Homem perde rim para infecção e espera por cirurgia urgente no Paraná
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Por Redação CGN
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Um homem, morador de Corbélia está em casa, com dor, com um rim que parou de funcionar para sempre e outro que pode parar a qualquer momento. Ele precisava de uma cirurgia urgente. A cirurgia não aconteceu. A vaga em hospital de Curitiba foi solicitada em caráter de urgência, mas até esta terça-feira, 23 de junho, ela ainda não havia sido liberada.
Foi a esposa dele quem foi até o Ministério Público pedir ajuda. Ela levou documentos, laudos, encaminhamentos. Contou tudo. E o MP abriu um procedimento formal para tentar garantir o leito que o marido precisa antes que seja tarde demais.
A CGN teve acesso ao documento que motivou a abertura do caso na Promotoria de Justiça de Corbélia, no oeste do Paraná, na última semana.
O começo de tudo
A história começou há mais de um ano, quando o paciente procurou atendimento médico com dores no flanco esquerdo. Um exame identificou múltiplos cálculos renais nos dois rins. O caso foi classificado como de média complexidade. O município adotou as medidas cabíveis, encaminhou o paciente à Regional de Saúde, que providenciou uma consulta com urologista e, depois, uma vaga no Hospital Regional de Guarapuava.
Em dezembro de 2025, ele foi submetido a um procedimento a laser para retirada dos cálculos. Não funcionou. O próprio documento do MP descreve o que aconteceu em seguida: o caso foi reavaliado por outro médico, que constatou que o rim direito havia cessado o funcionamento de forma irreversível — destruído por uma infecção causada pelas pedras que não foram tratadas a tempo.
O rim esquerdo, o único ainda vivo, tinha múltiplos cálculos de grandes dimensões. O laser não servia mais. A única saída era uma cirurgia convencional aberta, de alta complexidade. O médico pediu com urgência a realização do procedimento. A Regional de Saúde solicitou, também em caráter urgente, uma vaga em Curitiba.
A vaga não veio.
O que a esposa contou ao MP
Quem levou o caso ao Ministério Público foi a esposa do paciente. Ela compareceu pessoalmente à Promotoria de Corbélia e apresentou a declaração emitida pela 10ª Regional de Saúde, que confirmava o diagnóstico e a urgência.
No relato que consta no documento acessado pela CGN, ela descreveu a situação do marido com detalhes que revelam o desespero de quem acompanha de perto a deterioração da saúde de alguém sem conseguir avançar no sistema. Ela contou que o marido havia retornado para casa depois da última tentativa cirúrgica e que permanecia com fortes dores. Relatou que a demora na realização do procedimento pode comprometer o único rim ainda em funcionamento. E apontou que o cálculo renal havia causado uma infecção no rim direito — o que o tornou inoperante de forma definitiva.
A preocupação central que ela trouxe ao MP era clara: se o rim esquerdo também falhar, as consequências seriam gravíssimas. O paciente dependeria de diálise para sobreviver — ou de um transplante renal, processo ainda mais longo e incerto.
No documento, consta que ela buscou o Ministério Público para viabilizar a obtenção do leito necessário à realização do procedimento cirúrgico com a urgência que o caso requer.
Uma fila com nome e rosto
O caso do paciente de Corbélia tem nome — mas o que ele representa não é novidade para quem trabalha na saúde pública do Paraná. Procedimentos de alta complexidade dependem de vagas em hospitais de referência, e essas vagas são disputadas por pacientes de todo o estado. A fila existe, é real, e às vezes mata antes de chegar a vez.
O que torna este caso diferente é que todos os passos foram seguidos corretamente. Houve diagnóstico, encaminhamento, tentativa cirúrgica, reavaliação, novo pedido de urgência com respaldo de laudo médico. O sistema funcionou até onde pôde — e travou exatamente no ponto em que o paciente mais precisava que avançasse: a liberação do leito cirúrgico.
Enquanto isso, o paciente está em Corbélia. Em casa. Com dor. Com um rim. E sem data.
O que o MP fez
Com base nos documentos apresentados pela esposa, a Promotoria de Justiça de Corbélia instaurou um procedimento administrativo no último dia 19 de junho — há quatro dias — para acompanhar o caso e tentar viabilizar o leito necessário à cirurgia com a urgência que a situação exige.
O procedimento está em andamento. Até esta terça-feira, 23 de junho, não havia informação pública sobre a liberação da vaga.
Cabe destacar que a abertura do procedimento pelo Ministério Público não significa reconhecimento de falha ou culpa de qualquer órgão, serviço ou profissional de saúde envolvido no atendimento ao paciente. O caso ainda será analisado pelas autoridades. A CGN mantém o espaço aberto para manifestação da 10ª Regional de Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, do Hospital Regional de Guarapuava e de quaisquer outros órgãos ou profissionais envolvidos, caso queiram apresentar esclarecimentos ou informar sobre eventuais providências já adotadas.