
Cascavel merece um hospital público para animais feridos, diz deputado
Delegado Matheus Laiola veio a Cascavel e. em entrevista à CGN, falou sobre a urgência do tema ...
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Por Fábio Wronski
Por vezes, as notícias são agoniantes em Cascavel. Situações de zoofilia envolvendo cachorros, gatos, galinhas e outros animais, além de casos de cães, gatos e cavalos abandonados à própria sorte, perecendo por falta de cuidado ou em situações explícitas de maus-tratos.
A realidade mostra que a Capital do Oeste do Paraná ainda precisa avançar na conscientização e na implantação de políticas públicas voltadas à proteção animal, além de ações firmes para evitar que situações deploráveis continuem ocorrendo.
Na tarde desta quinta-feira (12), a CGN recebeu no estúdio a visita do deputado federal Delegado Matheus Laiola, representante da causa animal e do Paraná no Congresso Nacional. Conhecido na região por acompanhar denúncias envolvendo animais desde a época em que atuava como delegado da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente em Curitiba, Laiola relembrou que já investigava casos de grande repercussão em Cascavel, mesmo à distância.
No último pleito, a eleição de 2022, o parlamentar recebeu cerca de 132 mil votos e atualmente trabalha em Brasília para fortalecer leis de proteção animal e destinar recursos para ações efetivas de cuidado e resgate. Durante a entrevista, Laiola destacou que já percebe uma evolução na conscientização da população sobre o tema. Segundo ele, a mudança começou a ser notada ainda quando atuava na Polícia Civil.
“Eu percebi uma diferença quando ainda estava como Delegado de Polícia. Fui nomeado delegado da Delegacia do Meio Ambiente em 2019 e, quando saí cerca de três anos depois, já vi que, nas ocorrências, o volume de denúncias procedentes havia diminuído. Muitas vezes a pessoa dizia que já tinha se antecipado porque sabia que poderia ser denunciada”, relatou.
Apesar dos avanços, o deputado destacou que a realidade política em Brasília ainda impõe desafios para quem defende a causa animal.
“No Congresso Nacional vimos uma evolução, mas não é a evolução que a sociedade espera. Somos apenas cerca de 10 deputados da bancada animal entre mais de 500 parlamentares. Então é como se fosse um pincher barulhento contra vários pitbulls”, afirmou.
Ele explicou que muitas pautas enfrentam resistência, especialmente quando entram em conflito com outros interesses políticos e econômicos.
“Há deputados que defendem a causa animal e outros que defendem o agro. Na maioria das vezes é convergente, mas em alguns casos há divergências, como na liberação da caça, por exemplo, algo que eu sou contra”, disse.
Leis mais duras contra maus-tratos
O parlamentar também destacou mudanças importantes na legislação brasileira nos últimos anos. Antes de 2020, segundo ele, pessoas flagradas maltratando animais frequentemente eram liberadas após prestar depoimento.
“Antigamente, antes da lei sancionada em 2020, qualquer pessoa que maltratasse um cão ou gato, por exemplo, e fosse capturada em flagrante, ia para a delegacia, era ouvida e liberada. Não ficava um minuto presa e não pagava um real de fiança. Hoje, quem é capturado praticando maus-tratos contra cão e gato é conduzido ao sistema penitenciário, e na delegacia não se paga fiança. É o Poder Judiciário que decide. Portanto, existe, sim, uma evolução”, destacou.
Entrada em imóveis para salvar animais
Outro ponto destacado pelo deputado foi a possibilidade legal de entrar em imóveis para salvar animais em situação de maus-tratos. Os animaizinhos também pedem socorro. O delegado ressaltou que as forças de segurança, como Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil, têm o dever de salvar vidas e, quando visualizarem uma situação grave de maus-tratos, podem adentrar o imóvel sem mandado judicial para resgatar os animais que estejam em condições degradantes.
“Se existe um crime acontecendo dentro de um imóvel, seja contra um animal humano ou não humano, qualquer pessoa do povo pode entrar para salvar essa vida”, explicou.
Ele orientou, no entanto, que a situação seja registrada para evitar problemas posteriores.
“Hoje todo mundo tem um telefone com foto e vídeo. Documente o que está acontecendo e faça o boletim de ocorrência online. Assim fica comprovado que a entrada no imóvel foi para salvar o animal”, orientou.
Papel das protetoras
Durante a conversa, Laiola também destacou o trabalho das protetoras de animais, que muitas vezes utilizam recursos próprios para resgatar e cuidar de animais abandonados.
“A realidade da proteção animal só muda o CEP. O que acontece em Cascavel acontece em Curitiba, no Norte e no Nordeste do país. Infelizmente, quem acaba assumindo esse protagonismo são as protetoras, quando deveria ser obrigação do poder público”, afirmou.
Segundo ele, o objetivo do mandato é fortalecer políticas públicas, como programas de castração e repasse de recursos para organizações que atuam na área.
Castração e hospitais veterinários
O programa Castra Mais Paraná 2 esteve em Cascavel no mês de janeiro realizando aproximadamente mil castrações somente na Capital do Oeste. O ônibus do programa visitou vários municípios do Estado, inclusive as regiões Oeste e Sudoeste, realizando aproximadamente 40 mil castrações somente nesta segunda etapa.
“Esse programa é viabilizado pelo nosso mandato e fornece castração gratuita para cães e gatos, com medicação e acompanhamento. Tivemos cerca de 15 mil animais castrados na primeira edição e aproximadamente 40 mil na segunda”, explicou.
Cascavel zerou em poucos minutos as fichas para participar do programa, fato que chamou a atenção do deputado, demonstrando a necessidade da ação e que a estrutura do Castra Mais Paraná deve voltar à Capital do Oeste ainda neste ano.
“Quando abrimos as inscrições aqui, as vagas acabaram em poucos minutos. Isso mostra que ainda há uma grande demanda e que o município precisa ampliar as políticas públicas nessa área”, comentou.
Cascavel merece um hospital da causa animal
Em 2025, com o apoio de emendas parlamentares do deputado federal Delegado Matheus Laiola, Curitiba inaugurou o “Hospital da Causa Animal”. A unidade oferece atendimento gratuito de média e alta complexidade para cães e gatos.
O delegado também falou sobre como o Estado poderia ampliar a estrutura para o combate ao crime de maus-tratos a animais, bem como a criação de hospitais para atendimento a animais feridos e casos de urgência e emergência. Laiola também defendeu a criação de uma unidade pública veterinária na cidade.
“Cascavel merece uma unidade pública veterinária. Uma cidade com mais de 300 mil habitantes tem condições de manter uma estrutura desse tipo, ainda que não seja um hospital 24 horas”, disse.
Denúncias são fundamentais
Por fim, o deputado reforçou a importância da participação da população no combate aos maus-tratos.
“Se souber de alguma situação de maus-tratos, denuncie. Ligue 190, ligue 181 ou faça a denúncia online. Não basta apenas postar nas redes sociais, é preciso comunicar as autoridades”, destacou.
Ele também citou o projeto Paraná Contra Maus-tratos, que reúne orientações e canais de denúncia.
“Quando damos voz a quem não tem voz, acabamos conscientizando mais a população. Muitas pessoas passam a refletir sobre o próprio cuidado com seus animais e começam a melhorar as condições de bem-estar deles”, concluiu.
Política Nacional
Brasília está novamente no olho do furacão diante das grandes movimentações que o Caso Master gerou, tanto no Congresso Nacional quanto no Supremo Tribunal Federal e em outros setores públicos. Existe uma pressão gigantesca para as investigações sobre o caso. No entanto, há na Casa de Leis uma disputa pela abertura de uma CPI e também pela quebra de sigilo.
O deputado Matheus Laiola relatou que não importa se o político é de direita ou de esquerda: todos devem ser investigados.
“Eu acredito que a investigação tem que atingir a quem doer, seja esquerda, seja direita, seja situação, seja oposição. Parece que, de ambos os lados, há pessoas a serem investigadas, e esperamos que a verdade venha à tona e que os responsáveis sejam responsabilizados”, ressaltou.
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