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Globes Tribute Gala homenageia cinema brasileiro no Rio de Janeiro

O salão do Copacabana Palace foi tomado por uma sensação rara na noite desta quarta-feira (18): a de que o cinema brasileiro, por algumas horas, deixou......

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Por CGN

O salão do Copacabana Palace foi tomado por uma sensação rara na noite desta quarta-feira (18): a de que o cinema brasileiro, por algumas horas, deixou de buscar reconhecimento para, enfim, recebê-lo em casa.

A primeira edição do Golden Globes Tribute Gala Brazil reuniu artistas, produtores, gestores públicos e nomes internacionais em um formato que remete às tradicionais noites de Golden Globe Awards em Los Angeles:  mas com sotaque, repertório e emoção brasileiros.

Apresentada por Bruna Marquezine e Lázaro Ramos, com texto de Suzana Pires, a cerimônia foi aberta pela presidente da organização, Helen Hoehne.

“O Brasil há muito tempo é uma potência criativa. Seus artistas têm oferecido ao mundo histórias que transcendem a linguagem e se conectam com públicos em todos os lugares. Este último ano foi uma prova poderosa dessa influência”, afirmou.

Mais do que discurso institucional, a fala ecoava no ambiente: a noite parecia consequência direta de um ciclo recente de vitórias, indicações e presença internacional.

A atriz Fernanda Montenegro e o ator e diretor e ator Antonio Pitanga foram homenageados com o Golden Globes Apogeu Award, honraria dedicada a trajetórias com impacto duradouro na indústria.

Ao lado da filha Camila Pitanga, o ator Antônio Pitanga resumiu o peso do instante. “É um dos momentos mais importantes da minha vida. Olhando pelo retrovisor, vejo nossa caminhada”.

Golden Globes Tribute Gala Brazil 

E ampliou o sentido da homenagem: “Não se trata do Antonio Pitanga ser homenageado. Se trata do cinema brasileiro. A história do cinema brasileiro está sendo homenageada no corpo do Pitanga. Traz aí Glauber, Cacá Diegues, Sérgio Ricardo, Joaquim Pedro… tantos que plantaram esse momento”.

Dira apontou ainda para o futuro das coproduções.

“A gente quer romper a fronteira da língua, fazer filmes com outros países e mostrar que somos um mercado potente, vibrante, e que não quer sair de onde está”.

Na mesma linha, o diretor-presidente da RioFilme, Leo Edd, celebrou o impacto estratégico do evento. “Trazer o Golden Globes para o Rio é colocar a cidade no mapa definitivo das grandes produções e das grandes decisões do audiovisual. Isso dialoga diretamente com investimento, com atração de filmagens e com o fortalecimento da indústria local”.

Para a atriz Regina Casé, há também um efeito simbólico interno.

“É importante trazer o mundo para o Brasil. Isso aumenta a nossa autoestima. É como no futebol — quando a gente joga em casa, a torcida muda tudo”.

A noite foi também um encontro entre passado, presente e futuro. O ator Vinícius de Oliveira, que ainda adolescente viveu o marco histórico de Central do Brasil — vencedor do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em 1999 —, revisitou a própria trajetória.

“Eu consigo voltar no tempo. Eu tinha 13 anos, aquele momento no palco, a Fernanda [Montenegro] discursando… foi muito marcante para mim e para o cinema nacional”, lembrou. “Não é à toa que esse evento está acontecendo aqui”.

Ao projetar o futuro, reforçou o papel da arte. “É uma carreira pautada no cinema. Quero seguir alimentando o cinema nacional. A gente trabalha para o público, para abrir reflexão, para trocar ideias”. disse Vinícius de Oliveira.

Vinícius de Oliveira relembra da própria trajetória no cinema brasileiro – Rovena Rosa/Agência Brasil

Reconhecimento

O ator Chico Diaz trouxe um contraponto necessário. “Existe um cinema de ponta muito reconhecido, mas uma grande parte da nossa produção não chega ao público”, afirmou.

Chico Diaz ressalta que grande parte do trabalho dos atores brasileiros não chega ao público – Rovena Rosa/Agência Brasil

Segundo ele, o desafio passa pela estrutura do setor. “Onde estão as nossas telas? Onde está o nosso cinema? A discussão do streaming e das leis do streaming pode tornar o nosso cinema realmente competitivo a nível internacional”.

Ainda assim, a percepção de avanço prevalece. Para Lázaro Ramos, o momento é de continuidade, não de exceção.

“Depois de um ano lindo, outro filme chega forte. E quando eu olho para o que vem por aí, acho que a gente vai continuar se orgulhando muito do nosso cinema”.

Fonte: Agência Brasil

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