
Ratinho escolheu Sandro, mas o eleitor ainda olha para Moro
A aposta de Ratinho reorganiza o tabuleiro, mas a pesquisa indica que a transferência de prestígio ainda precisará vencer a força espontânea de outros nomes....
Publicado em
Por Redação CGN
Em política, escolha de governador pesa. Mas não encerra eleição. Ratinho Junior decidiu apostar em Sandro Alex como seu nome para a sucessão no Paraná. É uma escolha lógica sob o ponto de vista da confiança, da lealdade e da continuidade administrativa. Sandro é homem do grupo, conhece a máquina, representa a engrenagem interna do governo e pode carregar a promessa de preservar o modelo que levou Ratinho a índices elevados de aprovação.
Mas há uma pergunta que nenhum palanque consegue evitar: o eleitor já comprou essa escolha?
A pesquisa divulgada hoje pelo Paraná Pesquisas mostra que ainda não. Sandro Alex aparece distante dos principais concorrentes nos cenários estimulados para governador. Enquanto Sergio Moro lidera com ampla vantagem e Requião Filho ocupa o segundo lugar, Sandro ainda se move em uma faixa de voto modesta. Isso não significa que esteja derrotado. Significa que, neste momento, ele ainda depende fortemente de uma operação política: transformar o apoio de Ratinho em reconhecimento popular, e reconhecimento popular em intenção de voto.
Podem ocorrer diversas situações e a primeira situação possível é a mais favorável a Sandro. Ratinho entra de corpo inteiro na campanha. Não apenas com declarações protocolares, mas com presença, agenda, propaganda, prefeitos, obras, base partidária e narrativa clara. Assim, Sandro deixa de ser apenas “o candidato do governador” e passa a ser apresentado como “o garantidor da continuidade”. O resultado provável seria crescimento gradual, especialmente entre eleitores que aprovam o governo, mas ainda não associam Sandro diretamente às entregas da gestão.
O problema é que transferência de voto não é pix eleitoral. Não cai automaticamente na conta do escolhido.
Ratinho tem aprovação robusta, mas o eleitor distingue governo de sucessão. Ele pode aprovar o governador e, ao mesmo tempo, preferir outro nome para continuar o ciclo. É exatamente aí que Sergio Moro aparece como obstáculo. A pesquisa mostra que, quando o eleitor é perguntado sobre quem merece o apoio de Ratinho, Moro aparece à frente. Esse dado é politicamente explosivo: indica que parte do eleitorado governista talvez enxergue em Moro, e não em Sandro, o nome mais forte para impedir o avanço da esquerda e manter o Paraná no campo da centro-direita.
Uma outra situação é a de Ratinho apoiar Sandro, mas o eleitor conservador migrar para Moro por voto útil. Se Moro mantiver liderança ampla, a pressão natural será pela concentração de votos no candidato mais competitivo contra Requião Filho. Nesse ambiente, Sandro corre o risco de ser visto não como sucessor viável, mas como uma candidatura de estrutura tentando desafiar uma candidatura de opinião pública.
O resultado dessa situação seria uma campanha difícil para o Palácio Iguaçu. Sandro teria prefeitos, máquina, tempo político e apoio oficial. Moro teria recall, liderança nas pesquisas e apelo simbólico junto ao eleitor antipetista. Quando estrutura e sentimento popular se desencontram, a política entra em zona de instabilidade.
Agora tem uma situação que interessa à esquerda. Sandro e Moro dividem o campo da direita até o fim. Se isso acontecer, Requião Filho ganha oxigênio. Não porque a esquerda tenha se tornado majoritária no Paraná, mas porque a divisão adversária cria corredores. Requião não precisa conquistar todo o centro; precisa sobreviver, manter sua base, explorar contradições entre governistas e lavajatistas, e chegar ao segundo turno como representante do “outro lado”.
O resultado seria uma eleição mais arriscada para a direita. Em vez de uma disputa entre continuidade e retorno ao passado, o Paraná assistiria a uma guerra interna pelo direito de representar a continuidade. Sandro diria: “sou o nome de Ratinho”. Moro responderia, mesmo que indiretamente: “sou o nome que o eleitor prefere”. E Requião Filho tentaria se apresentar como alternativa aos dois.
Mas vamos pensar em uma cenário hipotético, mas que não é impossível, pois na política tudo é possível. Se Moro decide não disputar o governo ou é deslocado para outro arranjo político. Nesse caso, Sandro Alex poderia crescer muito mais rapidamente. A pesquisa mostra que, sem determinados nomes na disputa, o eleitorado de centro-direita se reorganiza. Se Ratinho conseguir construir uma chapa ampla, reduzindo dispersões e isolando Requião Filho, Sandro teria condições reais de se tornar competitivo. Mas, para isso, precisaria deixar de ser apenas o escolhido do governador e passar a ser reconhecido como escolha natural do eleitorado governista.
No entanto, se tudo se mantiver como está, Sandro pode melhorar não pelo ataque a Moro, mas pela comparação com Requião Filho. Esse talvez seja seu caminho mais eficiente. Se tentar disputar com Moro no campo do carisma, da lembrança nacional ou do voto ideológico, pode perder. Mas se conseguir enquadrar a eleição como uma escolha entre continuidade do governo Ratinho e a esquerda no comando do Paraná, pode ganhar musculatura.
Nesse cenário, Sandro precisa transformar a eleição em uma pergunta simples: o Paraná quer continuar no rumo atual ou quer voltar ao modelo político rejeitado por boa parte do eleitorado? Essa narrativa tem força porque conversa com a aprovação do governo e com a elevada rejeição dos nomes mais identificados à esquerda. Requião Filho lidera a rejeição para governador, enquanto Gleisi Hoffmann aparece com rejeição ainda mais alta na disputa ao Senado.
Mas há um limite: o discurso da continuidade só funciona se o eleitor acreditar que Sandro é, de fato, continuidade com comando — e não apenas continuidade por indicação.
Essa é a encruzilhada. Ratinho fez sua escolha. Agora precisa fazer o eleitor entender por que essa escolha deveria ser também a dele. Sandro tem o apoio mais valioso da política paranaense, mas apoio não substitui densidade eleitoral. Ele precisa ganhar rosto, voz, história e destino próprio.
Moro, por sua vez, aparece como o nome que o eleitor já reconhece. Isso lhe dá vantagem, mas também cria uma pergunta: ele será capaz de construir pontes com o grupo de Ratinho ou acabará representando uma candidatura paralela dentro do mesmo campo político?
E Requião Filho observa. Para a esquerda, o melhor cenário não é convencer o Paraná a ser petista. É torcer para que a direita seja incapaz de se organizar.
No fim, a eleição pode ser decidida por uma pergunta incômoda: quem manda mais na sucessão, o governador que escolhe ou o eleitor que confirma?
Ratinho escolheu Sandro Alex. Mas, em política, escolha só vira poder quando encontra povo. E, até aqui, a pesquisa mostra que o povo ainda está olhando para outro lado.
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