Morre no Rio de Janeiro o jornalista Raimundo Pereira
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Por CGN
Morreu, na manhã deste sábado (2), no Rio de Janeiro, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, que encabeçou uma das fileiras de resistência na imprensa durante a ditadura civil-militar instaurada pelo golpe de 1964. Lembrado por colegas de profissão como “um guerreiro da informação e da democracia”, ele tinha 85 anos e foi cremado no bairro Caju, na capital fluminense.
Em entrevista concedida ao Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), contou sobre essa fase.
“À época do golpe de 64, eu estava quase me formando em engenharia e já estava muito envolvido no movimento contra a ditadura. Nesse período, eu participava do teatro e do principal jornal da escola. Quando houve o golpe, fui expulso. Na verdade, nos proibiram de voltar, então fui expulso por falta [do ITA]. O engraçado é que no fim do ano passado eu recebi o diploma do curso”, comenta.
Após o banimento, o comunicador pernambucano ficou preso no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops/SP), núcleo de polícia mantido em atividade por 59 anos e que, desde 2009, sedia o Memorial da Resistência de São Paulo. Terminado o encarceramento de uma semana, foi transferido para a Base Aérea de Guarujá, onde permaneceu por cerca de dois meses.
Jornalista por acidente
Marcado por um período de vida na clandestinidade e libertado pelo Estado, ingressou na Universidade de São Paulo (USP) e obteve diploma em Física, e seguiu a carreira de jornalista profissional, “por acidente”, conforme revelou ao NPC.
As primeiras experiências de Raimundo Pereira no jornalismo foram como redator de revistas técnicas, função bem remunerada que conseguiu por acaso, ao dar aulas de matemática ao diretor de uma delas.
Conforme menciona o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), Pereira fez parte da equipe responsável por lançar a revista Veja e foi repórter da Realidade, Ciência Ilustrada, Isto É e do jornal Folha da Tarde.
O Movimento fechou as portas em 1981, ano em que Pereira retornou à grande imprensa. Como esclarece a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o pernambucano o concebeu depois de romper com Fernando Gasparian, dono do jornal Opinião.
“Raimundo discordava da tentativa de aproximação com o governo Geisel, que prometia uma abertura “lenta, gradual e segura”. Para ele, aquela política não atendia aos interesses populares. Mais do que um jornal, Movimento foi também um espaço de articulação política e social, reunindo vozes silenciadas e contribuindo para a formação de uma consciência crítica no país”, afirma a ABI.
Para o SJPMRJ, o legado de Pereira se confunde com a história da resistência democrática no Brasil.
Fonte: Agência Brasil