‘Drácula’ é pop. Clássico do terror troca susto por gargalhada em peça com Tiago Abravanel

“Nossa proposta é a de trazer o Drácula com esse corpo (aponta para si mesmo), nesse País, com o nosso tipo de humor, com a nossa...

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Por Agência Estado

Quando recebeu o convite para protagonizar a peça Drácula – Um Terror de Comédia, o ator Tiago Abravanel estranhou. Na Broadway, o texto escrito por Steven Rosen e Gordon Greenberg apresentava um Conde Drácula pansexual da Geração Z, louro, penteado intocável, peitoral malhado. “Era um padrãozão e eu poderia ter recusado, mas percebi que seria uma ótima oportunidade para me mostrar gostoso do jeito que sou”, disse ele, sorriso aberto com os caninos à mostra, como manda o figurino. Com direção de Ricardo Grasson e Heitor Garcia, a comédia estreia no Teatro Bravos, em São Paulo, na sexta-feira, 15.

“Nossa proposta é a de trazer o Drácula com esse corpo (aponta para si mesmo), nesse País, com o nosso tipo de humor, com a nossa linguagem, buscando dar uma personalidade para esse personagem diferente em um corpo não padrão”, explica. “E essa mudança não impede que a história seja contada com sua importância tradicional, desvendando esse ser independente, narcisista, com um ego gigante, mas com toque de brasilidade.”

“A trama segue fielmente o romance gótico escrito pelo irlandês Bram Stoker, em 1897”, acrescenta Grasson. “Mas, ao invés de sustos, provoca gargalhadas.” Assim, se a sociedade vitoriana do século 19 era reprimida, sexista e maquiavélica, Drácula – Um Terror de Comédia faz uma paródia de suas ansiedades e medos com um humor que tanto resvala na bizarrice de Mel Brooks como no absurdo do grupo Monty Python.

Nas montanhas da Transilvânia, Jonathan Harker (papel de Jefferson Schroeder) é um corretor imobiliário covarde e afetado que pretende vender um imóvel para o misterioso conde Drácula (Abravanel). Harker pretende se casar com Lucy Westfeldt (Bruna Guerin), uma botânica ambiciosa que desperta a paixão do homem de caninos afiados. O pai dela, Dr. Westfeldt (Ludmillah Anjos), explora doentes mentais em seu sanatório, e sua irmã Mina (Lindsay Paulino) é tarada e desesperadamente solteira. Finalmente, Jean Van Helsing (novamente Paulino) é uma médica de origem alemã obcecada em liquidar com o vampiro.

“Drácula é um personagem que está no nosso inconsciente coletivo, o que o aproxima da plateia”, explica Grasson, que trouxe brasilidade nos diálogos atualizados, nos improvisos do elenco e até na sonoplastia. “O clima é de teatro besteirol, para lembrar aquele movimento cênico dos anos 1980 que fazia uma caricatura do nosso comportamento cotidiano, e até da chanchada.”

São cinco atores em cena e, com exceção de Abravanel, todos vivem mais de um papel, o que exige uma troca de figurinos em questão de segundos. “No original da Broadway, o elenco mudava de personagem em cena mesmo, colocando algum adereço como uma peruca. Decidimos homenagear O Mistério de Irma Vap, que fez muito sucesso durante anos principalmente pela rápida mudança de roupa”, conta Heitor Garcia, lembrando da praticidade do vestuário criado por Bruno Oliveira para a rápida troca efetuada por duas camareiras nos bastidores. “Mas os atores também assumem ações que compõem a cena, como simular o voo de um pombo ou assoprar como o vento.”

O ritmo é veloz e não pode ser quebrado. Com quatro personagens nas costas, Ludmillah Anjos conta que o desafio está em definir as personalidades e trocá-las num piscar de olhos. “É muito divertido, mas a linguagem é sofisticada, embora seja encoberta pelo humor.” O raciocínio é compartilhado por Bruna Guerin, que salta em segundos do papel da mocinha para uma cleptomaníaca que é paciente do manicômio. “São personagens muito pontuais, mas com fortes características para facilitar o reconhecimento pela plateia”, conta.

Como o elenco tem tradição na comédia, era inevitável que os improvisos marcassem a narrativa. A iniciativa foi apoiada pela dupla de diretores, que se divertiu com novidades como modificar a origem de alguns personagens. “Apesar de nascida na Alemanha, a Van Helsing fala como uma espanhola porque achei que conecta melhor com o Brasil”, decidiu Lindsay Paulino, ciente de que a superficialidade é o melhor caminho para atingir o humor. “Se fôssemos psicologizar a história, ela ficaria muito séria.”

O gestual e a modulação da voz são o grande trunfo dos atores. Alguns, como Jefferson Schroeder, são conhecidos no mundo digital pela brincadeira que faz em vídeos com dublagens, variando o tom e até a dicção. “Por isso que aqui ele faz 898 personagens”, brinca Paulino. “Virou minha principal responsabilidade agora porque, além do Jonathan, faço três personagens que entram juntos em cena e que também querem ficar com a Lucy”, conta Schroeder.

O coringa do elenco é Bernardo Berro, que vai interpretar Drácula quando Abravanel não puder. Segundo ele, a novidade não está apenas em usar uma capa e uma prótese dentária, mas criar um personagem que só pensa em si mesmo. “Como ele é narcisista e egocêntrico, eu tenho buscado referências dos desenhos animados para construí-lo, para não parecer realista e também não destoar dos outros personagens, que têm traços de caricatura.”

Na divulgação do espetáculo, especialmente nas redes sociais, os atores reforçam que a peça não é um musical, visto que, com exceção de Schroeder, todos já participaram de espetáculos do gênero. “Mas, para matar a vontade deles e da plateia, criamos uma cena em que fazem uma paródia de Mamma Mia!”, revela Grasson.

Serviço – ‘Drácula – Um Terror de Comédia’
. Onde: Teatro Bravos – Rua Coropé, 88.
. Quando: De 15 a 31/8. Sextas e sábados, 21h; sábados, 17h; domingos, 18h.
. Quanto: R$ 50/R$ 300.

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