O novo pedágio da BR-277 - Pague agora, espere sentado

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Ora, o que justifica essa cobrança? Uma frota de guinchos e ambulâncias? Asfalto novo em meia dúzia de quilômetros? Nada disso vale esse preço — e todos sabemos.
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Por Redação CGN

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Editorial CGN – A cada novo leilão de rodovia, a promessa se repete: tarifas acessíveis, obras rápidas, segurança garantida. E, mais uma vez, a realidade dá um tapa na cara do contribuinte. A recém-anunciada tabela de preços da concessionária EPR Iguaçu para o trecho entre Prudentópolis e Foz do Iguaçu escancara o absurdo: o motorista pagará R$ 95,70 por trecho. Ida e volta somam quase R$ 200 — por uma estrada que continua, em grande parte, sem duplicação, sem modernização e com risco constante de acidentes.

Ora, o que justifica essa cobrança? Uma frota de guinchos e ambulâncias? Asfalto novo em meia dúzia de quilômetros? Nada disso vale esse preço — e todos sabemos. O governo e a concessionária nos vendem a ilusão de que “os investimentos já começaram”, mas o que realmente começou foi o avanço ao bolso do cidadão.

Mais grave ainda é o cronograma de obras: a duplicação da BR-277, carro-chefe do projeto, só deve começar efetivamente daqui a três anos, com conclusão prevista para 2030 ou além. Ou seja: pague agora, talvez receba depois — isso se os prazos forem cumpridos, o que, no histórico das concessões no Brasil, é uma aposta arriscada. Não há garantias, apenas a certeza de que o cidadão será o primeiro a pagar.

Você, internauta da CGN, já deve saber — até porque já produzimos reportagens a respeito — que há um “degrau tarifário” embutido nestes novos contratos de pedágio. Alguns até dirão: “Mas vale a pena, vamos pagar agora para depois termos a duplicação”. Não, e explicamos por quê: quando — e se — as obras forem concluídas, haverá novo aumento. Esse tal degrau tarifário poderá elevar as tarifas em até 40% sobre o que já estamos pagando. Isso mesmo: além de pagar antes por algo que ainda não existe, pagaremos ainda mais quando — ou se — isso vier a existir.

E não para por aí. A população ainda terá que lidar com novas praças de pedágio. Trechos onde antes se trafegava sem pagar nada agora terão cobrança. A implantação dessas novas praças já foi anunciada para três municípios do Sudoeste: Lindoeste (BR-163), Ampére (PR-182) e Pato Branco (PR-280). O prazo para essa implantação é de até 12 meses — e, quanto a isso, podemos apostar que não haverá atraso. Afinal, quando se trata de começar a cobrar, a eficiência costuma ser invejável. Ou você acha o contrário? Em suma: mais cobrança, mais promessas, mais paciência exigida do cidadão.

É este o novo modelo de pedágio do Paraná? Um modelo onde o lucro é imediato e garantido, enquanto a entrega é procrastinada? Enquanto isso, motoristas pagam caro para dirigir por pistas perigosas, estreitas, e com tráfego pesado de caminhões. E o povo do Oeste do Paraná, que há décadas clama por melhorias, mais uma vez fica com a parte ingrata da equação: o ônus sem o bônus.

A resposta não pode ser resignação. O papel do cidadão, da imprensa livre e da oposição política responsável é exigir transparência, cronogramas públicos, punições reais por descumprimento de metas e tarifas justas. Chega de discursos técnicos que apenas camuflam o abuso. Não é técnico cobrar caro por algo que não foi entregue. É imoral.

Os paranaenses merecem mais do que promessas com data de validade vencida. Merecem respeito — e isso começa por um modelo de concessão que funcione para quem paga, não apenas para quem arrecada.

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