Em apenas 3 dias calor extremo mata mil pessoas na França

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“Vários recordes mensais e históricos foram quebrados; terça-feira, 23 de junho, foi o dia mais quente já registrado no país, superando o recorde...
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Foto gerada por IA/CGN

Por Isabella Chiaradia

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Em meio à onda de calor extremo na Europa, a França registrou um excedente de cerca de mil mortes em apenas três dias, informou o Ministério da Saúde do país neste domingo (28/6). O número pode ser ainda maior, porque os dados, recolhidos desde a quarta-feira (24/6), ainda não são definitivos.

“Vários recordes mensais e históricos foram quebrados; terça-feira, 23 de junho, foi o dia mais quente já registrado no país, superando o recorde estabelecido em 2003”, informou a pasta.

Na data, o serviço meteorológico francês registrou 44,3ºC em Pissos — marcando o dia mais quente no país desde o início das medições, em 1947.

O ministério contabilizou mais de 1,2 mil mortes por todas as causas em 24 de junho, 1,4 mil em 25 de junho e outras mais de 1,4 mil em 26 de junho. Em abril e maio, essa média diária foi de cerca de 900 a mil mortes por dia.

“Esse aumento tem sido mais acentuado nas regiões sob alerta vermelho nos últimos dias, em particular em Île-de-France, Nouvelle-Aquitaine, Bretanha, Centro-Vale do Loire, Normandia e País do Loire”, afirmou o Ministério da Saúde.

Embora todas as faixas etárias tenham sido afetadas, 85% das mortes foram de pessoas com 65 anos ou mais.

As mortes aumentaram em hospitais, casas de repouso e residências, observou o ministério, acrescentando que, em particular, as mortes em casa dispararam 40%.

“Essa constatação serve como um lembrete da necessidade de medidas de solidariedade para com pessoas que estão isoladas ou vivenciam profunda solidão, inclusive em áreas altamente urbanizadas”, disse.

O ministério ressaltou que os números se baseiam apenas em atestados de óbito eletrônicos e, portanto, não são conclusivos, representando normalmente cerca de 60% da mortalidade nacional, sendo as mortes em casa um ponto cego.

A Parada LGBTQ+ de Paris, que deveria ter ocorrido no sábado, foi adiada por causa das altas temperaturas.

O chefe do clima da ONU, Simon Stiell, afirmou que a onda de calor — agravada por edifícios e infraestrutura inadequados para esse tipo de temperatura — “tem as marcas da crise climática por toda parte”.

“É o preço mais recente a pagar pela poluição de combustíveis fósseis que está aquecendo o nosso planeta. Enquanto a humanidade não parar de queimar enormes quantidades de carvão, petróleo e gás, o calor extremo continuará piorando”, acrescentou.

A vice-diretora do Serviço de Mudança Climática Copernicus da União Europeia, Samantha Burgess, explicou que uma “cúpula de calor” composta por ar retido do norte da África em um sistema de alta pressão de baixa altitude impede a entrada de ar mais frio.

“Embora as cúpulas de calor sejam um fenômeno meteorológico natural, a mudança climática causada pelo homem está tornando as ondas de calor mais severas e mais propensas a atingir temperaturas recordes”, acrescentou.

Fonte: Metrópoles.

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