Jovem preso pela morte do pai é solto após irmão adolescente confessar crime em Espigão Alto do Iguaçu

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Polícia concluiu que o rapaz de 20 anos não praticou o homicídio; adolescente teria confessado e indicado o local onde estava a arma usada....
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Facão apreendido pela polícia

Por Redação CGN

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Um jovem de 20 anos, foi colocado em liberdade depois de ter sido preso em flagrante como suspeito da morte do próprio pai, em Espigão Alto do Iguaçu, no Paraná.

O caso aconteceu durante a madrugada de terça-feira (16), em uma residência da Vila Rica. Inicialmente, a Polícia Militar entendeu que o jovem poderia ter atacado o pai após uma discussão familiar. No decorrer da investigação, porém, um irmão adolescente teria assumido a autoria e indicado onde estava a arma relacionada ao crime.

Com a mudança no rumo das investigações, a própria Polícia Civil informou à Justiça que não havia elementos para manter a acusação contra o jovem de 20 anos. O juiz José Valdir Haluch Junior, da Vara Criminal de Quedas do Iguaçu, determinou a soltura.

Família estava reunida e consumia bebida alcoólica

A vítima estava em casa com a esposa e os filhos. Um conhecido da família também participava do encontro.

Os documentos apontam que alguns dos envolvidos haviam consumido bebida alcoólica. Em determinado momento, começou uma discussão descrita como acalorada, motivada por divergências relacionadas à religião.

A discussão teria envolvido diretamente o pai e o filho. Conforme os primeiros relatos apresentados aos policiais, a vítima pegou um facão e avançou contra o filho.

O jovem sofreu um ferimento na mão direita, que teria sido provocado durante essa investida.

Primeira versão dizia que vítima caiu sobre o facão

A esposa da vítima relatou inicialmente que o marido teria se desequilibrado durante a confusão e caído sobre o sofá ainda segurando o facão. Nessa queda, ele teria sofrido um corte no pescoço.

De acordo com essa versão, o homem chegou a chamar a esposa e dizer que havia se cortado.

O conhecido que estava na residência apresentou relato semelhante. Ele afirmou que presenciou a discussão e que a vítima teria sofrido o primeiro ferimento durante a briga.

Depois disso, pai e filho teriam entrado em luta corporal e seguido para a área externa da casa. A testemunha disse que tentou separar os dois em diferentes momentos.

A mulher informou que, após o primeiro ferimento, o jovem arrastou o pai para fora da residência. Ela afirmou que não acompanhou o restante da ocorrência.

Vítima foi levada ao hospital na carroceria de uma caminhonete

Após a confusão, familiares colocaram a vítima na carroceria de uma caminhonete e seguiram para o Hospital Municipal de Quedas do Iguaçu.

O homem chegou à unidade de saúde em estado grave. A equipe médica realizou procedimentos de reanimação, mas ele não resistiu.

A médica plantonista acionou a Polícia Militar ao perceber que a vítima apresentava diversos ferimentos provocados por objeto cortante. Além da lesão no pescoço, havia marcas nas costas e na lateral do tórax.

A quantidade e a localização dos ferimentos levantaram dúvidas sobre a versão de que tudo teria ocorrido apenas por causa de uma queda acidental sobre o facão.

Policiais foram até a residência e encontraram o jovem

Depois do atendimento no hospital, a equipe policial foi até a casa onde a discussão havia ocorrido. O imóvel foi fotografado, e os policiais começaram a procurar vestígios que pudessem ajudar a esclarecer a morte.

Durante as diligências, o jovem retornou ao endereço. Ele obedeceu à ordem de abordagem e passou a conversar com os policiais.

O jovem afirmou que ele e o pai estavam embriagados e que a discussão evoluiu para uma agressão. Segundo sua versão, o pai pegou o facão, tentou golpeá-lo e atingiu sua mão direita.

Ele também declarou que o pai caiu sobre o sofá e sofreu um corte no pescoço. Depois, teria tentado retirar o facão e socorrer a vítima.

Apesar da explicação, os policiais deram voz de prisão ao jovem, diante das circunstâncias encontradas no local e dos vários ferimentos identificados no corpo do pai.

Facão foi apreendido pela polícia

A Polícia Militar apreendeu um facão sem marca, com aproximadamente 40 centímetros de lâmina e 12 centímetros de cabo. O objeto foi encaminhado à Delegacia de Quedas do Iguaçu.

Outras facas encontradas no imóvel também foram mencionadas durante a investigação. A delegada responsável solicitou exames para verificar a presença de sangue e possíveis vestígios genéticos nos objetos.

Também foi requisitada uma necropsia para identificar a quantidade, a profundidade e a trajetória dos ferimentos sofridos pela vítima.

Delegada confirmou prisão diante das primeiras provas

Com base nas informações disponíveis durante a madrugada, a delegada responsável pelo flagrante considerou que havia sinais de que a morte não teria sido resultado de um simples acidente.

A autoridade policial destacou que a vítima tinha ferimentos em diferentes partes do corpo, inclusive nas costas, o que seria incompatível com a explicação de uma única queda sobre o facão.

A discussão sobre religião foi tratada inicialmente como possível motivo do crime. A prisão em flagrante foi confirmada, e ele foi recolhido à Cadeia Pública de Quedas do Iguaçu.

Naquele momento, a ocorrência foi registrada como homicídio qualificado praticado contra o próprio pai.

Investigação teve reviravolta após novas oitivas

O cenário começou a mudar com o aprofundamento das diligências e a realização de novos depoimentos.

Conforme as informações apresentadas posteriormente à Justiça, um irmão adolescente do jovem preso. teria admitido envolvimento na morte do pai. O menor também teria fornecido detalhes sobre o ocorrido e indicado o local onde estava a arma relacionada aos ferimentos.

Essas informações teriam sido verificadas pelos investigadores, levando a Polícia Civil a afastar a suspeita inicial contra o jovem de 20 anos.

Como o novo suspeito é adolescente, a apuração passou a ser tratada em um procedimento separado na Vara da Infância e Juventude.

Polícia informou que jovem preso não seria indiciado

Após a confissão atribuída ao adolescente e a checagem dos novos elementos, a Polícia Civil comunicou ao Judiciário que não pretendia indiciar, o jovem que havia sido detido, pelo homicídio.

Na prática, a investigação concluiu que já não existiam provas mínimas para sustentar que o jovem preso havia causado a morte do pai.

A mudança não significa que os policiais agiram sem fundamento no momento do flagrante. Quando ocorreu a prisão, ele estava no local, havia participado da discussão, apresentava uma lesão na mão e era apontado pelas circunstâncias iniciais como possível autor.

Justiça determinou soltura imediata

Ao analisar a atualização encaminhada pela polícia, o juiz José Valdir Haluch Junior entendeu que a prisão não poderia continuar.

O magistrado considerou que os elementos surgidos depois do flagrante retiravam a base que sustentava a acusação inicial.

Foi expedido um alvará de soltura, sem imposição de tornozeleira eletrônica ou de outras medidas cautelares. O jovem deveria ser liberado, desde que não estivesse preso por outro motivo.

A investigação da morte de homem continua. A responsabilidade pelo crime ainda deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pelo procedimento envolvendo o adolescente.

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