Para onde você vai quando morrer? Cemitérios estão no limite e Cascavel busca soluções para enterrar seus mortos

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De acordo com as estatísticas da Acesc, que administra os cemitérios de Cascavel, o município registra uma média de dez a quinze mortes por dia.

Por Luiz Haab

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Para onde você vai depois que morrer? Essa não é uma pergunta filosófica ou religiosa. Não diz respeito à sua alma ou ao seu espírito, mas do corpo físico mesmo. Se alguém não pensar nisso, os cemitérios de Cascavel podem ficar sem espaço para novos sepultamentos.

De acordo com as estatísticas da Acesc, que administra os cemitérios de Cascavel, o município registra uma média de dez a quinze mortes por dia. Ao todo, são quatro cemitérios na área urbana e outros 28 em comunidades rurais. Quase todos eles nas mesmas condições: pouco espaço para crescer e com uma necessidade constante de planejamento.

“Naturalmente, a gente trabalha nessa organização, tentando ter essa previsão, levando em consideração que Cascavel é uma cidade que cresce, cresce muito e naturalmente o número de óbitos, ele também cresce na mesma proporção”, diz Rômulo Quintino, superintendente da Acesc, que administra os cemitérios do município.

Para fazer o número de óbitos e espaço para jazigos caber em uma matemática possível, a primeira conta da Acesc é reduzir o número de túmulos abandonados.

“Nós temos muitos jazigos em estado de abandono. Aqui em Cascavel, nós temos milhares de casos assim nos quatro cemitérios. Então, quando nós fazemos ou partimos pra esse cadastramento, pra esse cuidado, pra essa tentativa de encontrar os familiares de um túmulo que está em estado de abandono, quando nós temos êxito, ótimo. Quando não temos, nós podemos agir de maneira a voltar a cuidar daquele espaço.”

Foi assim, que a Prefeitura encontrou espaço no Cemitério Central para construir novos jazigos, com capacidade para até 378 pessoas. A área de obras inclui o espaço onde antes eram realizadas as missas de finados.

“Estão sendo feitos 63 jazigos ali, subterrâneos que a gente chama, e os subterrâneos cada um com 6 espaços, isso vai permitir que desafogue bastante também essa necessidade, essa busca, e nós temos até o final de abril para entregá-los.”

Outra alternativa é a verticalização dos cemitérios. Modelo que já existe em Cascavel, mas com um formato antigo, que gera transtornos como liberação de gases e líquidos gerados pela decomposição, além de forte odor. Por isso, o superintendente conta que acaba de visitar um  cemitério vertical em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que servirá de modelo para a elaboração de  um novo projeto para Cascavel.

“São quatro, cinco ou até seis andares de cemitério vertical. O modelo de gaveta que tem lá é destaque nacional, porque a urna é depositada e não acontece vazamento, não tem problema de odor. A tecnologia deles é um plástico especial. Os gavetários que nós temos aqui ainda são de concreto e como ele é em concreto, ele acaba muitas vezes permitindo que vaze alguma coisa de odor, algum cheiro, juntar mosquito… esse tipo de coisa é natural em um corpo em decomposição. No Rio Grande do Sul não. Ele é todo em plástico especial que, depois, é soldada a tampa, fica totalmente soldado e não sai nenhum tipo de cheiro, porque vai estar num ambiente fechado.”

De acordo com Rômulo Quintino, nos próximos dias haverá uma reunião para dar início à elaboração do projeto e posterior empenho de recursos junto ao Governo do Estado.

“Nós vamos começar com essa reunião de trabalho essa semana, que é justamente para definir, passar a eles qual é a metragem que temos disponível e depois disso sim, eles começam a fazer o projeto arquitetônico.

Enquanto isso, o apelo é para as famílias: “Até aproveitamos a CGN, falando a CGN, a gente acaba alcançando muita gente, os familiares que tiverem aí os seus jazigos, para que visitem, para que olhem, para que não fiquem em estado de abandono, porque naturalmente nós também, enquanto município, precisamos agir para deixar da melhor maneira possível.”

Por enquanto, o superintendente da Acesc não fala na possibilidade de construir um novo cemitério em Cascavel.

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