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“Carga é de polícia”: Depoimentos revelam participação de policial civil e tira aposentado para recuperar carga de celulares e cigarros

O suposto assalto no Cancelli revelou uma diligência ilegal dos servidores públicos para recuperar uma carga de contrabando e descaminho ...

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Por Fábio Wronski

Na última quinta-feira (30), um caso de suposto assalto com refém foi registrado pela Polícia Militar de Cascavel, na Rua Visconde do Rio Branco, no Bairro Cancelli. A ocorrência foi atendida pelo Pelotão de Choque, após a comunicação de que três homens armados haviam invadido uma residência, rendendo um homem na entrada da casa. A segunda vítima, uma mulher, conseguiu se trancar no banheiro e testemunhou o ocorrido.

Com as primeiras informações, as viaturas da PM se deslocaram rapidamente para o local e, ao chegarem, encontraram três suspeitos. Entre eles, estavam um policial civil lotado em Santa Terezinha de Itaipu, um policial civil aposentado e um terceiro homem, que não possuía vínculo com a Polícia, mas estava armado.

Durante a abordagem, os suspeitos alegaram ser parte de uma equipe de investigação não oficial, supostamente investigando um roubo. Para esclarecer a situação, o tenente da PM entrou em contato com o delegado chefe da Polícia Civil de Cascavel, que informou que nenhum procedimento estava em andamento ou autorizado pela sua instituição.

Com isso, os três envolvidos foram encaminhados à 10ª Regional de Flagrantes para prestarem depoimentos ao delegado de plantão. A equipe da CGN obteve acesso aos depoimentos dos detidos e das vítimas e traz à tona as diferentes versões sobre os acontecimentos.

Depoimento de suspeito

O primeiro depoimento foi de um dos suspeitos envolvido no fato, ele teria envolvimento com o transporte de uma carga de celulares e cigarros, roubada em Prudentópolis. Ele afirmou ter contratado um motorista para transportar o contrabando, sendo que ambos receberiam R$ 100,00 por volume transportado. No entanto, a carga, avaliada em R$ 2 milhões, teria sido roubada por uma quadrilha de “Piratas do Asfalto”, e o motorista, que supostamente participou do roubo, estaria envolvido.

O homem contou ainda que, ao investigar de forma independente, encontrou um rastreador no caminhão, que apontava para a residência da Rua Visconde do Rio Branco. Convencido de que o imóvel era de um dos assaltantes, ele chamou o policial civil de Santa Terezinha de Itaipu e o policial civil aposentado para investigarem o local. Chegando à casa, eles visualizaram um veículo Sonata com placas semelhantes às repassadas pelo motorista, o que os levou a querer “conversar” com o morador.

Depoimento da vítima

A vítima do suposto assalto também prestou depoimento, detalhando como foi abordada pelos homens, sendo que pelo menos dois deles estavam armados. Ela afirmou que os suspeitos, de maneira truculenta, questionaram sobre uma carga de contrabando e descaminho roubada, com valor estimado em R$ 2 milhões. Eles teriam dito que a carga pertencia a um policial e que a situação precisava ser resolvida, “por bem ou por mal”.

Depoimento policial civil envolvido

O policial civil envolvido no caso explicou que foi chamado para investigar o roubo da carga de celulares, mas que a princípio seu papel seria apenas passar pela residência suspeita e observar a situação. Ao chegar no local, o policial disse que a abordagem do morador foi feita impulsivamente pelo responsável pela carga contrabandeada. Ele ainda afirmou que conheceu os outros dois envolvidos três dias antes e que não queria comprometer sua carreira policial. Ao ser questionado sobre o motivo de estar dando apoio a contrabandistas, o policial alegou que estava apenas garantindo a segurança da investigação.

Depoimento investigador envolvido

Por fim, o investigador aposentado, o qual já tem várias anotações criminais, explicou que foi indicado por um amigo de Foz do Iguaçu, devido à sua experiência e contatos em Cascavel. Ele alegou que sua missão era apenas passar pela frente da casa suspeita e verificar se conhecia os moradores, sem saber que se tratava de uma carga de contrabando. Em seu depoimento, o policial aposentado afirmou não ter feito qualquer abordagem ou interação com a vítima, nem ter sacado armas ou ameaçado os moradores.

Após os depoimentos, os três homens — o policial civil, o investigador aposentado e o responsável pela carga roubada — tiveram suas prisões convertidas para preventiva, enquanto as investigações continuam.

Conforme a Polícia Civil, o servidor público lotado em Santa Terezinha de Itaipu e o servidor aposentado foram autuados pelos crimes de abuso de autoridade e ameaça. O terceiro indivíduo também foi autuado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Além das autuações criminais, a PCPR instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar, que poderá resultar na demissão do policial civil da ativa.

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