‘Tive 9 parentes desaparecidos’, diz venezuelana que pede ajuda para levar ajuda após terremoto
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Por Luiz Haab
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O amor por quem ficou a quase seis mil quilômetros de distância ocupa todos os espaços da casa de Yosiberica Ramos, enfermeira venezuelana de 42 anos. Em meio à rotina em Cascavel, ela e a família vivem a angústia de acompanhar, do outro lado do continente, as consequências de um terremoto que atingiu regiões próximas a Caraballeda, no norte da Venezuela.
Morando em Cascavel com o marido, quatro filhos e a mãe, Yosiberica conseguiu receber notícias de parte da família que permaneceu no país de origem: sete parentes foram encontrados vivos após o desastre. Outros dois, no entanto, seguem desaparecidos.
“Estão faltando dois: uma prima e o filho dela, de seis anos. O coração está muito triste, muito machucado… mas a gente espera e confia em Deus”, relata emocionada. Segundo ela, um dos jovens da família ainda busca pela mãe e pelo irmão entre os escombros e áreas afetadas.
Ação
A dor compartilhada por venezuelanos que vivem em Cascavel acabou se transformando em mobilização. A comunidade iniciou uma grande campanha de arrecadação de donativos para enviar ajuda às regiões atingidas.
“A mobilização começou pelo amor. A gente viu tudo o que estava acontecendo e sentiu que precisava fazer alguma coisa, mesmo de longe”, explica um dos organizadores da campanha. “A gente queria se sentir útil, porque achava que, estando fora, não podia fazer nada.”
Esperança
No ponto de coleta, o cenário é de solidariedade crescente. Caixas se acumulam com roupas, calçados, água, alimentos, itens de higiene pessoal e limpeza, além de medicamentos básicos sem prescrição. As doações chegam de forma contínua e em grande volume.
É um volume imenso de doações, mas ainda é preciso de mais ajuda. Lá na Venezuela falta quase tudo. Eles precisam de ferramentas, lanternas, alimentos não perecíveis, remédios, ração para animais e leite para as crianças.
Pedido urgente
Entre as demandas mais sensíveis está a falta de mamadeiras para bebês. Segundo relatos, muitas crianças estão sendo alimentadas de forma improvisada, com algodão embebido em leite, diante da escassez de utensílios adequados.
Yosiberica faz um apelo por apoio logístico: a necessidade urgente de transporte para levar os donativos até Curitiba, onde está a sede da associação responsável pela distribuição.
“Estamos precisando urgentemente da colaboração de algum ente governamental para transladar todos esses alimentos até Curitiba”, afirma.
A ONG Irmandade Sem Fronteiras será responsável por receber o material na capital paranaense e organizar o envio da ajuda humanitária até a Venezuela, encerrando o percurso de uma corrente solidária que começou em Cascavel.
“Tudo o que for para ajudar, seja a Venezuela ou qualquer país do mundo, se for feito com amor, vale a pena”, resume um dos voluntários, reforçando o espírito da mobilização.