Câmera corporal registra PM da Rota atirando e matando policial civil durante ação

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A gravação foi feita pela câmera do sargento Marcus Augusto Mendes.

Por Diego Cavalcante

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Imagens de uma câmera corporal mostram o momento em que um sargento da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) atira contra uma equipe da Polícia Civil durante uma operação na comunidade do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, no último dia 11. A ação resultou na morte do agente de telecomunicações Rafael Moura e deixou ferido, de raspão, o investigador Marcos Santos de Sousa.

A gravação foi feita pela câmera do sargento Marcus Augusto Mendes. Nas imagens, é possível ver o momento em que ele entra em uma viela da comunidade e se depara com Marcos, que usava colete balístico, mas não verbaliza que é policial. Ele aparece empunhando uma arma. Atrás dele, estava Rafael Moura, sem colete e sem identificação da Polícia Civil.

Em questão de segundos, o sargento atira. Marcos é ferido de raspão na cintura, enquanto Rafael é atingido no peito. O agente chegou a ser socorrido e internado em estado grave no Hospital das Clínicas, mas morreu no dia 16.

Após os disparos, a confusão se instala. Rafael, mesmo gravemente ferido, grita: “Eu sou polícia, caralho!” antes de cair no chão. O sargento da Rota, visivelmente abalado, aciona o socorro e tenta prestar atendimento. Os colegas de Rafael, desesperados, xingam o PM: “Ele tomou [tiro] no peito, porra, vai tomar no cu, filha da puta, seu comédia”.

Um dos policiais civis pergunta se a câmera do sargento estava ligada — o que é confirmado. Momentos depois, Marcos percebe que também foi baleado de raspão.

Defesa dos PMs

As defesas do sargento Marcus Mendes e do cabo Robson Santos Barreto, também envolvido na ação, afirmam que os disparos foram legítimos, alegando que:

  • O policial civil não se identificou verbalmente e apontou uma arma;
  • Rafael Moura não usava colete nem estava identificado como policial;
  • A ação foi rápida e a decisão de atirar visou proteção da equipe;
  • O atendimento prestado à vítima seguiu o protocolo de atendimento pré-hospitalar (APH);
  • Nenhum dos policiais da Rota foi preso em flagrante.

Polícia Civil investigava latrocínio

Segundo depoimento do investigador Marcos Santos, ele e a equipe estavam no local para apurar um latrocínio ocorrido na região do Campo Limpo. Eles já atuavam na comunidade há cerca de 20 minutos e, segundo ele, todos usavam distintivos da Polícia Civil.

Marcos relatou que Rafael avançou à frente da equipe e que a incursão foi feita de forma cautelosa e conforme os protocolos operacionais da Polícia Civil. No entanto, nas imagens captadas, Rafael não aparece com nenhum tipo de identificação visível.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi procurada para esclarecer se o agente de telecomunicações Rafael Moura poderia integrar aquela operação, já que ele não era investigador. Até a publicação desta reportagem, a SSP não havia se manifestado. O espaço segue aberto.

Com informações do Metrópoles

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