
Trabalhador gay escravizado que foi obrigado a tatuar iniciais do patrão por trisal pode receber R$ 1,3 mi
De acordo com as investigações, o homem foi mantido em condições degradantes por nove anos, sofrendo abusos sexuais e psicológicos. Ele foi forçado a tatuar a...
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Por Diego Cavalcante
Três homens que formavam um trisal foram presos por manter duas pessoas em situação análoga à escravidão em Planura, no Triângulo Mineiro, a cerca de 585 km de Belo Horizonte. As vítimas, um homem homossexual e uma mulher transgênero, ambos uruguaios, foram resgatados durante operação realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com as investigações, o homem foi mantido em condições degradantes por nove anos, sofrendo abusos sexuais e psicológicos. Ele foi forçado a tatuar a inicial de um dos patrões no corpo. Já a mulher transgênero sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), possivelmente causado pelo estresse e pelas violências que enfrentou e testemunhou no local.
A operação, realizada em duas etapas, nos dias 8 e 15 de abril, foi desencadeada após uma denúncia que revelou graves violações de direitos humanos, incluindo cárcere privado, exploração sexual, violência física e jornadas exaustivas sem remuneração. Os trabalhadores viviam em condições precárias, sem acesso a direitos básicos.
Segundo o MTE, as vítimas foram aliciadas por meio de redes sociais, onde os empregadores se aproveitavam da vulnerabilidade socioeconômica e afetiva de pessoas LGBTQIAPN+ para oferecer falsas promessas de emprego e acolhimento. O objetivo era estabelecer vínculos de confiança para, em seguida, submetê-las a situações abusivas.
A ação contou com a participação da Polícia Federal, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Clínica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo da UNIPAC. Os três acusados foram presos em flagrante e as vítimas estão recebendo assistência médica, psicológica e jurídica por meio da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da UNIPAC.
O MPT ajuizou uma ação civil na Justiça Trabalhista, solicitando que os réus sejam condenados a pagar R$ 300 mil à vítima masculina, referentes a verbas salariais e rescisórias, além da regularização do vínculo empregatício entre 2016 e 2025. A ação também pede R$ 1 milhão por danos morais e existenciais, e R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
A reportagem procurou o MTE para saber se a mulher trans também será incluída no pedido de indenização. Até o momento, não houve resposta.
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