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Anotação secreta de Heleno revela racha com Bolsonaro sobre vacina, diz defesa

Segundo Milanez, há uma anotação pessoal do general que registra a diferença de opinião entre ambos. ...

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Por Katiane Fermino

No segundo dia do julgamento da chamada “trama golpista” no STF (Supremo Tribunal Federal), a defesa do ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, destacou uma divergência entre o militar e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação à vacina. A informação foi apresentada pelo advogado Matheus Mayer Milanez, responsável pela defesa de Heleno.

Segundo Milanez, há uma anotação pessoal do general que registra a diferença de opinião entre ambos.

“Coloco aqui uma pequena divergência entre o general Heleno e o presidente Bolsonaro: para o general, o presidente tinha de se vacinar. Isso estava em sua caderneta pessoal, era um pensamento do próprio general. E, aqui, o Ministério Público tenta construir um discurso de que o general seria um grande aconselhador”

Matheus Mayer Milanez

Ele ressaltou ainda que existia um afastamento entre Heleno e Bolsonaro, mas não especificou a qual vacina a anotação se referia.

As alegações finais do julgamento foram marcadas por acusações contundentes da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o general. O procurador Paulo Gonet afirmou que Augusto Heleno teria atuado junto a Alexandre Ramagem na elaboração de uma narrativa difundida por Bolsonaro em seus pronunciamentos políticos e que teria anuído a espionagens ilegais em benefício do então presidente.

Gonet destacou que, mesmo após a derrota eleitoral de 2022, Heleno permaneceu ativo em uma estrutura que, segundo a PGR, integrava uma organização criminosa voltada a um golpe de Estado.

“As anotações e falas públicas de Augusto Heleno, ao longo do governo Bolsonaro, não deixam dúvidas de sua inclinação a ideias que desafiam a harmonia institucional e promovem o acirramento entre os Poderes. Mais do que simples abstrações, comprovou-se que Augusto Heleno efetivamente direcionou o aparato estatal em torno de suas concepções antidemocráticas”

Paulo Gonet

Entre as provas apresentadas, estão documentos encontrados na residência do general que, segundo a PGR, indicam seu envolvimento no planejamento prévio da organização criminosa, incluindo anotações manuscritas em agendas pessoais. Gonet também mencionou declarações públicas do general, especialmente seu depoimento à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do 8 de Janeiro, em que afirmou: “ladrão não sobe a rampa”.

Para o procurador, tal declaração:

“Revela a inconsequência, a certeza da impunidade e a ausência de qualquer arrependimento por parte do acusado, mesmo após o cenário de destruição provocado no País”.

Paulo Gonet

Gonet concluiu que Heleno:

“Tinha pleno domínio sobre as ações ilícitas do grupo e envidou esforços para impedir a transição democrática de poder, razão pela qual deve responder pelos crimes que lhe são imputados na denúncia”.

Paulo Gonet

O julgamento prossegue no STF, com a análise das alegações de defesa e acusação.

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