Sindigás diz que retomar diferenciação de preços do GLP é retrocesso e inibe investimentos

“O Sindigás alerta que retomar a diferenciação que vigorou nos anos 2000, por quase 20 anos, é um retrocesso”, disse a entidade em nota nesta quarta-feira,...

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Por Agência Estado

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) disse que recebeu com surpresa as declarações do presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre o interesse da empresa em impedir o crescimento do uso do GLP no segmento empresarial. Para a entidade, a possibilidade de adoção de preços diferenciados para o GLP “é um retrocesso” e vai inibir investimentos no setor.

“O Sindigás alerta que retomar a diferenciação que vigorou nos anos 2000, por quase 20 anos, é um retrocesso”, disse a entidade em nota nesta quarta-feira, 7, um dia após as declarações de Magda durante a Offshore Technology Conference (OTC), maior conferência mundial da indústria de petróleo e gás em águas profundas, que acontece em Houston, no Texas, nesta semana.

Segundo o Sindigás, o preço diferenciado do GLP já foi amplamente analisado por estudos técnicos e acadêmicos, e se mostrou negativo. “Desestimulou investimentos, gerou gargalos no abastecimento e prejudicou consumidores, distribuidores e a própria Petrobras”, avaliou.

Para a entidade, a decisão desconsidera a relevância do GLP como energético para pequenas indústrias e estabelecimentos comerciais e ignora o risco de um efeito cascata nos preços. “Ignora ainda que, desde 2016, o GLP da Petrobras subiu 185%, enquanto a margem das distribuidoras cresceu 44% no período”, alertou.

O Sindigás explica que para pequenas indústrias e empresas de serviços, inclusive a maioria dos bares, restaurantes e padarias do país, o GLP é hoje a melhor escolha justamente por ser um energético com bom custo-benefício e com competitividade entre os fornecedores.

“Impedir que o produto chegue a mercados onde é competitivo contraria a lógica de um mercado livre e prejudica os consumidores finais ao desorganizar a logística e onerar toda a cadeia de um setor essencial, que atende 90% da população em 66 milhões de lares do País”, afirmou o Sindigás.

A entidade destacou ainda, que os leilões realizados atualmente pela Petrobras já têm causado distorções no mercado, com aumento de custos, falta de previsibilidade e insegurança no fornecimento. Segundo fontes, a estatal tem vendido parte da sua produção de GLP às distribuidoras por meio de leilões, além da quantidade fornecida regularmente a preço tabelado. Para acessar volumes adicionais, as empresas precisam disputar lotes em um modelo de quem paga mais leva, o que eleva significativamente o custo final do produto.

Em Houston, Magda confirmou a realização de leilões de GLP, com objetivo de evitar a escalada de preço do produto, enquanto estuda a diferenciação de preços do GLP industrial e o gás de cozinha (botijão de 13 kg).

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