43,5% dos jovens não confiam em nenhum partido político

Entre os eleitores de 16 a 24 anos, 17,7% disseram simpatizar com o Partido Liberal (PL), 16,5% com o Partido dos Trabalhadores (PT)...

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Por Redação CGN

Em uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Paraná Pesquisas, um número chama a atenção com mais força do que qualquer preferência partidária: 43,5% dos jovens entre 16 e 24 anos disseram não simpatizar com nenhum partido político. Esse percentual é o mais alto entre todas as faixas etárias, revelando uma tendência preocupante de afastamento político justamente de quem está começando a vida cidadã.

Em um país onde o voto é obrigatório a partir dos 18 anos, mas facultativo a partir dos 16, esse dado expõe não só uma falta de representação, mas uma crise de esperança. Afinal, o que faz com que quase metade da juventude brasileira se declare tão distante da política?

Vivemos tempos em que a política, cada vez mais polarizada e marcada por escândalos, parece não dialogar com os sonhos e angústias dos mais jovens. Eles, que deveriam ser ouvidos com mais atenção, estão sendo atravessados por uma sensação de que o sistema não os contempla, não os protege e não os inspira.

A juventude, muitas vezes, é especialista em enxergar o mundo por frestas que os adultos já esqueceram. Mas quando essas frestas se fecham, resta o desencanto.

Entre os eleitores de 16 a 24 anos, 17,7% disseram simpatizar com o Partido Liberal (PL), 16,5% com o Partido dos Trabalhadores (PT), e menos de 2,5% com qualquer outro partido. O dado mais eloquente, porém, é o que une essa geração pelo vazio: 0,8% dizem gostar de todos os partidos, enquanto 43,5% não simpatizam com nenhum.

A distância dos jovens da política não é sinônimo de apatia. Pelo contrário. Muitos estão mobilizados em causas ambientais, em projetos culturais de bairro, em redes de apoio entre amigos. Mas esses espaços raramente encontram eco dentro das estruturas partidárias tradicionais.

Não se trata de convencer jovens a escolher um lado no tabuleiro partidário, mas de reimaginar esse tabuleiro. Ou, talvez, permitir que eles construam um novo, com outras regras, outras vozes, outras prioridades.

O desencanto da juventude com a política tradicional não é um fim, mas um sintoma. E como todo sintoma, precisa ser escutado com delicadeza. Talvez o futuro da democracia brasileira dependa menos de conquistar o voto jovem, e mais de abrir espaço para que ele se expresse do seu jeito, com suas pautas e seus silêncios também.

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