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Empresa de Cascavel, incubada na Fundetec, busca produzir fosfoetanolamina

Empresa pertence a quatro advogados e proposta deve seguir para aprovação da Anvisa no próximo mês......

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Por Mariana Lioto

Há alguns anos a fosfoetanolamina foi apontada como esperança para a cura do câncer. A pesquisa desenvolvida no Brasil para testar sua eficiência foi suspensa depois de resultados iniciais insatisfatórios. Atualmente, no entanto, uma empresa de Cascavel está buscando a autorização para produzir e comercializar a fosfoetanolamina não como um medicamento, mas como um suplemento alimentar.

A Aka Indústria e Comércio de Alimentos Naturais Suplementares e Nutraceuticos Ltda-me tem como sócios quatro advogados. Katy Taborda é uma das sócias e afirma que apesar de não ser da área médica ou farmacêutica conheceu a fosfo em 2015, quando o pai teve um câncer inoperável no esôfago e foi desenganado pelos médicos. Ela buscou uma decisão judicial para que ele pudesse ter acesso e ser tratado com o composto.

“Ele foi para casa com 40 quilos, não comia mais. Não vou dizer que a radioterapia e quimioterapia não ajudaram, mas acredito que a fosfoetanolamina contribuiu. Meu pai se recuperou e hoje tem 72 anos”, conta, “eu com estes amigos vimos este nicho de mercado para desenvolver o produto e levar ao mercado como uma complementação”, disse.

Além de Katy, que atualmente tem cargo comissionado na Câmara de Vereadores Cascavel, participam da empresa Adani Primo Triches (atualmente é nomeado presidente da Cohavel, presidente da Sociedade Rural do Oeste e foi candidato a vice-prefeito pelo PMDB em 2016), Alessandra Rudolpho Stringheta Barbosa (que foi candidata a deputada estadual pelo PSL, antigo partido de Bolsonaro, em 2018) e o também advogado Gustavo Agnes das Meces.

A empresa foi encubada em setembro de 2018 para funcionar na Fundetec, condição que exige que ela seja considerada uma inovação no mercado. Ainda não há produção. Até o momento a empresa fez o projeto e obra do laboratório, que está na fase final. A expectativa é ter a aprovação da vigilância local sobre o espaço, para, no próximo mês, poder encaminhar para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o pedido para a produção em si. Katy acredita que o processo junto ao órgão nacional deve demorar de três a seis meses.  A Aka acredita que aprovação da Anvisa ocorrerá aceitando as evidências internacionais, já que nos EUA já existe o registro da fosfoetanolamina como um suplemento.

Hoje quem pesquisa pela fosfoetanolamina na internet encontra a venda de um produto feito fora do país ao custo de cerca de R$ 450 o frasco com 90 comprimidos. O objetivo da empresa de Cascavel é produzir 10 mil embalagens por mês, vender pela internet para todo o Brasil e conseguir um preço em torno de 50% menor que o composto vindo de fora. A Aka não tem conhecimento de empresas no Brasil que produzam e vendam a fosfoetanolamina regularmente. O produto elaborado em Cascavel ainda não está batizado, mas não deverá ter “fosfo” no nome.

“O suplemento não pode ser vendido com indicação terapêutica, não posso dizer que ele vai curar o câncer. Entendemos que o suplemento vai auxiliar o sistema imunológico da pessoa. O suplemento é composto pela fosfoetanolamina, cálcio, zinco e magnésio”, afirma Katy.

Katy acredita que, no futuro, a substância, chegará a ser aprovada como medicamento, mas este é um processo bem mais longo, que pode durar mais de dez anos, pois exige testes de eficácia e segurança (controle de reações adversas). A estrutura para fabricar um medicamento também tende a ser bem maior, só ao alcance de grandes laboratórios.

A fosfoetanolamina é conhecida pela ciência desde 1940 por ser produzida naturalmente pelo corpo humano e presente no leite materno. Na década de 1960 a substância foi sintetizada para produção em laboratório. É a fosfoetanolamina sintetizada que está presente no composto em desenvolvimento em Cascavel.

Entre 2016 e 2017 – na época que a fosfo chegou a ser chamada de “pílula do câncer” e o assunto tomou o debate da saúde, da ciência e da política – um estudo clínico foi iniciado pelo Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). Primeiramente os pesquisadores avaliaram a toxicidade da substância com um grupo pequeno de pacientes para garantir que não havia efeitos adversos graves. Na segunda fase, com um número maior de pessoas com câncer, a grande maioria não apresentou resposta objetiva ao medicamento, com a redução do tumor. Assim, não houve inclusão de novos pacientes para uma terceira fase que era prevista.

A CGN pediu para conversar com algum responsável técnico pela produção da Aka, mas o contato não foi estabelecido até a publicação desta reportagem.

Incubação

A Fundetec é uma fundação pública para o desenvolvimento científico e tecnológico que tem atualmente 16 empresas incubadas. Para ser selecionada a empresa se submete a um edital que visa identificar produtos e serviços inovadores em nossa região.

Quando uma proposta chega, ela é avaliada por cinco pessoas, sendo duas da Fundetec e três de entidades parceiras. É preciso comprovar que se trata de um novo produto, com novo processo de fabricação ou funcionalidade e com ganho em competitividade.

A empresa incubada paga um valor mais baixo que na iniciativa privada para uso do espaço e tem consultoria e orientação, além da estrutura da fundação à disposição. Além disso 0,5% do faturamento bruto vai para a Fundetec. O prazo de incubação é de até três anos, prorrogável por igual período.

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