Anvisa alerta: canetas emagrecedoras entram no radar por "risco grave ao pâncreas"

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O motivo é sério: de acordo com a agência, aumentaram as notificações de pancreatite associadas a essas drogas no Brasil. A Anvisa investiga seis...
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Foto: Reprodução/CGN

Por Luiz Haab

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O boom das canetas emagrecedoras ganhou um freio oficial. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou um alerta duro contra o uso de medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro sem prescrição ou acompanhamento médico — especialmente quando usados fora das indicações aprovadas ou com objetivos puramente estéticos e trazidas de forma ilegal do Paraguai.

O motivo é sério: de acordo com a agência, aumentaram as notificações de pancreatite associadas a essas drogas no Brasil. A Anvisa investiga seis mortes suspeitas e mais de 200 casos de problemas no pâncreas em pacientes que utilizaram as canetas. Os registros ainda estão em análise, mas o sinal de risco levou o órgão a reforçar o aviso.

Todos os medicamentos à base de semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida entram no alerta. Embora a pancreatite já conste como efeito adverso nas bulas, a Anvisa afirma que houve crescimento recente das notificações — coincidindo com a popularização do uso para emagrecimento rápido.

Hoje, essas canetas são autorizadas basicamente para diabetes e obesidade, com exceções pontuais: a semaglutida para reduzir risco cardiovascular e o Mounjaro para apneia do sono. Fora disso, o uso é considerado inadequado. Segundo a agência, apostar nessas drogas como “atalho” estético amplia a exposição a efeitos graves.

O que está em jogo?

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode causar dor intensa, náusea, complicações sistêmicas e, em casos extremos, levar à morte. Ao inflamar, o órgão passa a ser atacado pelas próprias enzimas que produz — um quadro que exige resposta médica imediata. A Anvisa é clara: suspeitou, interrompa o tratamento. Confirmou, não retome.

Os dados preliminares do sistema Vigimed indicam

• 2 mortes suspeitas associadas ao Ozempic
• 3 ao Saxenda
• 1 ao Mounjaro

A agência ressalta que as notificações não provam causalidade e que pacientes com obesidade e diabetes já têm maior risco de pancreatite. Há ainda a possibilidade de produtos falsificados entrarem nas estatísticas.

O que dizem os laboratórios

A Novo Nordisk (Ozempic e Saxenda) e a Eli Lilly (Mounjaro) afirmam que o risco de pancreatite é conhecido, consta em bula e exige acompanhamento médico. Ambas reforçam a orientação de suspender o uso diante de sintomas suspeitos e de cautela em pacientes com histórico da doença.

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