
Paranaense some na Ucrânia e mãe vive drama: ‘Só quero o corpo do meu filho’; Veja entrevista
O jovem Wagner iniciou a viagem saindo do Aeroporto de Cascavel ...
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Por Fábio Wronski
A família do jovem Wagner, de 30 anos, natural do Paraná, enfrenta dias de angústia e incerteza desde o início de junho, quando o brasileiro desapareceu na Ucrânia. Em entrevista concedida ao jornalista Julio Cesar Alves da Rádio Ampére FM, Maria de Lourdes Vargas, mãe do desaparecido, falou pela primeira vez sobre o sofrimento e a busca por informações concretas sobre o paradeiro do filho.
Wagner, filho mais velho de Maria de Lourdes, trabalhava como pedreiro no Paraná e em Curitiba antes de decidir viajar ao exterior. Segundo relatos da mãe, o jovem alimentava o desejo de atuar como voluntário em conflitos internacionais, considerando a experiência um sonho a ser realizado enquanto ainda era jovem. “Depois de mais velho eu não vou conseguir fazer, daí ele falou, vou ir, deu uma chance, eu vou ir. Aí eu falei, mas meu filho é tão longe, por que ir pra lá, tão distante, não pode fazer nada? Aí ele falou, não mãe, eu vou ir porque é um meio de ter alguma coisa a mais na vida”, relembra Maria de Lourdes.
A decisão de participar como voluntário foi tomada enquanto Wagner residia no Rio Grande do Sul. Mesmo diante dos apelos da mãe para que desistisse, o jovem manteve sua decisão. “Eu pedi, falei, não vá, não vá, como que vai pra tão longe? Ele falou, não mãe, eu vou ir, se Deus quiser vai dar tudo certo, mas não deu”, contou a mãe, emocionada.
Wagner permaneceu em Ampére até o início de março, quando embarcou para a Ucrânia, partindo de Cascavel. Durante sua estadia no país do leste europeu, mantinha contato diário com a mãe, trocando mensagens de bom dia todas as manhãs. “Todo dia ele mandava mensagem de bom dia, 6, 6 e 10 da manhã eu conversava com ele todo dia, todo dia”, relatou Maria de Lourdes.
O último contato ocorreu em 11 de junho. Na ocasião, Wagner avisou que ficaria alguns dias sem celular e prometeu retomar o contato assim que possível. A ausência de notícias prolongou-se até o dia 27 de junho, quando a família recebeu uma ligação informando sobre o desaparecimento do jovem. “Foi muito triste, eu não, até na verdade eu falei só um pouquinho com a mulher, e quando ela me deu a notícia eu conversei e não consegui mais falar, daí minha cunhada pegou o celular. Daí terminou a conversa”, recorda a mãe.
Desde então, a família enfrenta dificuldades para obter informações oficiais. Maria de Lourdes relata que, apesar dos contatos com a embaixada brasileira e com possíveis conhecidos de Wagner na Ucrânia, nenhuma resposta concreta foi oferecida. “Na verdade eu não tenho nada ainda. Um fala uma coisa, outro fala outra… manda e-mail lá pra dentro da embaixada lá, eles não me respondem, eles pedem pra mandar e-mail, eu mando, eles não dão notícias, não dão nada, a gente fica sem saber o que fazer”, lamenta.
A mãe também recebeu uma ligação de uma suposta médica na Ucrânia, que teria afirmado que Wagner não sobreviveu, mas não houve confirmação oficial. “Ela me ligou, eu estava conversando com ela, ela falou que ia tentar me ajudar. Ela que me ligou me falou que ele não tinha sobrevivido, mas daí eu não sei mais o que fazer. Daí não consigo ajuda para trazer de lá, né?”, disse Maria de Lourdes, que cobra respostas das autoridades. “Eu quero uma resposta oficial, se ele está vivo ou está morto, eu preciso saber. E se ele está, eu quero trazer ele, né, para pelo menos ter uma paz.”
A solidariedade de amigos, colegas de trabalho e conhecidos tem sido fundamental para a família enfrentar o momento. “Graças a Deus, nessa parte eu estou, eu agradeço quem está me ajudando, porque eu nem sei o que fazer. Eu não sei nem para onde começar, na verdade. Eu preciso de toda ajuda que puderem me ajudar”, afirma a mãe, que faz um apelo às autoridades brasileiras: “O que eu tenho para pedir é que todas as autoridades, todo o pessoal que puder me ajudar, mandar, dar notícia, para mim pelo menos conseguir trazer ele de lá, né? Porque eu acho que para uma mãe é a pior coisa, é ter um filho e não conseguir fazer nada por ele.”
Descrito como trabalhador, honesto e obediente, Wagner mantinha poucas conversas sobre os detalhes de sua atuação na Ucrânia, compartilhando apenas algumas fotos do local onde dormia. “Ele não mandava muita coisa, ele mandou umas fotos de onde ele dormia, na verdade, nos buracos, né? Só da roupa dele, da mochila, onde ele ficava, né? Ele dizia, mãe, é aqui que eu durmo. Eu até falei para ele, meu Deus, meu filho, isso não é vida. Ele falou, mamãe, é assim. Eu falei, mas por que não veio embora? Ele falou que tinha que ficar lá, pelo menos uns seis meses”, contou Maria de Lourdes.
A família segue aguardando por informações oficiais que possam esclarecer o paradeiro de Wagner e dar um desfecho à angústia vivida desde o início do mês de junho.
Colaboração: Julio Cesar Alves – Rádio Ampére FM.
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