
Rochas de plástico chegam a ninhos de tartarugas em ilha brasileira
Segundo ela, as rochas plásticas despertam preocupação quanto à quantidade de lixo produzida e à forma como o é feito o descarte.......
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Por CGN
O fenômeno foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2019 pela geóloga Fernanda Avelar Santos, que atualmente é pesquisadora de pós-doutorado da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Segundo ela, as rochas plásticas despertam preocupação quanto à quantidade de lixo produzida e à forma como o é feito o descarte.
Esses fragmentos passaram a ser transportados por ondas, marés e ventos. Parte do material foi encontrada em áreas próximas ao mar, onde o atrito com a água arredondou os fragmentos. Outros pedaços foram descobertos no interior de ninhos de tartarugas, soterrados a até 10 centímetros de profundidade.
A ilha de Trindade abriga um importante local de reprodução de tartarugas-verdes, especialmente na chamada Praia das Tartarugas. A área é protegida como Monumento Natural (MONA), uma categoria de unidade de conservação.
Antropoceno
A pesquisadora também investiga se essas formações podem permanecer preservadas por tempo suficiente para se tornarem registros estratigráficos: camadas geológicas capazes de contar a história da Terra ao longo de milhares ou milhões de anos.
Se isso ocorrer, as rochas plásticas podem fortalecer o argumento dos que defendem a existência de uma nova época geológica do planeta, em que as atividades humanas provocam mudanças irreversíveis: o Antropoceno.
A classificação ainda está em debate. A Comissão Internacional de Estratigrafia, responsável pela definição oficial da escala do tempo geológico, decidiu em 2024 adiar por cerca de uma década uma decisão definitiva.
Desde 2025, Fernanda Santos participa de pesquisas na Western University, no Canadá, em colaboração com a geóloga Patricia Corcoran, pioneira no estudo dessas formações. No laboratório, experimentos simulam o envelhecimento das rochas plásticas sob condições extremas de radiação ultravioleta, calor e umidade.
O objetivo é avaliar se esses materiais podem resistir ao tempo e se preservar em camadas profundas da Terra.
“Durante o último ano, nós simulamos o clima de ilhas oceânicas sobre as amostras provenientes das ilhas de Trindade e Fernando de Noronha, e do Havaí. Queremos simular o que acontece com essas rochas ao longo do tempo na superfície e em grandes profundidades da Terra”, diz Fernanda.
Fonte: Agência Brasil
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