Oficinas de drones e robôs viram sensação no SPIW nas periferias

Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, os encontros do SPIW ocorrem também dentro dos CEUs, equipamentos públicos que promovem acesso à cultura, educação e...

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Por Agência Estado

O clima é de uma grande festa do conhecimento no CEU Heliópolis neste sábado, 16. Crianças, jovens e adultos se reúnem no Centro Educacional Unificado para participar das palestras, oficinas e ativações de um dos Side Events do São Paulo Innovation Week (SPIW), festival de inovação e empreendedorismo promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.

Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, os encontros do SPIW ocorrem também dentro dos CEUs, equipamentos públicos que promovem acesso à cultura, educação e convivência comunitária. A programação ocorre neste fim de semana, dias 16 e 17, em quatro unidades.

Nas áreas externas do espaço, crianças se divertem e não seguram as gargalhadas enquanto correm atrás do cão robô, imitam passos de dança, tiram fotos e se impressionam com o robô humanoide, sem recato ao participar das atividades e brincadeiras apresentadas pelas oficinas.

“É importante, primeiramente, a gente trazer essa proposta para a periferia, para lugares mais afastados do centro urbano. A periferia produz muita tecnologia social, então é uma honra estar aqui”, destaca André Gustavo, coordenador do projeto Caminhos da Luz, curso de fotografia, animação e light-painting que mescla formação sociocultural, tecnológica e de inclusão digital.

O curso, que incentiva a criatividade em 15 módulos, tem como objetivo, além de abordar os fundamentos e técnicas da fotografia, fazer um intercâmbio entre o artesanal e a inovação. “A proposta pedagógica dessa plataforma é que se tenham 25 aulas em 15 módulos. Conseguimos inscrever 200 alunos e alunas no último período e, dos 50 que se formaram, 25 entregaram trabalhos de conclusão de curso e participaram de uma exposição em andamento no Centro Cultural Olido, no centro da cidade”, celebra André.

No CEU Heliópolis, o grupo traz uma ativação em que o público é convidado a tirar fotos e fazer vídeos dentro de uma câmara escura. “A gente está produzindo as fotos com a linguagem do light-painting. Essas fotos serão disponibilizadas para as pessoas que se inscreveram para participar e o SPIW tem tudo a ver com a nossa proposta. Somos um coletivo que está sempre tentando inovar. Estamos no intercâmbio entre o analógico e o digital.”

Tanto crianças quanto adultos se divertem e se impressionam com o resultado das fotos, mas André reconhece que é um desafio constante fazer com que projetos como este cheguem a zonas periféricas, embora também tenha nascido em uma. “Precisamos de cada vez mais propostas para que a população participe. Necessitamos de uma base mobilizatória. É estar ali, ir até as pessoas, conversar com as lideranças que já ativam a comunidade e fazer uma proposta comum com eles. É dessa forma que a gente consegue ter esse intercâmbio, tanto da periferia para o centro quanto do centro para a periferia.”

O sentimento é compartilhado por Luís Labriola, head de operações e produtos do estúdio multidisciplinar ARKx, responsável pela instalação Tarsila XR. Nela, o público é convidado a entrar no universo visual de Tarsila do Amaral, utilizando óculos de realidade estendida para interagir com obras que, muitas vezes, não estão nem mesmo no Brasil.

“Trouxemos para o CEU uma experiência com o óculos Apple Vision Pro, em que você tem uma imersão em alguns quadros marcantes de Tarsila”, contextualiza. “É uma forma de democratizar um pouco mais o acesso às obras. Temos trazido a tecnologia para ajudar a difundir um pouco mais essa artista espetacular com quem temos o privilégio de trabalhar.”

Para Labriola, a grande diferença de trazer a proposta imersiva para o CEU é a fila de crianças ansiosas para interagir, mas também ver o quanto o brasileiro está, de fato, interessado nas inovações. “Trabalho com tecnologia há anos, já trabalhei em vários países e sempre tem um brasileiro, em qualquer lugar do mundo, trabalhando com tecnologia. Com isso, nós vemos a mudança de vida real que trabalhar com tecnologia traz para as pessoas. O Brasil tem um potencial absurdo e, muitas vezes, o que falta é oportunidade de conhecer, estimular. Para nós, é um privilégio trazer Tarsila XR para cá.”

Quanto às crianças, mesmo com tanta experiência com tecnologia, Labriola se impressiona com a destreza. “A gente tem que ter o cuidado de explicar para eles que é uma experiência que vai envolver algumas coisas motoras, mas é impressionante porque a gente que é mais velho apanha mais”, admite. “Eles aprendem em dois segundos. No São Paulo Innovation Week, estamos habituados a um público mais empresarial, todo mundo é um pouco mais sisudo. Aqui a molecada toda adora, então está sendo realmente um grande privilégio.”

Esta destreza das crianças também é observada por Eliane, fundadora da Giro Experience, que promove oficinas de drones. Ela destaca que, diante de uma tecnologia recente e, muitas vezes, cara, é inspirador ver o interesse dos mais novos.

“Antes de tudo você vê o brilho nos olhos dos meninos que sempre sonharam em ser piloto de avião, em pilotar drones”, conta. “Muitos parecem que já nascem com DNA para isso. A ideia era que a oficina fosse para crianças a partir de 12 anos, mas chegaram meninos de quatro anos que pilotaram melhor que os próprios pais. O brasileiro se vira nos 30 e é muito bom em tudo o que faz. Quando você dá essa oportunidade, então ninguém segura. Só hoje, aqui, três meninos me procuraram falando que querem trabalhar com drones. E é isso o que eu quero. Todo o time que trabalha comigo tem origem periférica. Se conseguirmos levar duas, três crianças daqui, será incrível.”

Para ela, iniciativas como a da SPIW precisam ser comuns. “Precisamos da iniciativa privada junto à iniciativa pública, porque as pessoas querem aprender. A gente vê esse tipo de iniciativa sempre em escolas particulares, é comum. Aqui, infelizmente, não é. Então, com um pouco de boa vontade, podemos fazer isso acontecer.”

Tão disputada quanto a oficina de drones foi a oficina de podcast, promovida pelo hub de conteúdo Compasso Coolab, e que convidou o público para se colocar atrás dos microfones e ter a experiência de apresentar um podcast. A fila de crianças esperando para se revezar e apresentar programas contando sobre suas próprias vivências e falando de seus hobbies foi grande. O pequeno Bernardo, de 6 anos, gostou tanto que foi mais de uma vez.

Para Ale Luppi, sócio-fundador da Compasso Coolab, há um diferencial em participar de um Side Event que não pode ser visto no evento principal da SPIW. “A gente descobre outras coisas, e é muito legal ter contato com a galera daqui da região, dos bairros, para entender como é a dinâmica da cidade fora do glamour dos grandes palcos dos festivais. Para nós, estar aqui é uma grande escola. Sair da zona de conforto, de dentro dos estúdios, é tentar mostrar como a comunicação pode ser usada para coisas positivas e que é possível todo mundo ter voz.”

Para o radialista, ver o interesse das crianças foi particularmente renovador. “As crianças estão prontas, com seis, sete anos. São talentos que podem ser lapidados e é maravilhoso descobrir isso. Para a dinâmica da cidade, é imprescindível o São Paulo Innovation Week promover esses Side Events, porque é muito diferente de outros estados. As pessoas costumam falar periferia, mas são as periferias, no plural. Porque são lugares completamente diferentes, as pessoas não são iguais. Então, o festival precisa estar aqui, e isso deveria valer para todas as outras grandes feiras. Sabemos que São Paulo é business, mas precisamos, sempre, ampliar.”

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