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Danilo Martins/OBemdito

“Ele vinha a cada 15 dias. Era meu companheiro”; mãe fala sobre morte de Danilo Roger que morava em Toledo

O corpo de Danilo foi encontrado no dia 31 de agosto, em uma estrada na localidade de Jandaia, zona rural do município de Iporã...

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Por Fábio Wronski

Danilo Martins/OBemdito

Dona Zilda Ferreira Bido, 58 anos, mãe de Danilo Roger Bido Ferreira, de 32 anos, recebeu a reportagem do Bemdito para compartilhar não apenas a dor da perda, mas sobretudo as lembranças de uma vida marcada pela alegria e generosidade do filho. O caso, que segue sob intensa investigação da Polícia Civil, mobilizou a comunidade local e evidenciou o impacto positivo de Danilo em todos os círculos por onde passou.

O corpo de Danilo foi encontrado no dia 31 de agosto, em uma estrada na localidade de Jandaia, zona rural do município de Iporã. O jovem apresentava ferimentos compatíveis com golpes de faca. Próximo ao local, a cerca de 120 metros, estava seu veículo, um Ford Ka, com marcas de sangue. O crime provocou comoção e desencadeou uma série de diligências policiais, que ainda não apontaram suspeitos ou motivação confirmada.

Segundo Dona Zilda, Danilo era conhecido pela personalidade extrovertida e pelo bom humor. “Todos que passam aqui têm uma história. Uns lembram dele pequeno, outros falam do tempo em que trabalhava no banco e tratava os idosos com tanto carinho e paciência”, relata a mãe, que trabalha cuidando de crianças. Após a morte do filho, a casa da família tornou-se ponto de encontro de amigos, vizinhos e até desconhecidos, todos trazendo recordações de momentos vividos ao lado de Danilo.

Atualmente, Danilo atuava em Toledo, no BioPark, como Multiplicador de Sucesso das Empresas. Apesar do crescimento profissional, mantinha laços estreitos com a mãe, visitando-a a cada quinze dias. “Era meu companheiro”, lembra Zilda.

Na véspera do crime, Danilo chegou a Iporã às 17h e, ao contrário de outras visitas, preferiu um encontro reservado no quintal de casa com amigos próximos. Por volta das 19h, saiu para um evento e retornou à meia-noite, mais cedo do que o habitual. Pouco depois, informou à mãe que iria à casa de uma amiga buscar um carregador de celular. Não voltou mais. “Eu estava deitada, mas não dormia, só ouvi a voz dele. Pedi para ele não ir. Estava com um pressentimento”, recorda Zilda.

Na madrugada, ao perceber as luzes acesas e a ausência do filho, Zilda procurou por Danilo, indo até a casa da amiga duas vezes. Pela manhã, dirigiu-se à delegacia, onde foi informada que a polícia investigava um caso, que logo descobriu tratar-se de seu filho. O reconhecimento do corpo foi feito pelo pai de Danilo. “Tranquei o quarto dele. Não tive coragem. Preferi ficar com a voz do meu filho”, desabafa Zilda, que relata que o pior momento do dia é a manhã, quando a realidade se impõe.

A relação entre mãe e filho era marcada por cumplicidade. Quando Danilo revelou ser homossexual, já adulto, foi acolhido sem reservas por Zilda. “Ele demorou a falar, mas eu já sabia. Imagina se eu não iria amar meu filhinho? Meu filho não tinha inimigos”, afirma.

Além do trabalho no BioPark, Danilo era atuante na comunidade, exercendo a função de promoter e colaborando na organização do concurso da rainha do rodeio de Iporã. Sua generosidade, muitas vezes silenciosa, veio à tona durante o velório, quando uma mulher revelou, em prantos, que Danilo fornecia mensalmente uma cesta básica para sua família. “Esse era o meu filho”, resumiu Zilda.

As investigações estão sob responsabilidade do delegado Luã Mota, da Delegacia de Polícia Civil de Iporã. A equipe policial recolhe imagens, ouve testemunhas e analisa o celular da vítima. Entretanto, até o momento, não há suspeitos nem motivação confirmada. O delegado alertou para a disseminação de informações falsas nas redes sociais, que têm prejudicado o andamento das investigações. “Algumas mensagens não são verídicas e podem prejudicar o andamento da investigação”, destacou Mota.

No domingo, 7 de setembro, a comunidade organizou uma passeata em busca de justiça. Vestidos de branco, moradores de Iporã pediram esclarecimento do crime e punição aos responsáveis. Informações que possam auxiliar as investigações podem ser repassadas, de forma anônima e gratuita, pelo número 181.

A cidade, que perdeu um de seus filhos mais queridos, se une agora pela saudade e pelo desejo de justiça. Para Dona Zilda, permanece a memória de um jovem cuja marca maior foi a forma como viveu, e não como partiu.

As informações são do O Bemdito.

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