Em Cascavel, problemas com Kwid E-Tech ligam alerta para quem depende de carro elétrico no dia a dia

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Em Cascavel, a história de um motorista de aplicativo mostra como o que deveria ser um recomeço sustentável pode se transformar em mais um obstáculo n...
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Divulgação Renault

Por Redação CGN

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No Brasil, o número de motoristas por aplicativo que optam por veículos elétricos cresce a cada mês. Em busca de economia e menor impacto ambiental, muitos veem na tecnologia uma promessa de dias melhores — um investimento em si mesmos. Mas e quando o futuro enguiça na primeira curva?

Em Cascavel, a história de um motorista de aplicativo mostra como o que deveria ser um recomeço sustentável pode se transformar em mais um obstáculo na vida de quem trabalha para sobreviver. Ele comprou, em novembro de 2024, um carro elétrico zero quilômetro, modelo Renault Kwid E-Tech. Poucos dias depois, o veículo deixou de funcionar.

O relato consta de uma ação judicial movida contra a montadora e a concessionária. O carro novo apresentou pane elétrica quatro dias após a entrega. O motorista trabalha exclusivamente com aplicativo e ficou sem condições de exercer a profissão por vários dias. A concessionária comprometeu-se a fornecer um carro reserva — mas este só foi entregue após quatro dias, tempo suficiente para comprometer o orçamento de quem vive do que fatura diariamente.

Mais do que um defeito mecânico, o problema foi uma quebra de confiança. “O bem, que deveria representar segurança, conforto e instrumento essencial de trabalho, converteu-se em fonte de transtornos, prejuízos e abalo emocional”, afirmou sua defesa.

Durante quase um mês, o veículo permaneceu retido para conserto. Depois, voltou a apresentar falhas — desta vez no carregador de celular, essencial para o uso do aplicativo de transporte. Cada parada significava mais dias sem renda, mais tensão. Para continuar rodando, o motorista teve que recorrer a um carro a combustível, arcando com gastos que antes estavam fora de seu planejamento. A economia prevista com a eletricidade se esvaiu entre boletos, combustível e a insegurança de não saber quando poderia voltar a confiar em seu instrumento de trabalho.

Mesmo com todas as dificuldades, ele buscou alternativas: apresentou queixa no Procon, procurou apoio legal e acionou a Justiça. A ação pedia indenização por danos morais, materiais e lucros cessantes. Um acordo foi fechado: R$ 7.000, pagos pela montadora “por mera liberalidade”, sem admissão de culpa.

Essa história não é isolada. O documento da ação relata que o modelo Kwid E-Tech vinha apresentando problemas semelhantes em outras partes do país, segundo dados do próprio Procon. Para quem depende do carro não apenas para se locomover, mas para comer, falhas como essa não são “incômodos pontuais”. São crises pessoais.

O caso foi encerrado judicialmente. O motorista voltou às ruas, provavelmente com uma mistura de cautela e resiliência. Porque quem vive do próprio esforço aprende, cedo ou tarde, que recomeçar faz parte — mas custa caro.

O acordo foi homologado pelo Juiz de Direito Osvaldo Alves da Silva.

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