Brasil busca mitigar riscos e eliminar barreiras no comércio com EUA, diz Tatiana Prazeres

Em audiência pública na Câmara dos Deputados sobre os efeitos da política comercial de Donald Trump, Prazeres contou que, no diálogo com os americanos, o governo...

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Por Agência Estado

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, afirmou nesta terça-feira, 29, que o Brasil tem buscado junto aos Estados Unidos mitigar os riscos gerados pelo tarifaço e eliminar as barreiras que afetam o comércio dos brasileiros com os norte-americanos. Segundo ela, as conversas têm ocorrido de forma regular por videoconferência, no âmbito do Acordo de Comércio e Cooperação Econômica dos dois países.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados sobre os efeitos da política comercial de Donald Trump, Prazeres contou que, no diálogo com os americanos, o governo tem destacado a importância do comércio bilateral, frisando que o Brasil não é um problema para os Estados Unidos, que guarda superávit comercial nas trocas com os brasileiros. Para ela, essa situação mostra que o País não deve ser um foco de atenção de Trump, o que, na visão da secretária, tem se refletido na realidade. “O Brasil não tem sido foco de atenção”, disse Prazeres.

Nas tratativas com os norte-americanos, o Brasil também tem ressaltado a integração produtiva entre os dois mercados, como acontece no setor siderúrgico, explicou a auxiliar do ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin. “O vice-presidente tem dito que não há vencedores numa guerra comercial, mensagem importante que orienta nossa atuação, para buscarmos negociar com os EUA, e é o que temos feito”, disse Prazeres.

A secretária também pontuou as implicações globais da política do republicano, com repercussões no multilateralismo e no conceito do comércio baseado em regras. “Entre as implicações, estão o risco de tensões comerciais, contramedidas em cadeia, retaliações, aumento incerteza global, pressão negativa sobre PIB mundial, comércio, também pressão sobre investimentos”, listou a secretária.

Sobre o mercado interno, entre os impactos negativos para o Brasil estão o desvio de comércio, com aumento de importações para cá, e o risco de produtores brasileiros perderem acesso ao mercado americano. Esse segundo risco, por sua vez, é relativamente menor agora porque o Brasil ficou na lista dos países com a menor tarifa adicional aplicada por Trump, de 10% – embora neste momento as taxas recíprocas maiores estejam suspensas, com exceção sobre as aplicadas a China.

“Estamos monitorando as importações para identificar eventuais desvios de comércio, conversado com CNI, Fiesp, para que rapidamente possamos identificar caso venha acontecer”, disse Prazeres.

Ela ainda citou eventuais oportunidades para o Brasil nesse novo cenário, como no agronegócio e em outros setores que possam ter vantagem para entrar no mercado americano com a alíquota menor. “Há notícias de que importadores americanos passam a sondar produtores brasileiros em diferentes setores, a confirmar se estas perspectivas se confirmem, mas é importante monitorar eventuais vantagens”, disse.

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