
Audiência Pública em Cascavel vira barraco após ofensas a professores
Durante a audiência, dois vereadores se destacaram por declarações consideradas ofensivas pelos professores presentes, o que gerou reações imediatas e vaias do público. O primeiro a...
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Por Silmara Santos
Na noite da última quarta-feira (18), a Câmara Municipal de Cascavel foi palco de uma audiência pública para debater os impactos da revogação da Lei 4.958 de 2008, aprovada pelos vereadores do município. O evento, presidido pelo vereador Xavier (Republicanos), ficou marcado por momentos de tensão e embates verbais entre parlamentares e representantes da classe dos professores.
Durante a audiência, dois vereadores se destacaram por declarações consideradas ofensivas pelos professores presentes, o que gerou reações imediatas e vaias do público. O primeiro a se manifestar foi o vereador Antonio Marcos (PSD), que, após agradecer aos professores por sua trajetória pessoal, fez uma comparação polêmica envolvendo a categoria.
“E fico muito agradecido a todas as pessoas que me ajudaram nesse caminho. Mas trago aqui a importância que todos nós, todos nós, sem dúvida nenhuma, sabe que tem os professores na vida de uma pessoa. Se estou aqui hoje, é graça a algum professor. Né, vários professores. Tanto é que quando eu sei que a pessoa é professor, pode ter qualquer outro título, eu chamo ela por professor. Se ele é juiz, eu o chamo de professor, pelo respeito que tem. E quero dizer o seguinte, que nos estresse quando distorce as informações. Assim, presidente, como existe mau caráter na polícia, bandidos na polícia, bandidos na política, em outros setores, também nós temos mau caráter de bandidos entre os professores”, declarou o vereador.
A fala causou indignação entre os professores presentes, que reagiram com vaias diante do que consideraram uma generalização ofensiva à categoria.
Na sequência, o vereador Rondinelle Batista (Novo) também foi alvo de críticas ao levantar o que chamou de “dois problemas” envolvendo os professores. Ele mencionou a incidência elevada de atestados médicos entre os profissionais e questionou o sistema de aprovação dos alunos, sugerindo que “muitos alunos fingem que aprendem e muitos professores fingem que ensinam”. Suas declarações foram amplamente vaiadas pelos professores e servidores presentes à sessão.
“Agora, aqui eu queria trazer dois problemas que eu ouvi, e isso serve como bandeira para nós, para o sindicato, nós, como vereadores, e também para a Secretaria de Educação. Dois problemas que eu encontrei. Primeiro, uma incidência elevada de atestado médico, muitos profissionais com atestado médico. Isso é algo que a gente precisa debater e conversar. E outra que me entristece muito, vou pedir só mais um minuto, não vou usar esse minuto, mas só mais um minuto para eu concluir. E outra que me entristece muito é de um aluno não reprovar. Eu sou do tempo que reprovava, que ensinava e só passava quem de fato sabia. Então dar-se a impressão, secretário, nós precisamos trabalhar muito para mudar, eu gostaria que mudasse isso. Dar-se a impressão, não é o que eu vou dizer, mas dar a impressão que muitos alunos fingem que aprendem e muitos professores fingem que ensinam. E eu acho que não deve ser assim. Nós devemos nos preocupar mesmo… Acho que vocês entenderam, eu falei dar-se a impressão. Se serviu a carapuça para alguém, vista.”, afirmou Rondinelle.
Em resposta às declarações, a presidente do Sindicato dos Professores de Cascavel (Siprovel), Gilsiane Quelin Peiter, criticou duramente as falas dos vereadores. Ela chegou a ser interrompida pelo presidente da audiência, vereador Xavier, ao iniciar sua manifestação.
“Primeiro, antes de iniciar a minha fala, eu queria fazer duas inserções que não estavam no roteiro, mas a gente não pode passar por alguns momentos, ouvir algumas falas lamentáveis e não nos manifestarmos. Então assim, vereador Antônio Marcos, no Japão nós somos chamados de mestres, sábios e somos prioridade. Você nos chamou de bandidos. Então, redestacar como que o Brasil…”, disse Gilsiane, antes de ser interrompida.
O vereador Xavier interveio, solicitando a suspensão da fala da presidente do Siprovel para ressaltar que a declaração de Antonio Marcos fazia referência à existência de pessoas de mau caráter em todos os segmentos, e não especificamente aos professores.
Ao retomar a palavra, Gilsiane lamentou o corte de sua manifestação e criticou o tratamento dado à categoria.
“E aí, lamentar o corte da minha palavra, porque é assim que eles costumam fazer com os professores, a gente não tem direito de falar, a gente é todo tempo cortado, né? Vereador Rondinelli, acho que lhe falta bastante chão de sala de aula quando você diz que fingimos que estamos trabalhando. Nós estamos, além das nossas forças nas unidades da rede municipal de educação, faltando o que está faltando na rede municipal. Então nós não fingimos nada, nós estamos nos sacrificando pela educação do município de Cascavel”, concluiu.
A audiência pública, que tinha como objetivo discutir os efeitos da revogação da Lei 4.958 de 2008, acabou sendo marcada pela tensão entre vereadores e professores, evidenciando o clima de insatisfação da categoria diante das falas dos parlamentares.
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