Em Cascavel, existe a indústria da multa? Só uma câmera pode te salvar!

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Você já recebeu uma multa e tinha certeza de que não cometeu nenhuma infração? Isso aconteceu com a CGN; veja!...

Por Fábio Wronski

Atualizado em: 02/06/2026 às 20:45

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Andar pelas ruas de Cascavel tem se tornado um exercício diário de paciência. Não bastassem os buracos, a sinalização precária e os problemas crônicos de mobilidade, os motoristas agora convivem com outra preocupação: a sensação de que podem ser autuados por infrações que sequer cometeram.

Há anos circulam relatos sobre a suposta “indústria da multa” instalada na Capital do Oeste. Rotineiramente, internautas procuram a CGN para relatar autuações que consideram injustas e garantem, sem hesitação, que não praticaram as infrações descritas nos autos.

O problema é simples: quando a palavra do cidadão vale menos do que a caneta do agente público, como provar a própria inocência? E, mais importante, como recorrer com chances reais de sucesso?

As dúvidas deixaram de ser exclusividade da população. A própria CGN passou a olhar com desconfiança para alguns autos de infração recebidos na frota e decidiu utilizar equipamentos de monitoramento interno e externo em seus veículos para conferir se determinadas autuações correspondiam, de fato, ao que aconteceu nas ruas.

Nesta terça-feira (02), chegou à redação um auto de infração aplicado na Rua Vinte e Cinco de Agosto, na área militar, em 23/05/2026, às 09h16. A acusação: “dirigir veículo manuseando telefone celular”.

Diante dos questionamentos levantados anteriormente, a equipe verificou as imagens do sistema de monitoramento. O resultado é o vídeo divulgado nesta reportagem.

Nas imagens, é possível observar o colaborador da CGN saindo da Rua da Lapa às 09h12 e acessando a Rua Vinte e Cinco de Agosto à esquerda. O veículo segue pela via apontada na autuação por aproximadamente quatro quadras, até acessar a Rua Santa Catarina, onde está localizada a Delegacia de Polícia Civil, ponto de plantão diário da equipe de reportagem.

Durante todo o trajeto registrado na rua indicada na multa, não há qualquer momento em que o jornalista retire uma das mãos do volante, exceto para realizar as trocas de marcha com a outra. Da mesma forma, não se observa no percurso a presença de viatura identificada da Polícia Militar ou do Pelotão de Choque.

Segundo as normas que regem a fiscalização de trânsito, o agente responsável pela autuação (quando houver) deve atuar devidamente identificado, utilizando uniforme oficial e os equipamentos padronizados da instituição. Quando em serviço embarcado, a viatura também deve estar caracterizada.

A informação recebida inicialmente era de que o militar que aplicou a infração se quer estava de plantão no dia dos fatos.

Diante do caso, a equipe apresentou o vídeo ao oficial responsável pela P5, Seção de Comunicação Social e Relações Públicas do 6º Batalhão da Polícia Militar, unidade à qual pertence o militar que confeccionou o auto de infração.

A CGN realizou os seguintes questionamentos:

  • O policial militar, sem estar fardado, devidamente identificado e sem a visualização da viatura, pode aplicar uma infração de trânsito?
  • Se o policial estiver de folga, ele pode lavrar auto de infração de trânsito ou aplicar multa?
  • O cascavelense que não possui câmera de monitoramento no veículo para comprovar que não cometeu a infração pode recorrer da multa?
  • A fé pública do servidor público se sobrepõe à afirmação de um motorista no momento da análise de um recurso de multa?
  • Em Cascavel, há entre os munícipes a percepção de que existe uma “fábrica de multas”. A orientação do comando é que os policiais saiam às ruas para aplicar o maior número possível de infrações?

O vídeo foi exibido à P5 no meio da manhã, porém, até o fechamento desta matéria, a corporação não havia respondido aos questionamentos.

Para a CGN — e especialmente para o funcionário que recebeu a autuação — o episódio pode ser confrontado com imagens que não mostram qualquer infração de trânsito ocorrendo no trecho apontado pela multa. Mas a realidade da maioria dos cascavelenses é diferente.

Afinal, quantos motoristas possuem câmeras capazes de registrar cada segundo do trajeto? Quantos têm meios para contestar uma autuação quando a única prova disponível é a palavra de quem multou? E quantos acabam pagando multas, acumulando pontos na habilitação e arcando com prejuízos sem conseguir demonstrar que a infração jamais existiu?

Agora resta a pergunta que inevitavelmente surge diante de um caso como este: trata-se de uma situação isolada ou de apenas mais um episódio entre tantos outros relatados diariamente por motoristas da cidade?

Enquanto as respostas não aparecem, cresce entre a população a sensação de que dirigir em Cascavel exige não apenas atenção ao trânsito, mas também uma câmera ligada o tempo todo para se proteger de autuações que talvez nunca devessem ter sido aplicadas.

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