
Delegado fala sobre família que lavava milhões com empresa de fachada
Segundo o delegado Casanova, o grupo era composto por membros de uma mesma família — pai, mãe, filho, nora e irmãos — todos com antecedentes criminais...
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Por Fábio Wronski
Uma operação conduzida pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), sob a coordenação do delegado Ricardo Casanova, desmantelou um núcleo familiar envolvido em crimes de tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação, de caráter eminentemente patrimonial, teve como objetivo central descapitalizar o grupo, visando impedir a continuidade das atividades ilícitas na região.
Segundo o delegado Casanova, o grupo era composto por membros de uma mesma família — pai, mãe, filho, nora e irmãos — todos com antecedentes criminais relacionados ao tráfico de drogas e já detidos em outras ocasiões na última década. A investigação concentrou-se no patrimônio acumulado pelo grupo, uma vez que, apesar das prisões, os investigados continuavam movimentando e obtendo recursos provenientes do tráfico.
Durante as apurações, identificou-se que um dos principais integrantes da família, considerado o líder do grupo, estava foragido em Balneário Camboriú (SC). No local, ele utilizou documentos ideologicamente falsos em nome de terceiros para constituir uma empresa de fachada, supostamente do ramo de serviços de pintura. Em dois anos, essa empresa fantasma movimentou cerca de R$ 6 milhões em créditos, valor que foi efetivamente depositado em contas vinculadas à empresa inexistente. A movimentação financeira era oriunda do tráfico de drogas.
O líder foi preso pela polícia local no litoral catarinense, em posse de fuzis, dinheiro em espécie e em um apartamento de alto padrão à beira-mar. Além desse imóvel, uma chácara em Araucária também está sob investigação, assim como outros bens que teriam sido adquiridos com recursos ilícitos.
A operação envolveu a quebra de sigilos fiscais e bancários dos investigados, abrangendo o período de 2004 a 2016. Nesse intervalo, o grupo familiar movimentou aproximadamente R$ 19 milhões em créditos, com concentração significativa de recursos após a constituição da empresa fantasma. Parte desses valores foi utilizada na aquisição de materiais de construção, entregues em diversos endereços de Curitiba, que estão sob análise para identificação de possíveis imóveis registrados em nome de terceiros.
Durante as diligências, em um dos endereços relacionados a notas fiscais de material de construção, foi localizado um fundo falso, camuflado por um dispositivo magnético na cozinha, onde havia indícios de armazenamento de dinheiro, drogas ou outros materiais ilícitos. A descoberta foi possível graças ao trabalho dos cães farejadores da polícia.
Além dos crimes de tráfico e lavagem de dinheiro, o grupo é investigado por associação criminosa. Apesar de não haver, até o momento, apuração sobre envolvimento em outros delitos como homicídios, a investigação principal permanece no âmbito patrimonial.
No balanço da operação, oito pessoas foram presas. Duas não foram localizadas, sendo uma delas um indivíduo não pertencente à família, mas que também movimentou grandes quantias por meio de pessoa jurídica de fachada. Este último encontra-se foragido no exterior e possui dupla nacionalidade italiana. A PCPR avalia, em conjunto com a Polícia Federal, as medidas cabíveis para sua responsabilização, incluindo a possibilidade de interrogatório virtual.
Os bloqueios judiciais atingiram contas bancárias e bens em nome dos investigados, com o objetivo de impedir a continuidade das atividades criminosas. A análise documental prossegue para identificar e reter outros patrimônios adquiridos de forma ilícita, inclusive um imóvel recém-descoberto em Balneário Camboriú, supostamente vinculado à associação criminosa.
A operação representa um avanço significativo no combate ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, ao enfocar a descapitalização de organizações criminosas, estratégia considerada fundamental para a desarticulação dessas estruturas.
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