Dólar sobe 0,84% e fecha a R$ 5,04 com avanço de taxas dos Treasuries

Ao pano de fundo externo desfavorável ao real somou-se o aumento dos ruídos políticos domésticos, com a desidratação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Primeira pesquisa...

Publicado em

Por Agência Estado

O dólar subiu com força nesta terça-feira, 19, e voltou a superar o nível de R$ 5,00, acompanhando a onda de valorização da moeda norte-americana no exterior. Divisas emergentes sofreram com a escalada das taxas dos Treasuries, em razão do aumento dos temores de recrudescimento inflacionário. A manutenção do petróleo acima da marca de US$ 100, na esteira do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, alimenta apostas em alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-american) neste ano.

Ao pano de fundo externo desfavorável ao real somou-se o aumento dos ruídos políticos domésticos, com a desidratação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Primeira pesquisa eleitoral a captar os efeitos do “Flávio Day 2.0”, levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrou o senador com 41,8% das intenções de voto em simulação de segundo turno, mais de sete pontos porcentuais atrás do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com 48,9%.

O real figurou entre as divisas que mais perderam nesta terça em relação à moeda americana, ao lado do dólar australiano e do won sul-coreano. Operadores lembram que a moeda brasileira tende historicamente a apresentar oscilações mais agudas, o que torna difícil mensurar o impacto dos fatos domésticos sobre a taxa de câmbio em dias desfavoráveis aos emergentes.

Com mínima de R$ 5,0094 e máxima de R$ 5,0580, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,84%, a R$ 5,0405. A moeda norte-americana avança 1,77% frente ao real no mês, após desvalorização de 4,36% em abril. As perdas acumuladas no ano, que chegaram a superar 10% quando a taxa de câmbio ficou abaixo de R$ 4,90, na primeira quinzena de maio, agora são de 8,17%.

“O petróleo até caiu hoje, mas segue em nível bem elevado. A tendência é que não haja espaço para redução dos juros pelo Federal Reserve neste ano. Pode ser até que seja necessária uma alta. Isso pressiona as curvas de juros nos EUA e puxa o dólar para cima em todo o mundo”, afirma o economista-chefe do Group Holding USA, Fabrizio Velloni.

As cotações do petróleo caíram de forma bem modesta, ainda sob impacto do recuo da segunda-feira de Donald Trump da intenção de atacar o Irã. O contrato do Brent fechou em queda de 0,73%, a US$ 111,28 o barril. No estilo “morde e assopra”, Trump disse nesta terça que uma nova ação militar pode ocorrer na próxima semana se não houver um acordo com Teerã.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em leve alta e voltou a superar o nível dos 99,000 pontos, com máxima de 99,434 pontos. As taxas dos Treasuries subiram em bloco, com o yield do papel de 10 anos tocando 4,68% na máxima. Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra chances majoritárias de uma alta de juros pelo Fed neste ano.

“A percepção predominante é de que uma inflação mais resistente reduziu significativamente o espaço para cortes de juros no curto prazo, aumentando inclusive os receios de uma postura mais conservadora do Fed no próximo encontro, sob a nova liderança de Kevin Warsh”, afirma, em nota, o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research.

Em relatório, o BTG Pactual observa que, apesar da depreciação recente, o real é “o principal destaque no acumulado do ano e continua a mostrar desempenho superior desde o início do conflito no Irã, preservando a visão construtiva de médio prazo”. O banco pondera, contudo, que “o ponto-chave é que a assimetria de curto prazo se tornou menos favorável” e que o aumento dos “ruídos domésticos pode amplificar movimentos de correção”.

Após a revelação de que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do banco Master, para uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, surgiu nesta terça a informação de que o pré-candidato fez uma visita a Vorcaro no fim de 2025. A reunião ocorreu após o ex-banqueiro deixar um período de dez dias de detenção. Flávio disse que, ao perceber a gravidade dos fatos envolvendo o Master, foi ao encontro de Vorcaro para colocar “um ponto final” na história do financiamento à produção cinematográfica.

“A candidatura de Flávio perdeu força e o mercado começa a cogitar se vai surgir uma terceira via e se ela teria força para superar o atual governo. A questão fiscal, que estava adormecida, deve voltar ao debate. Vamos ter mais volatilidade no câmbio à medida que as eleições se aproximarem”, afirma Velloni.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X