Justiça mantém preso réu acusado de matar Cleber Veloso em Cascavel
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Por Redação CGN
Atualizado em: 06/06/2026 às 15:24
A Justiça do Paraná manteve a prisão preventiva de Cassio Laerte da Silva Leon, réu acusado de matar Cleber Luis Veloso, de 28 anos, no dia 25 de fevereiro de 2026, na Rua Potiguaras, no Bairro Santo Onofre, em Cascavel.
A decisão foi proferida no processo de liberdade provisória relacionado à ação penal que apura homicídio qualificado. A defesa havia pedido a revogação da prisão preventiva e, de forma subsidiária, a conversão da medida em prisão domiciliar. O Ministério Público se manifestou contra os pedidos, e o juiz Marcelo Carneval, da Vara Plenário do Tribunal do Júri de Cascavel, julgou os requerimentos improcedentes.
O crime teve grande repercussão em Cascavel. Conforme publicado pela CGN na época, Cleber foi morto a tiros no fim da tarde de 25 de fevereiro. As primeiras informações indicavam que ele era motorista de aplicativo e havia se envolvido em uma discussão antes de ser atingido por disparos. Equipes do Siate foram acionadas, mas apenas constataram o óbito no local.
Cleber Luis Veloso foi identificado ainda no dia do crime. A vítima tinha 28 anos e, segundo informações repassadas às equipes no local, foi atingida por pelo menos quatro disparos durante a ocorrência.

O que a Justiça considerou
Na decisão, o magistrado afirmou que não houve fato novo capaz de alterar o cenário que levou à decretação da prisão preventiva. O juiz destacou que, embora ainda não seja o momento de formar juízo definitivo sobre o mérito da acusação, há, segundo o processo, “indicativos sólidos de autoria” e necessidade de manutenção da prisão para resguardar a ordem pública.
A decisão retoma trechos do decreto de prisão preventiva, nos quais consta que a vítima teria ido ao local de trabalho do investigado para questioná-lo sobre agressões supostamente praticadas contra o pai dela. De acordo com o documento judicial, ao chegar ao estabelecimento, Cleber foi atingido por disparos e morreu em seguida.
O juiz também citou imagens de câmeras de segurança mencionadas nos autos. Segundo a decisão, os registros mostrariam o autor dos disparos discutindo com dois homens em uma conveniência, agredindo pessoas com um pedaço de madeira, a chegada da vítima ao estabelecimento, a morte de Cleber e a fuga de Cassio após o crime.
A existência dessas imagens já havia sido noticiada pela CGN. Em uma das publicações, a reportagem mostrou que câmeras registraram uma confusão anterior à morte de Cleber. Segundo informações apuradas na ocasião, o pai da vítima teria sido agredido horas antes, e Cleber foi ao local para entender o que havia acontecido.
Gravidade concreta e fuga foram citadas
Para manter a prisão, o magistrado avaliou que a liberdade do réu poderia comprometer a ordem pública. A decisão menciona a gravidade concreta do crime, o modo como os fatos teriam ocorrido e a conduta atribuída ao acusado durante a dinâmica registrada nas imagens.
O documento afirma ainda que a fuga após o crime e a não localização do acusado naquele primeiro momento reforçaram a necessidade da prisão. Cassio foi preso posteriormente, no dia 20 de março, por equipes da Delegacia de Homicídios de Cascavel, após diligências investigativas.
Na ocasião da prisão, a CGN publicou que o crime teria sido motivado por uma desavença iniciada horas antes, envolvendo familiares da vítima. A reportagem também registrou que, segundo as investigações, Cleber teria ido ao endereço após saber que o pai havia sido atacado.
Pedido de prisão domiciliar também foi negado
Além da liberdade, a defesa pediu que a prisão preventiva fosse convertida em prisão domiciliar. O argumento analisado pela Justiça envolvia a condição de saúde do réu.
O juiz, porém, entendeu que os documentos apresentados não demonstraram os requisitos exigidos para a substituição da prisão preventiva por domiciliar. A decisão cita manifestação do Ministério Público segundo a qual Cassio estaria recebendo acompanhamento médico dentro do sistema prisional, com registros de atendimentos entre 22 de abril e 12 de maio de 2026.
Ainda conforme o documento, o prontuário juntado pela própria defesa indicaria realização de curativos, acompanhamento relacionado a amputação e fornecimento de antibióticos e analgésicos pela unidade de saúde do sistema prisional. Para o magistrado, não ficou comprovado que o réu esteja extremamente debilitado nem que o tratamento não possa ser prestado no estabelecimento onde está custodiado.
Audiência já tem data marcada
Outro ponto destacado na decisão é que a audiência de instrução e julgamento está marcada para julho de 2026. Por isso, o juiz afirmou não haver risco de excesso de prazo capaz de configurar constrangimento ilegal.
Esta decisão não encerra o processo nem representa condenação. Ela apenas mantém a prisão preventiva enquanto a ação penal segue em andamento. A acusação ainda será analisada no curso do processo, com produção de provas, oitivas e possibilidade de manifestação da defesa.
Entenda o caso
Cassio Laerte da Silva Leon é réu em processo relacionado à morte de Cleber Luis Veloso. O caso tramita na Vara do Tribunal do Júri de Cascavel, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Após ser preso, Cassio foi interrogado na Delegacia de Homicídios. Em entrevista coletiva noticiada pela CGN, o delegado Ian Leão afirmou que o interrogatório foi marcado por contradições. Segundo a publicação, o investigado teria alegado que realizou os disparos por acreditar que a vítima segurava uma faca, versão contestada pela investigação, que apontou que Cleber segurava apenas a chave do veículo quando estava caído no local.
A decisão agora reforça que, para a Justiça, permanecem presentes os fundamentos da prisão preventiva. O caso segue em tramitação e deverá avançar com a audiência marcada para julho, quando serão produzidas novas etapas da instrução criminal.
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