"Por que ele se escondeu? Por que ficou trancado no banheiro?", afirma filha de homem baleado por policial
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Por Fábio Wronski
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O homem de 51 anos baleado por um policial civil no banheiro do BarBaran, localizado no Centro de Curitiba, permanece internado em estado gravíssimo, lutando entre a vida e a morte. O disparo, que atingiu o tórax da vítima, resultou em graves lesões internas e levou à remoção de órgãos vitais, segundo relato da filha, Julia Antunes Reppold Marinho.
A filha, visivelmente abalada, fez um apelo por justiça e destacou a fé do pai, que, conforme relatou, carregava sempre consigo uma medalha de Nossa Senhora, um terço, a carteira e o celular. Julia também criticou duramente a conduta do policial civil envolvido no caso.
“É inacreditável ler comentários na internet chamando meu pai de bandido. Um bandido que acorda às 5 horas da manhã para trabalhar, que vai todos os dias à missa às 7h. Não tem cabimento”, desabafou Julia. “Eu não consigo acreditar que meu pai está lá no hospital entre a vida e a morte por causa de quatro itens. A Justiça de Deus vai ser feita.”
Cronologia dos Fatos
Segundo Julia, a sequência dos acontecimentos foi precisa. Às 20h10, a vítima enviou uma mensagem para a esposa. Um minuto depois, às 20h11, entrou no banheiro do estabelecimento. “Às 20h11 e 52 segundos, meu pai estava baleado no chão do banheiro. Eu ouvi o tiro. O policial já estava no banheiro há mais ou menos dois minutos antes do meu pai entrar”, relatou.
A filha questiona a versão apresentada pelo policial e denuncia que o agente se negou a prestar socorro após o disparo. “Por que ele negou o socorro? Por que ele se escondeu, se foi legítima defesa? Por que ficou escondido três horas dentro do banheiro? Por que saiu com o rosto tapado? Se foi legítima defesa, por que ao invés de ligar para a ambulância, ele ligou para o 190 para pedir ajuda para ele, e não para o meu pai?”, questionou Julia.
Segundo o relato da filha, o tiro foi disparado à queima-roupa, destruindo órgãos vitais. A vítima perdeu o baço e teve pulmão, pâncreas e duodeno afetados, além de parte do intestino removida. “O tiro não foi à distância. Ele falou que mirou no pé do meu pai, mas se tivesse mirado no pé, a bala não teria passado pelo pulmão, pelo coração e parado embaixo”, afirmou.
Estado de Saúde
Julia relatou ainda a gravidade da situação. “O estado dele de saúde é muito grave. Ontem eu saí do hospital com a pior notícia do mundo, que o médico falou que não sabe nem se ele aguenta sair da UTI e chegar no bloco cirúrgico. A chance de ter uma infecção generalizada e parar é enorme. Mas a gente tem fé que ele vai sair dessa, porque ele acredita muito na vida dele”, comentou.
Investigação
De acordo com o boletim de ocorrência, o policial civil, lotado na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), alegou ter disparado após uma discussão motivada por um copo deixado na pia do banheiro. O agente afirmou que foi empurrado e agredido pela vítima, sentindo-se “encurralado”, e que a intenção era atingir a perna do homem, mas o tiro atingiu o tórax.
A família, contudo, não aceita a justificativa apresentada e exige uma apuração rigorosa dos fatos. Julia e a advogada da família, Caroline Mattar Assad, clamam por justiça. “Um cara desses não tem psicológico para andar com uma arma, isso ficou muito claro”, declarou Julia.
O caso segue sob investigação das autoridades competentes.