que a Argentina também aumente a contribuição para o Focem. O Paraguai tem defendido que o Fundo tenha aportes 50% superiores ao Fundo antigo.
Desde sua criação, o Fundo financiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 kms de ferrovias, 750 kms de linhas de transmissão de energia e 100 kms de redes de saneamento básico.
Além do início das negociações com o Japão e o avanço nas negociações comerciais com Canadá, Vietnã e Índia, o Mercosul avançou, nos últimos meses, para reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para ingresso nos países do Mercosul e Estados associados.
O Mercosul
São Estados-membros do Mercosul a Argentina, a Bolívia (em processo de adesão), o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e a Venezuela (suspensa). São Estados associados o Chile, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Panamá, Peru e Suriname.
O Mercosul reúne 73% do território sul-americano, cerca de 65% da população da região e responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul.
Fonte: Agência Brasil