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Duas vidas perdidas por semana: Mortes no trânsito de Cascavel sobem 240% e Transitar reconhece situação ‘chocante e urgente’

Em entrevista à CGN, Transitar reconhece que violência no trânsito da cidade é chocante e precisa de medidas urgentes. ...

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Por Luiz Haab

Luiz Paulo. Jorge. Cristhyna. Maria de Fátima. Simone. Davi Henrique.

Esses são alguns dos nomes que não são apenas registros frios em relatórios de trânsito. São histórias interrompidas. Pessoas que saíram de casa com destino certo — trabalho, família, compromissos cotidianos — e nunca voltaram.

Entre 1º de janeiro e 13 de março de 2026, 17 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Cascavel, segundo dados da Transitar. No mesmo período do ano passado, foram cinco mortes. O salto representa um aumento de 240% nas tragédias registradas na cidade. Somente no perímetro urbano são nove vítimas fatais neste ano, contra duas no mesmo período de 2025.

A lista cresceu novamente nesta quarta-feira (13), quando Davi Henrique Vargas Daldin, de 20 anos, morreu após um acidente entre uma moto e um carro no cruzamento das ruas João Lili Círico e Pernambuco, no bairro Coqueiral. Mais um jovem que entrou para uma estatística que assusta autoridades e preocupa quem acompanha a evolução do trânsito na cidade.

‘Um óbito atrás do outro’

A gravidade da situação foi discutida no Estúdio CGN, na tarde desta sexta-feira (13), em entrevista com Luciane de Moura, coordenadora de Educação no Trânsito da Transitar. E nem mesmo quem trabalha diariamente com o tema consegue esconder o impacto.

“Choca muito. A gente fica desesperado de ver um óbito atrás do outro e tentando entender o que mais precisa ser feito para que isso não ocorra novamente”, afirmou.

Para ela, por trás de cada número existe uma dor que muitas vezes não aparece nas estatísticas. São histórias, vidas que não são apenas números. São nomes, sobrenomes, endereço e muito sofrimento que fica para as famílias. Pessoas que saíram de casa para retornar e não retornaram.

A vulnerabilidade anda de moto

Os dados deste início de ano revelam um padrão preocupante: das 17 mortes registradas em 2026: cincovítimas estavam em motocicletas (4 condutores e 1 passageira). Além disso, duas mortes foram de pedestres. Segundo Luciane, o motociclista está entre os mais expostos no trânsito, e há um problema que vem sendo observado nos acidentes: o uso incorreto do capacete.

“A moto deixa o condutor vulnerável. Ele não tem carcaça, não tem cinto de segurança. A proteção é o capacete e o próprio corpo. Nós temos percebido capacetes voando nos sinistros. Muitas vezes a jugular não está apertada ou o capacete não é do tamanho correto da cabeça”, alertou.

Jovens mortos reaparecem na lista

Outro dado que chama atenção é a idade das vítimas. No ano passado, a maior concentração de mortes estava na faixa dos 30 A 40 anos. Agora, o cenário mudou. “Esse ano nós estamos na casa dos 20 anos. Isso está nos preocupando bastante”, afirmou Luciane. Ela crava que  fatores como pressa, distração e uso do celular têm aparecido com frequência nas análises dos acidentes. “Quando eu estou no trânsito, eu tenho que estar inteiro no trânsito. Se eu não estou bem, eu não vou. Não posso arriscar a minha vida e a vida de outra pessoa.

Velocidade acompanha o aumento

As análises feitas pelo comitê que reúne órgãos de segurança, saúde e trânsito de Cascavel apontam que a maioria dos acidentes fatais está ligada ao comportamento dos condutores. “Cerca de 94% dos casos têm relação com comportamento humano. A pessoa poderia ter agido diferente”.

Entre os fatores mais presentes:

• Excesso de velocidade
• Avanço de preferencial
• Distração
• Consumo de álcool
• Desatenção ao ambiente da via

A velocidade, segundo a Transitar, aparece como o principal agravante. “O que está matando em Cascavel é a velocidade, muitas vezes associada a outra causa do sinistro.”

E o papel da Transitar?

A CGN questionou a autarquia sobre mudanças necessárias. Luciane de Moura afirmou que, diante da escala alarmante de mortes, eles devem ocorrer em curto prazo e que reuniõesjá estão programadas para a análise de acidentes. Ela explica que medidas nas áreas de engenharia de trânsito, fiscalização e educação devem ser anunciadas em breve.

Entre as possibilidades estão a ampliação do número de radares, mudanças em limites de velocidade, reforço de campanhas educativas e novas intervenções em vias urbanas.

“É urgente. Nós vamos deliberar essas medidas agora e já começar a colocar em prática. A população pode se preparar porque vai haver modificação na engenharia, na fiscalização e muita campanha de educação”.

Um alerta para a cidade

Cascavel já foi conhecida nacionalmente por ter um dos trânsitos mais violentos do país. Nos últimos anos, o município havia conseguido reduzir os índices. Mas esses dados do início de 2026 acende um novo sinal de alerta. E é mesmo urgente, porque por trás de cada número divulgado existe algo que nenhuma estatística consegue traduzir completamente: uma cadeira vazia à mesa, uma família em luto, uma história que parou no meio do caminho.

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