Inclusão do Mounjaro no SUS pode gerar custo de até R$ 8 bilhões
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Por Diego Cavalcante
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A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o Governo do Distrito Federal (GDF) avalia a inclusão de medicamentos à base de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — no protocolo de atendimento para perda de peso da rede pública de saúde. A proposta, no entanto, enfrenta um entrave financeiro, já que as chamadas canetas emagrecedoras ainda não integram o Sistema Único de Saúde (SUS) e podem gerar um impacto orçamentário estimado em até R$ 8 bilhões, conforme dados do Ministério da Saúde.
Inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2, as canetas injetáveis passaram a ser estudadas também pelo efeito na redução de peso, tornando-se uma alternativa terapêutica para pessoas com obesidade ou sobrepeso.
Segundo o governo federal, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) não recebeu, até o momento, nenhum pedido formal para a incorporação da tirzepatida ao sistema público. Em agosto do ano passado, o órgão já havia se manifestado de forma contrária à inclusão da semaglutida (Ozempic) e da liraglutida (Saxenda), citando, entre outros fatores, o impacto financeiro superior a R$ 8 bilhões anuais. Esse montante representaria quase o dobro do orçamento previsto para o programa Farmácia Popular em 2025.
O Mounjaro é considerado um medicamento de alto custo e é comercializado em caixas com quatro canetas, suficientes para um mês de tratamento. Os preços variam conforme a dosagem e o ponto de venda, com valores de R$ 1.907,29 para a dose de 2,5 mg e R$ 2.384,34 para a de 5 mg.
Com o objetivo de ampliar a concorrência e reduzir os preços no mercado, o Ministério da Saúde solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prioridade na análise e no registro de novos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida. A pasta também destacou que estados, municípios e o Distrito Federal podem adotar listas complementares de medicamentos no SUS, sendo a aquisição de responsabilidade exclusiva de cada ente federativo.
Tratamento da obesidade no SUS
No SUS, o atendimento à pessoa com obesidade tem início na atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Nessas unidades, profissionais como nutricionistas e psicólogos, que integram as equipes multiprofissionais (eMulti), acompanham os pacientes e, quando necessário, realizam encaminhamentos para serviços especializados, como a cirurgia bariátrica. O Ministério da Saúde também investe em ações preventivas, como o Guia Alimentar para a População Brasileira, o Programa Academia da Saúde e o Programa Saúde na Escola, que incentivam hábitos saudáveis desde a infância.
Mounjaro no SUS de Rondônia
Em Rondônia, a Assembleia Legislativa (Alero) aprovou por unanimidade um projeto de lei que autoriza a oferta do medicamento Mounjaro (tirzepatida) pelo SUS estadual. A proposta inclui ainda o Saxenda (liraglutida) e passa a integrar o Programa Estadual de Assistência Integral à Obesidade e ao Diabetes Mellitus Tipo 2.
O projeto, de autoria do deputado Luís do Hospital (MDB), tramitou pelas comissões temáticas da Casa antes de ser aprovado em plenário no dia 10 de dezembro, sem votos contrários. Agora, o texto segue para análise e possível sanção pelo governo do estado.
Estudo no Distrito Federal
De acordo com Celina Leão, a intenção do GDF é direcionar o tratamento com tirzepatida a pacientes com obesidade mórbida. “Porque isso é política pública de saúde, sim”, afirmou. A governadora destacou que muitas pessoas com 150 ou até 200 quilos necessitam do tratamento, mas não têm condições financeiras para arcar com o custo.
“A tecnologia de ponta precisa estar à disposição do SUS para quem mais precisa. Imagine o número de cirurgias que podemos evitar e quantas pessoas deixarão de sofrer infartos em razão do excesso de peso. Vamos investir em saúde, em esporte e muito em educação”, declarou.
Celina informou ainda que solicitou à Secretaria de Saúde do DF o início dos estudos para a adoção de um protocolo específico de tratamento para perda de peso. Segundo ela, outros estados já implementaram protocolos locais, e os resultados do medicamento entre pessoas que conseguem pagar pelo tratamento são considerados positivos.
Com informações do Metrópoles