Até você, Micheletto? Prefeito diz que perdeu R$ 19,8 mil em golpe bancário

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Prefeito de Assis Chateaubriand aciona o Sicredi após cair em golpe de R$ 19,8 mil...
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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

Atualizado em: 11/06/2026 às 17:19

O prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Henrique Micheletto, que certamente já enfrentou reunião difícil, cobrança política, orçamento apertado e problema de cidade inteira para resolver, agora apareceu em uma situação bem mais doméstica — e bastante brasileira: diz que caiu em um golpe bancário por telefone.

A CGN teve acesso ao processo que tramita no Juizado Especial Cível de Assis Chateaubriand. Na ação, Micheletto afirma que perdeu R$ 19,8 mil após seguir orientações de um homem que teria se passado por agente de segurança do Sicredi.

O golpe veio com “crachá imaginário”

Segundo a ação, tudo começou no dia 30 de outubro de 2025, por volta das 17h. Micheletto recebeu uma ligação de um número com DDD 11. Do outro lado da linha, um homem teria se identificado como “Fernando Telles”, suposto agente de segurança do banco.

A conversa, segundo o documento, seguiu aquele roteiro que já derrubou muita gente: celular clonado, compras suspeitas, transferências indevidas e uma orientação urgente para “cancelar” operações pelo aplicativo.

Só que, conforme a versão apresentada pelo prefeito à Justiça, o tal cancelamento tinha uma característica curiosa: em vez de proteger o dinheiro, fez o dinheiro sair da conta.

É o golpe da falsa segurança. O sujeito liga dizendo que vai salvar a vítima do prejuízo e, quando a pessoa percebe, o prejuízo já saiu com comprovante.

Nem gabinete, nem experiência, nem cargo público blindam contra golpista

Prefeito costuma aparecer em notícia falando de obra, saúde, escola, estrada, licitação, orçamento e promessa de solução. Desta vez, Micheletto aparece no papel de consumidor que diz ter sido enganado por telefone.

E aí está o ponto curioso da história: quem administra uma cidade também pode ser administrado por um golpista com fala treinada, pressa calculada e aparência de atendimento oficial.

Não é uma acusação contra o prefeito. É quase uma cena pronta da vida moderna: o celular toca, alguém fala com segurança demais, cria um incêndio imaginário e oferece o extintor. Só que o extintor vem com chave Pix, transferência e prejuízo.

Transferência foi de R$ 19,8 mil

De acordo com a ação, foi realizada uma transferência de R$ 19.800,00 para uma conta de terceiro. A pessoa que recebeu o valor aparece no processo como “Wallace Freitas da Cruz“.

O documento também menciona uma tentativa de transferência de R$ 9.500,00, que não teria sido concluída.

A defesa de Micheletto sustenta que a operação era suspeita, por envolver valor alto e destinatário sem histórico de relacionamento com o autor. O argumento é que o sistema de segurança da instituição financeira deveria ter identificado a movimentação como fora do padrão.

Em outras palavras: o prefeito diz que caiu no golpe, mas também afirma que o banco deveria ter percebido que havia algo errado antes de o dinheiro passear para outra conta.

Prefeito registrou boletim de ocorrência

Depois do episódio, Micheletto registrou boletim de ocorrência na 48ª Delegacia Regional de Polícia de Assis Chateaubriand. O boletim enquadra o caso como estelionato.

No relato, consta que a ligação partiu de alguém que se apresentou como agente do Sicredi e disse que o telefone do prefeito havia sido clonado. Também consta que as transações teriam sido feitas sem ciência e concordância dele.

A ação afirma ainda que Micheletto procurou o banco e apresentou o boletim de ocorrência, mas não teria conseguido solução administrativa. Sem acordo, o caso foi parar na Justiça.

Pedido chega a R$ 24,8 mil

Na ação, o prefeito pede a devolução dos R$ 19,8 mil. Além disso, solicita indenização por danos morais, sugerida em R$ 5 mil.

A soma chega a R$ 24,8 mil.

A defesa afirma que houve falha na prestação do serviço bancário e pede que o Sicredi seja responsabilizado. A instituição financeira, por sua vez, ainda deve ser ouvida para apresentar sua versão sobre a transação, os mecanismos de segurança usados e eventual contestação das alegações.

O golpe não respeitou o protocolo

A situação tem um lado quase cômico, embora o prejuízo seja real. O golpista, segundo a ação, não precisou de audiência pública, requerimento, ofício ou protocolo. Ligou, convenceu e levou.

Na política, muita coisa demora. Tem processo, carimbo, despacho, assinatura, parecer e reunião. No golpe bancário, pelo visto, a burocracia é mais eficiente: em poucos minutos, o dinheiro muda de endereço.

E talvez seja justamente por isso que o caso renda tanto. Não é apenas sobre Micheletto. É sobre um país em que até quem ocupa cargo de autoridade pode virar personagem de uma história que milhares de pessoas conhecem: a ligação do banco que não era do banco.

O alerta que fica

Apesar do tom curioso, o caso serve como alerta. Golpes de falsa central bancária costumam usar medo e urgência. O criminoso diz que há clonagem, compra suspeita, invasão de conta ou risco imediato de perda de dinheiro. Depois, convence a vítima a seguir instruções no aplicativo.

A orientação básica é simples: recebeu ligação dizendo que há problema na conta? Desligue. Procure o banco por um canal oficial. Não faça transferência, não informe senha, não passe código e não siga “procedimento de cancelamento” por telefone.

No caso de Micheletto, segundo a ação, o falso agente disse que estava protegendo a conta. O resultado, conforme o processo, foi uma transferência de R$ 19,8 mil.

O outro lado

A CGN mantém espaço aberto para manifestação do Sicredi, do prefeito Marcel Micheletto, dos advogados das partes e dos demais citados.

Cabe destacar que a ação judicial apresenta a versão do prefeito e de sua defesa. A existência do processo não significa confirmação de falha do banco, nem culpa de qualquer pessoa citada. O caso ainda será analisado pela Justiça.

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