
Gurufim do Arlindo: sambista será velado em celebração afrobrasileira
O corpo do cantor e compositor Arlindo Cruz, 66 anos, será velado, a partir das 18h, na quadra da escola de samba Império Serrano, sua escola......
Publicado em
Por CGN
O corpo do cantor e compositor Arlindo Cruz, 66 anos, será velado, a partir das 18h, na quadra da escola de samba Império Serrano, sua escola de coração. O corpo do sambista já chegou à escola e foi colocado no centro da quadra. O local ainda está cercado e sendo preparado para receber as homenagens. O velório será aberto ao público.
O velório se estenderá até as 10h, da manhã deste domingo (10). Logo no início da tarde, as primeiras coroas de flores a chegar, foram da Beija-Flor de Nilópolis e da presidência da República, com os dizeres: “Homenagem ao talento, poesia e generosidade do sambista perfeito. Solidariedade à família, amigos e fãs. Presidente Lula e Janja”.
A família pede que as pessoas que forem ao velório usem roupas claras, principalmente de cor branca. O velório será um gurufim, ritual de origem africana, trazido ao Brasil por povos escravizados, e que se manifesta em velórios festivos, marcados pela música, dança, comida e bebida. O objetivo é celebrar a vida de quem partiu e amenizar a dor da perda, transformando o luto em homenagem e alegria. A bateria da escola também se apresentará durante o velório.
Origem
A palavra gurufim tem origem no idioma quimbundo, falado em Angola, e significa adeus ou despedida. Nas culturas de matrizes afro-brasileiros, especialmente no candomblé e na umbanda, o gurufim assume um significado mais profundo de ritual, envolvendo o encaminhamento da alma.
Nos lares brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, os velórios antigos eram velados em casa, no centro da sala. O corpo só ia para o cemitério na hora do enterro. Então, essa cerimônia aproximava todos os moradores da rua e do entorno das comunidades. As pessoas ficavam conversando, tomando café, comendo e bebendo. Durante toda a noite e madrugada, se revezando no velório.
O enterro está programado para este domingo (10) às 11h, no cemitério Jardim da Saudade, na Sulacap, zona oeste da cidade. Antes de deixar a quadra, haverá uma cerimônia restrita, apenas para familiares e amigos. O artista morreu nesta sexta-feira (8), em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Desde 2017, ele enfrentava sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC).
Nas redes sociais, o Cacique de Ramos emitiu uma nota em que diz ter registrado, “com profundo respeito”, a partida de Arlindo Cruz: “Sua trajetória permanece inscrita na história do samba e na memória da nossa instituição, como autor e intérprete que, com talento singular, integrou capítulos essenciais da nossa caminhada.”
A escola de samba carioca Império Serrano também teve papel de destaque na carreira de Arlindo. Ele compôs 12 sambas-enredo para os desfiles na avenida. E foi homenageado pela agremiação com um enredo em 2023 (foto).
“O Império Serrano lamenta, com imenso pesar e profunda dor, o falecimento de Arlindo Cruz, aos 66 anos, um dos maiores nomes da história do samba e filho ilustre da nossa coroa imperial”, disse a nota da escola.
Sambista e cantor Arlindo Cruz. Foto: arlindocruzobem/Instagram
TV Brasil
Neste sábado, 23h, a TV Brasil reexibiu o programa Samba na Gamboa, com Arlindinho Cruz, que homenageou o pai. A apresentação é da cantora Teresa Cristina.
Na sexta-feira, o programa Sem Censura, da TV Brasil, exibiu uma edição temática para reverenciar o cantor e compositor. A edição já estava gravada e programada para ir ao ar. O programa, apresentado por Cissa Guimarães, também contou com a participação de Arlindinho, da produtora Babi Cruz, esposa do músico, e do escritor Marcos Salles, que lança o livro O Sambista Perfeito, biografia do consagrado artista. A jornalista Fabiane Pereira foi a debatedora.
Fonte: Agência Brasil
Notícias Relacionadas:
Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação
Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.
Participe do nosso grupo no Whatsapp
ou