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Reviravolta? Advogado diz que pai e filho não mataram cobradores em Icaraíma

Antonio e Paulo Ricardo estão com prisão preventiva decretada e permanecem foragidos desde a semana seguinte ao registro dos desaparecimentos, ocorrido em 5 de agosto na...

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Por Fábio Wronski

Um mês após o desaparecimento de três cobradores e de um credor de dívida de terras em Icaraíma, no noroeste do Paraná, a defesa dos principais acusados do caso se manifestou publicamente, negando qualquer envolvimento dos clientes no suposto crime. Segundo o advogado Renan Nogueira Farah, que atua em Americana (SP), Antonio Buscariollo, 62 anos, e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, 22 anos, sequer estiveram no local indicado pela polícia como cenário do suposto homicídio. As informações são do Portal O Bemdito.

Antonio e Paulo Ricardo estão com prisão preventiva decretada e permanecem foragidos desde a semana seguinte ao registro dos desaparecimentos, ocorrido em 5 de agosto na delegacia de Icaraíma. Farah foi contratado pela família no dia 12 de agosto. Além de pai e filho, pelo menos outros oito familiares também deixaram suas residências e estão em paradeiro desconhecido.

Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 5, Farah relatou que só teve acesso aos autos da investigação no final da tarde, após ingressar com pedidos ao juízo de primeira instância, ao Tribunal de Justiça do Paraná e com uma reclamação constitucional no Supremo Tribunal Federal (STF). “Os documentos foram liberados agora no final da tarde, às 17h. Ainda não consegui ler tudo”, afirmou.

Fuga motivada por ameaças

Questionado sobre a fuga dos acusados e de seus familiares, o advogado alegou que a medida foi tomada para preservar a vida dos envolvidos. “Todos tiveram que abandonar suas casas e pertences porque estavam correndo risco. Já tinham recebido ameaças pesadas de pessoas que se identificaram como próximas dos cobradores”, declarou Farah. Em visita recente à propriedade rural no distrito de Vila Rica, a reportagem constatou roupas ainda no varal de uma das casas, indício de que a saída ocorreu de forma repentina.

Mudança de estratégia da defesa

No início da atuação, Farah chegou a considerar a hipótese de legítima defesa, na qual Antonio e Paulo Ricardo teriam matado os cobradores Robishley Hirnani de Oliveira, 53 anos, Rafael Juliano Marascalchi, 43 anos, Diego Henrique Afonso, 39 anos, e o produtor rural Alencar Gonçalves de Souza, 36 anos, para se protegerem. Entretanto, após reunião por chamada de vídeo com os acusados, o advogado descartou essa linha de defesa. “Recebi informações suficientes para sustentar que eles não estavam no local apontado pela polícia como cena do crime, e isso poderá ser comprovado por extratos telefônicos, entre outros elementos”, afirmou. Segundo ele, os clientes relataram que mantiveram contato com os desaparecidos apenas na segunda-feira, 4 de agosto, sem que houvesse um segundo encontro.

Farah afirmou ainda não saber o paradeiro de seus clientes. “Eu pedi para não saber, porque essa informação não é importante para a defesa neste momento. Meus clientes correm risco de morte. As ameaças estão acontecendo”, disse, acrescentando que também foi alvo de ameaça nesta sexta-feira, 5. “Quem hoje ameaça tanto a família quanto a mim estavam satisfeitos com o caminho que as investigações estavam tomando”.

Explicações sobre compras em supermercado

A investigação policial localizou notas fiscais de supermercado emitidas em Americana, cidade onde reside parte da família Buscariollo. As notas registram compras em grande volume realizadas em 6 de agosto por Carlos Henrique, outro filho de Antonio. Entre os itens adquiridos estavam alimentos, bebidas alcoólicas, energéticos e repelentes. Para a polícia, as compras poderiam ter abastecido a família após a fuga de Icaraíma. O advogado, contudo, rebateu a interpretação. Segundo Farah, Carlos Henrique estaria abrindo um bar, e as mercadorias seriam destinadas ao novo negócio.

Possibilidade de vítimas estarem vivas

Ao final da entrevista, Farah manifestou a possibilidade de que os três cobradores estejam vivos. “É preciso entender a vida que eles levavam, até por conta do trabalho que exerciam”, afirmou. Sobre o contratante da cobrança, o produtor rural Alencar Gonçalves de Souza, o advogado limitou-se a questionar: “Pois é. Fica a pergunta”.

As informações são do O Bemdito.

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