Em evento drag, Rita von Hunty ataca “capitalismo de plataforma”

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© Álefe Ribeiro/Divulgação

Por CGN

A um público formado majoritariamente por estudantes de ensino médio de Brasília (DF), a aula, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), marcou a abertura do Fest Drag 2026, que tem programação durante o final de semana. Domingo (28) é Dia do Orgulho LGBT. 

Rita von Hunty explicou ao público que o capitalismo de plataforma é caracterizado por rotinas sem direitos, como horários de descanso ou férias.

“O capitalismo de plataforma remonta ao primeiro momento de acumulação do capital. Esses trabalhadores não têm mais jornada ou local de trabalho”, lamentou. 

Ela avaliou que os trabalhadores de aplicativo experimentam uma realidade similar ao feudalismo.

“Eles estão pagando para usar as ferramentas que vão usar para trabalhar, inclusive a internet. Eles estão pagando para trabalhar”. Haveria assim uma nova classe de trabalhadores sem perspectivas.

Redes sociais

 Rita von Hunty alertou também que as redes sociais proporcionam espaços reduzidos de discussão ou reflexão. Por isso, teria diminuído também a capacidade de escutas e discussões adequadas. Para ela, tem sido cultivado mais o ódio do que a conversa.

Ela disse ao público que a rede social é uma empresa com visão de lucro. “Todas as redes sociais já sabem que a forma mais cabal de dar lucro é produzindo afetos irracionais. Quem viraliza com mais facilidade na rede? Afetos irracionais”.

“A gente só vai conseguir sair dessa mais ou menos ileso se a gente voltar a sustentar entre nós os espaços que fomentam debate, aprofundamento, dissenso, conversa e garantias de direitos para as minorias”, disse. 

Jovens devem ser engajados

Em entrevista à Agência Brasil, Rita von Hunt defendeu o engajamento dos jovens para a defesa da democracia. No entanto, ela chama a atenção para o fato de que há fenômenos de violência na juventude, inclusive contra a mulher. “A gente está vendo, por exemplo, uma crescente violência masculina nas gerações mais novas”. 

Por outro lado, ela explica que há esperança em manifestações relacionadas à conscientização sobre os danos da inteligência artificial e das mudanças climáticas.

Outra preocupação manifestada na entrevista é relacionada ao avanço das bets, os sites de apostas esportivas. “Não há nenhum motivo para que as bets operem nesse país da forma que operam”. Para ela, as bets estão atuando para a dilapidação do patrimônio das pessoas e do poder de compra das classes mais baixas. 

Rita disse que é preciso combater todas as formas de opressão, como as visões machistas, misóginas, capacitistas e LGBTfóbicas. “Eu faço isso como drag, entre drags, entre não drags. Hoje a gente fez um evento com estudantes do ensino médio. É a minha semente de vida. O que eu almejo deixar de legado é o combate a esses discursos de destruição”. 

Programação

O evento, realizado pelo Distrito Drag, continua no CCBB Brasília neste final de semana de forma gratuita. Estão previstas apresentações de artistas como Sandra Sá, Majur e Lorena Simpson.

Confira a programação no site do evento.

A programação ainda conta, na programação, com performances de artistas como Dacota Monteiro e Las Bibas. A classificação indicativa é livre é livre.

Fonte: Agência Brasil

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