Diminuição de apetite por ativos locais com brilho de 'big techs' tira força do real

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Dados mais recentes da B3 mostram que os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,104 bilhões da bolsa doméstica em maio, após ingresso líquido de R...

Por Agência Estado

Sinais de esgotamento da tendência de diversificação global de investimentos que favoreceu ativos emergentes ao longo dos primeiros meses do ano ajudam a explicar o tropeço do real em maio, em meio à maior atratividade das ações das ‘big techs’, afirmam analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Dados mais recentes da B3 mostram que os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,104 bilhões da bolsa doméstica em maio, após ingresso líquido de R$ 3,179 bilhões em abril. Em 2026, o fluxo de capital externo ainda é positivo em R$ 42,44 bilhões. Com a saída do investidor estrangeiro, o Ibovespa amargou perda de 7,22%, embora ainda avance 7,86% no ano.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, destaca que houve uma volta do apetite por ações de tecnologia nos EUA no mês passado, com o anúncio de investimentos pesados por parte das empresas de inteligência artificial. O índice Nasdaq, que concentra as ações das big techs, bateu sucessivos recordes ao longo de maio, acumulando ganhos de mais de 8% no mês.

“Os Estados Unidos voltaram a atrair capitais, o que ajuda a fortalecer o dólar. As bolsas americanas estão nas máximas históricas”, afirma Alves. “Os fluxos para emergentes foram direcionados a países com alguma ligação a setores relacionados à inteligência artificial. O Brasil não é um player nesse sentido. Vimos os fluxos para a bolsa brasileira diminuírem bastante nas últimas semanas.”

O gestor de multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun, observa que o bom desempenho das big techs pode trazer de volta a tese do “excepcionalismo americano”, que reinava antes do início da diversificação global de carteiras, o que reduziria o apelo de ativos emergentes. Esse quadro se soma à postura mais conservadora do Federal Reserve em relação à inflação, em um ambiente de atividade resiliente e impulso fiscal nos EUA.

“São vetores para alta do dólar. A dúvida é como o real vai reagir nos próximos meses caso haja um fortalecimento global da moeda americana e se confirme um quadro desfavorável à oposição na eleição presidencial”, afirma Aun.

Os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, afirmam que o real se beneficiou, em boa parte do ano, de um fluxo “nunca antes visto” para economias emergentes, sobretudo para países distantes do conflito no Oriente Médio e com elevada exposição a commodities. Além disso, havia incertezas em torno dos “valuations” das empresas de tecnologia nos EUA.

“Prospectivamente, acreditamos que um cenário de distensionamento dos conflitos geopolíticos deveria provocar um movimento de ajuste ao fluxo recente, seja pela normalização do preço do petróleo, seja pelo ‘momentum’ positivo para ativos de crescimento e tecnologia”, afirmam os economistas, em relatório.

Para o Bradesco, apesar de o fluxo global de realocação de portfólio ter perdido força, o movimento segue oferecendo suporte ao real. A instituição prevê taxa de câmbio ao redor de R$ 5,00 no fim deste ano e do próximo.

“Uma rápida normalização dos preços do petróleo ou um fluxo de retorno aos EUA por conta dos investimentos em empresas de tecnologia são ameaças de curto prazo à moeda, mas não deveriam alterar o quadro mais estrutural de não fortalecimento do dólar globalmente”, afirma o Bradesco, ressaltando que o Brasil segue no radar dos investidores por ser “exportador líquido de petróleo e pelo diferencial de juros elevado”.

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