Crédito rural sustentável 2025/26 cai R$ 8,2 bilhões até março

Os pesquisadores Gustavo Lobo e Lauro Vicari, responsáveis pelo levantamento, afirmam que os resultados mostram recuperação em relação ao semestre anterior, mas ainda permanecem abaixo do...

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Por Agência Estado

O crédito rural com potencial de promover ganhos de sustentabilidade na agropecuária somou R$ 46 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, no acumulado dos três primeiros trimestres do Plano Safra 2025/26, queda de quase R$ 8,2 bilhões em relação a igual período da safra anterior, quando o volume alcançou R$ 54,2 bilhões. Os dados são do boletim trimestral Crédito Rural em Jornada de Sustentabilidade, divulgado pela consultoria Agroicone. O montante correspondeu a 22,6% do total desembolsado nas finalidades custeio e investimento no período.

Os pesquisadores Gustavo Lobo e Lauro Vicari, responsáveis pelo levantamento, afirmam que os resultados mostram recuperação em relação ao semestre anterior, mas ainda permanecem abaixo do observado na safra 2024/25. “Ainda assim, os indicadores se mantêm aquém da safra anterior, sugerindo que o aumento do custo do capital decorrente de uma taxa básica de juros elevada (mesmo que apresentando sinais de queda) e o crescimento do endividamento no crédito rural se mostram como fatores prejudiciais para a transição dos sistemas produtivos”, disse Lobo, no boletim.

No crédito total das finalidades custeio e investimento, o volume destinado a investimento recuou de R$ 79,02 bilhões para R$ 64,99 bilhões, queda de 17,7%. “Tal resultado demonstra o possível impacto do cenário macroeconômico nas decisões produtivas no campo, traduzindo-se em menor disposição dos produtores rurais em realizarem intervenções para o melhoramento de suas operações no campo”, afirmou Vicari no estudo. Dentro do recorte com potencial sustentável, a retração também foi proporcionalmente mais intensa no investimento, de 18,4%, do que no custeio, de 12,5%.

Por atividade, a agricultura apresentou queda de 16,2% na contratação de recursos alinhados à jornada de sustentabilidade, enquanto na pecuária o recuo foi de 6,4%. Entre os Estados, os maiores volumes se concentraram no Rio Grande do Sul, com R$ 8,4 bilhões; em Minas Gerais, com R$ 6,9 bilhões; no Paraná, com R$ 4,6 bilhões; em Mato Grosso, com R$ 3,8 bilhões, e em São Paulo, com R$ 3,1 bilhões.

Na abertura por fonte de recurso, os maiores volumes enquadrados na jornada de sustentabilidade vieram de recursos obrigatórios, com R$ 10,4 bilhões, da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada com subvenção econômica, com R$ 10,1 bilhões, e do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), com R$ 4,4 bilhões. Na comparação com igual período da safra anterior, a Agroicone destacou alta de 6.096% na LCA controlada com subvenção econômica, enquanto a LCA a taxa livre recuou 48,5% e o BNDES/Finame equalizável caiu 49,2%.

No Pronaf, o valor contratado nas linhas com finalidade sustentável atingiu R$ 2,3 bilhões nos nove meses da safra 2025/26, acima do R$ 1,9 bilhão observados no mesmo período anterior. Com isso, a participação desse crédito no montante de investimento subiu 1,2 ponto porcentual, para 9,1%. Segundo a Agroicone, o resultado sugere efeito da manutenção das taxas praticadas na safra anterior, o que tornou a agricultura familiar menos afetada. Em sentido oposto, as contratações de subprogramas rotulados, em especial o RenovAgro, perderam espaço, com queda de 0,6 ponto porcentual na participação dentro do crédito de investimento. “Estes resultados indicam que na atual conjuntura esses produtores vêm conduzindo sistemas produtivos menos alinhados à sustentabilidade, o que pode se manifestar como efeito do encarecimento do crédito para este grupo”, pontuou Lobo.

O estudo também chama atenção para a Resolução CMN nº 5.268/2026, que previa a observância do desmatamento após 31 de julho de 2019 e a necessidade de comprovação de legalidade em caso de conversão em imóveis acima de quatro módulos fiscais. Segundo a Agroicone, o Conselho Monetário Nacional adiou a entrada em vigor da medida para janeiro de 2027 no caso de grandes propriedades, junho de 2027 para médias e janeiro de 2028 para pequenos produtores.

Em março de 2026, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima publicou lista com 99.941 imóveis rurais com sobreposição com desmatamento. Segundo o boletim, esse total representa 20% do universo de cadastros acima de quatro módulos fiscais, de 509.423 imóveis, dos quais cerca de 27 mil contrataram crédito rural entre as safras 2018/19 e 2025/26, até março deste ano. “A implementação dessas medidas devem aprimorar os processos de diligência e monitoramento de atributos de sustentabilidade no crédito rural”, afirmou Vicari.

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