Rio: equipe encontra memorial para mortos da ditadura em deterioração

Publicado em

Relacionadas:

Foto: Reprodução/CGN

Por CGN

A diligência técnica ocorreu na quarta-feira (21) e os detalhes foram divulgados nesta quinta (22), em uma audiência pública na sede do Arquivo Nacional, no centro da cidade. A CEMDP é um órgão de Estado que conta com apoio técnico-administrativo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Três prateleiras de cada lado armazenavam o material, organizado por tipo de osso: uma para crânios, uma para membros inferiores e outra para membros superiores.

Depois da abertura da porta, os peritos tiveram de esperar trinta minutos para entrar no ossuário, para que fosse ventilado e permitisse condições mínimas de salubridade. 

Com a ajuda de lanterna potentes, eles tiveram uma surpresa negativa ao analisar o local.

Havia gotejamento nas paredes e no teto. Caramujos e insetos circulavam pelo chão. Os ossos no chão e nas prateleiras foram recolhidos e colocados em cinco caixas lacradas. 

Para mitigar os problemas encontrados, a equipe da CEMDP sugere melhorias para aumentar a ventilação e vedar fendas que permitem entrada de água no ossário. A porta do local foi interditada e lacrada.

Devido à política de desocupação de covas, os remanescentes ósseos eram transferidos para um ossário central. Ao atingir a capacidade máxima do ossário central, os remanescentes foram transferidos para uma vala clandestina, descoberta pelo grupo.

Depois da descoberta da vala clandestina, foi iniciado o processo de identificação genética. Esse processo foi encerrado em 1993, devido à impossibilidade de encontrar os 14 desaparecidos entre os 2,1 mil remanescentes ósseos.

Em 2014, graças aos desdobramentos da Comissão Nacional da Verdade, foi identificado um 15º desaparecido inumado no local: Joel Vasconcelos Santos.

A diligência desta quarta-feira encontrou o memorial descaracterizado da formatação original, sem os espelhos, marcas de desgaste das placas com os nomes dos desaparecidos, entre outros problemas.

A partir da visita, foram levantadas questões para melhorar e recuperar o memorial: 

digitalização dos livros e indexação das informações;
análise dos livros em busca de sepultamentos suspeitos e de pessoas inumadas sem identificação;
cruzamento das informações levantadas com informações do IML;
busca nos registros policiais das ocorrências levantadas;
levantamento do número das quadras dos sepultamentos e atual localização das mesmas, bem como os registros de movimentação dos restos mortais;
busca de informações e documentos que possam estar em poder da Santa Casa de Misericórdia, entidade que administrava os cemitérios na década de 1970.

Fonte: Agência Brasil

X