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Foto: Ivana Nikoline Brønlund/Facebook/Reprodução

Mãe perde filha recém-nascida para o governo da Dinamarca e caso gera protestos globais

Ivana Nikoline Brønlund, de 18 anos, nascida em Nuuk, capital da Groenlândia, e ex-jogadora da seleção de handebol do país, deu à luz Aviaja-Luuna em 11...

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Por Katiane Fermino

Foto: Ivana Nikoline Brønlund/Facebook/Reprodução

Uma jovem mãe de origem groenlandesa perdeu a guarda de sua filha recém-nascida apenas uma hora após o parto, em um caso que gerou forte reação pública e protestos internacionais contra as autoridades dinamarquesas.

Ivana Nikoline Brønlund, de 18 anos, nascida em Nuuk, capital da Groenlândia, e ex-jogadora da seleção de handebol do país, deu à luz Aviaja-Luuna em 11 de agosto, no hospital da cidade de Hvidovre, onde reside com a família. A prefeitura de Høje-Taastrup, responsável pela região, retirou a criança dos cuidados da mãe logo após o nascimento.

Segundo informações do jornal britânico The Guardian, a justificativa apresentada pelas autoridades foi o resultado de um teste psicométrico chamado FKU (forældrekompetenceundersøgelse), utilizado para avaliar a capacidade parental.

Entretanto, desde maio de 2025, está em vigor na Dinamarca uma lei que proíbe a aplicação desse tipo de exame em pessoas de origem groenlandesa, após anos de críticas de organizações e ativistas que denunciam o caráter discriminatório dos testes, considerados inadequados para o contexto cultural dos inuítes.

Os testes a que Ivana foi submetida tiveram início em abril, após o anúncio da nova lei em janeiro, e foram concluídos em junho, já sob a vigência da legislação que veda esse procedimento para cidadãos groenlandeses. Apesar disso, o município manteve a decisão de afastar a mãe da filha, sob o argumento de que Ivana “não era groenlandesa o suficiente” para ser beneficiada pela proibição, mesmo sendo filha de pais groenlandeses e nascida na ilha.

A jovem relatou que viveu a gravidez sob temor do desfecho.

“Eu não queria entrar em trabalho de parto, porque sabia o que aconteceria depois. Eu mantinha minha bebê por perto enquanto ela estava na minha barriga, era o mais perto que eu conseguia chegar dela. Foi um momento muito difícil e horrível”

Ivana Nikoline Brønlun

Em seu perfil no Facebook, Ivana compartilhou sua angústia:

“Meu coração está em mil pedaços sem você, minha filha querida… Mamãe te ama, mamãe sente sua falta, mamãe está lutando todos os dias pra te levar pra casa, minha bebezinha Aviaja-Luuna”.

Ivana Nikoline Brønlun

Desde a separação, Ivana só pôde ver a filha uma única vez, por uma hora, sem permissão para confortá-la ou trocar-lhe a fralda. O encontro, ocorrido no início da semana, foi interrompido antes do tempo previsto.

“Meu coração se partiu quando a supervisora parou o tempo. Fiquei tão triste que gritei para o carro e dentro dele. Foi tão rápido que tivemos que ir embora”

Ivana Nikoline Brønlun

Atualmente, Ivana está autorizada a visitar Aviaja-Luuna apenas duas vezes por mês, durante duas horas cada, sempre sob supervisão. O recurso judicial para tentar reverter a decisão está agendado para julgamento em 16 de setembro.

Repercussão internacional e cobranças ao governo dinamarquês

O caso provocou protestos em cidades como Nuuk, Copenhague, Reykjavík e Belfast. Dida Pipaluk Jensen, uma das organizadoras de um ato em Reykjavík, classificou a situação como “horrível” e afirmou que a aplicação dos testes em cidadãos groenlandeses constitui uma grave violação.

Jensen também mencionou que o histórico de Ivana, cujo pai adotivo está preso por abuso sexual, foi utilizado pela prefeitura como justificativa para a separação da filha, o que considerou injusto: “Parece muito errado punir Ivana por algo que ela não é responsável”.

A ministra dos Assuntos Sociais da Dinamarca, Sophie Hæstorp Andersen, manifestou preocupação e exigiu explicações da prefeitura de Høje-Taastrup.

“Testes padronizados não devem ser utilizados em casos de colocação envolvendo famílias de origem groenlandesa. A lei é clara”

Sophie Hæstorp Andersen

Andersen ressaltou ainda que o município deveria ter recorrido à Viso, unidade especial de aconselhamento para casos sensíveis.

Por sua vez, a diretora de crianças e jovens do município, Anya Krogh Manghezi, reconheceu falhas no processo, informando que houve contato com a Viso em janeiro, mas admitiu que o procedimento deveria ter sido renovado após a entrada em vigor da nova lei.

“Estamos em diálogo próximo com a Viso sobre como obter aconselhamento atualizado o mais breve possível”

Anya Krogh Manghezi

O município, alegando questões de confidencialidade, não comentou diretamente o caso, mas declarou estar buscando “a melhor solução possível” para a família.

O desenrolar do caso segue acompanhado de perto por organizações de direitos humanos e pela opinião pública internacional, enquanto se aguarda o julgamento do recurso apresentado por Ivana em setembro.

Fonte: Metrópoles

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